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Fissuras põem em risco a vida útil das estruturas de concreto

De ocorrência comum em concreto armado e em alvenarias, aberturas com menos de 0,5 mm podem ser provocadas por múltiplas causas e corrigidas com soluções variadas

Texto: Juliana Nakamura

O aparecimento de fissuras em estruturas de concreto armado e em alvenarias é uma patologia de incidência relativamente frequente que pode implicar em uma série de danos às edificações. Comprometimentos estéticos que transmitem ao usuário a sensação de insegurança, infiltrações que põem em risco a salubridade dos ambientes, e a redução da durabilidade da estrutura, são algumas consequências desse problema.

Além do próprio risco que trazem para a segurança da edificação, as fissuras podem tornar a estrutura mais suscetível outra patologia, a corrosão das armaduras. “Por isso, ainda que algumas fissuras sejam toleradas pelas normas técnicas, toda e qualquer abertura deve ser tratada de forma a não permitir a entrada do agente agressivo que irá tirar a proteção passiva da armadura”, alerta o engenheiro José Ricardo Pinto, do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (Ibape-SP).

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Fissuras em estruturas de concreto trazem risco para a segurança da edificação (MeSamong/ Shutterstock.com)

TIPOS DE FISSURAS

As normas técnicas brasileiras classificam como microfissuras as aberturas inferiores a 0,05 mm. Aberturas com até 0,5 mm são chamadas de fissuras. Aberturas maiores de 0,5 mm e menores de 1,0 mm são denominadas trincas.

As fissuras se distinguem entre três grupos principais: as passivas, as ativas estacionárias, e as ativas progressivas. É nesse último grupo que estão as fissuras mais preocupantes e que exigem intervenção urgente, independentemente de suas dimensões. São essas também que costumam demandar correção mais custosa, muitas vezes envolvendo serviços de reforço de fundações e de reforço de estruturas.

Identificar corretamente o tipo de abertura em questão é uma etapa importante para definir a estratégia de correção mais apropriada. Fissuras passivas, por exemplo, podem ser tratadas com material rígido. Já as ativas costumam demandar fechamento com epóxi e resinas flexíveis.

CAUSAS DAS FISSURAS NO CONCRETO

A fissuração em estruturas de concreto armado e em alvenarias pode ser motivada por fatores diversos. Durante a fase de concretagem podem ocorrer fissuras por retração, fenômeno que se caracteriza por aberturas lineares com direções variadas e que ocorre por conta da redução de volume causada pela diminuição de umidade do concreto. Na teoria, quanto maior for o consumo de cimento adicionado à mistura, maior tende a ser a retração.

“Já na fase endurecida podem ocorrer fissuras devido ao mau posicionamento da armadura, o mau uso da estrutura (sobrecargas), falhas no dimensionamento e cura deficiente”, lista o engenheiro do Ibape-SP. Fissuras podem surgir, também, por conta de recalques de fundações.

Na fase do concreto fresco deve ser utilizada uma cura adequada. Na fase de execução deve ser observado o correto posicionamento da armadura. Por fim, durante o uso, é fundamental que as sobrecargas previstas sejam respeitadas
José Ricardo Pinto

De acordo com Kleber José Berlando Martins, perito em engenharia, as fissuras decorrentes de sobrecargas costumam ser as mais graves, exigindo atuação urgente. Isso porque indicam que o elemento estrutural é incapaz de suportar os esforços de compressão e podem levar a colapsos. Esse tipo de problema pode ser resultado de falha de projeto ou de execução, bem como da mudança no uso da edificação ao longo de sua vida útil. Fissuras por excesso de cargas podem ser motivadas, ainda, por mau uso da estrutura durante as obras, por exemplo, quando se depositam pilhas de materiais e entulho sobre lajes que não foram projetadas para suportar tais esforços.

Também são bastante comuns as fissuras de origem higrotérmicas, que decorrem do contato de materiais com coeficientes de dilatação e comportamentos diferentes (concreto e alvenaria, por exemplo). A variação higrotérmica é a ação simultânea de dilatação e retração que ocorre pela absorção de água e pela variação de temperatura.

COMO CORRIGIR FISSURAS?

Evitar fissuras em elementos de concreto requer cuidados a serem adotados desde a fase de projeto, estendendo-se também durante a execução da estrutura. “Na fase do concreto fresco deve ser utilizada uma cura adequada. Na fase de execução deve ser observado o correto posicionamento da armadura. Por fim, durante o uso, é fundamental que as sobrecargas previstas sejam respeitadas”, resume José Ricardo Pinto.

A recuperação não pode ser apenas corretiva. É importante diagnosticar-se a origem das patologias
Kleber José Berlando Martins

Para tratar as fissuras há diversas soluções disponíveis, como injeção de resinas estruturais de base epóxi e poliuretano, resinas flexíveis, sistemas cimentícios e selantes à base de poliuretano e à base de polímero. A estratégia de intervenção deve ser adequada ao problema específico e depende de um diagnóstico preciso feito por especialista.

Em alguns casos, a correção da fissura deverá ser precedida por uma ação para evitar que ela apareça novamente, como o reforço estrutural e de fundações. “A recuperação não pode ser apenas corretiva. É importante diagnosticar-se a origem das patologias”, diz Martins.

O engenheiro conta que, de modo geral, para corrigir fissuras ativas (instáveis) recorre-se à inserção de bandagem no revestimento, utilização de selantes flexíveis, reforço com tela de nylon ou polipropileno, criação de juntas de movimentação, entre outras soluções. Já no caso das fissuras inativas (estáveis) é possível empregar técnicas como utilização de argamassa armada, grampeamento e substituição do revestimento.

Leia também:
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Patologias de estruturas de concreto: identificação e tratamento

Colaboração técnica

Kleber José Berlando Martins – Engenheiro civil, diretor da KJ Avaliações e Perícias de Engenharia. Também é presidente da Associação de Peritos Judiciais, Árbitros, Conciliadores e Mediadores de Minas Gerais (Aspejudi)
José Ricardo Pinto – Engenheiro Civil com pós-graduação em Patologias em Obras Civis. É diretor da JK Engenharia e membro da Câmara de Inspeção Predial do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (Ibape-SP).
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