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Galpões logísticos pedem projetos eficientes e de baixo custo

De operação cada vez mais sofisticada, esses empreendimentos exigem conhecimento técnico desde a escolha do local até os sistemas construtivos

Redação AECweb / e-Construmarket

O mercado brasileiro de galpões logísticos é desenvolvido por operadores do setor para uso próprio e por incorporadores do chamado segmento especulativo (locação). Em ambos os casos, os projetos dos empreendimentos nascem a partir das mesmas bases de pesquisa. “Entre os critérios para a aquisição da área estão a identificação da melhor localização em relação aos grandes centros consumidores, das rotas que facilitam a distribuição e da presença de infraestrutura”, diz o arquiteto Alcindo Dell’Agnese, diretor do escritório AD – Arquitetos Associados.

A legislação tributária também é parte importante da decisão, pois as vantagens oferecidas por alguns Estados podem gerar economia maior do que os custos decorrentes da distância do centro de distribuição em relação às cidades.

Há diferenças, porém, entre os projetos para o usuário final e aqueles destinados à locação. “Quando criamos para o cliente direto, trabalhamos em cima do layout operacional e sua eficiência, observando como ele armazena a carga, quais são os equipamentos que utiliza para movimentá-la e como serão suas docas, entre outros fatores que influenciam na operação do galpão. O projeto obedece às legislações vigentes, principalmente de combate a incêndio, que são estaduais, e também a parâmetros das seguradoras”, ensina o arquiteto que, em 35 anos de atividades, projetou cerca de 7 milhões de metros quadrados de galpões logísticos.

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Galpão com telhas metálicas sobre estrutura também em metal (konzeptm/ Shutterstock)

Os projetos especulativos também começam pelo layout, porém sem tantos detalhes. Na etapa da arquitetura, nasce o desenho modular ou linear, mas dividido. “O galpão especulativo precisa ser muito bem planejado, garantindo ao investidor um custo de construção suficientemente bom para que possa ofertar no mercado por um valor de locação adequado ao operador”, diz Dell’Agnese.

A crise econômica do país atingiu o parque de galpões logísticos, que está com alto índice de vacância. Em decorrência, toda a cadeia envolvida busca soluções mais econômicas, através de projetos eficientes e de novas tecnologias construtivas.

SISTEMAS CONSTRUTIVOS

A construção de galpões deve ser a mais ‘seca’ possível. Daí o uso de pilares em pré-moldados de concreto e cobertura e fechamentos metálicos. “A escolha pela estrutura em concreto atende a todas as exigências contra incêndio, principalmente no Estado de São Paulo. Já a metálica é menos utilizada, pois exige proteção superficial do aço, que pode deformar quando atingido pelo fogo. Tem, no entanto, longa vida útil se feitas as manutenções preventivas – como todo o galpão exige”, observa Dell’Agnese, mencionando que há empreendimentos construídos há 20 anos, sem qualquer patologia.

COBERTURAS

Em geral, a cobertura de galpões recebe telhas metálicas sobre estrutura também em metal –ideais para grandes áreas e com baixa declividade. Há diferentes sistemas no mercado, mas eles cumprem a mesma função. A telha zipada permite fazer a cobertura de forma contínua, assim como o sistema de calhas metálicas integrado à estrutura. São produtos em aço (zincado, galvanizado e inoxidável) e também em alumínio e aço (galvalume).

“A proteção termoacústica é proporcionada pelas telhas metálicas recheadas com poliuretano, ou com o uso de manta de lã de rocha sob a telha. Já nas áreas reservadas de galpões destinadas a produtos congelados, usamos painéis isotérmicos no teto do freezer ou da geladeira”, fala.

FECHAMENTOS LATERAIS

Os fechamentos laterais também utilizam painéis metálicos duplos do tipo sanduíche com propriedades termoacústicas. Eles oferecem vantagens adicionais de uma obra limpa, rápida e, portanto, de elevada produtividade. “O arquiteto tem obrigação de estudar as novas tecnologias que chegam ao mercado, não podemos ter preconceito”, recomenda Dell’Agnese.

PISO

Aspecto crucial de um galpão logístico eficiente é o piso, que deve ser projetado por empresa de engenharia especializada. “Piso é carga”, indica o arquiteto referindo-se à estanteria de pallets e seus apoios no piso, e aos equipamentos que transitam sobre ele, como as empilhadeiras e suas rodas. É importante, por exemplo, saber como tratar os frisos nas áreas de juntas para que a empilhadeira deslize, sem trancos. “Em geral, são projetados pisos de concreto para 6 ton/m². Mas tem cliente que pede 10 ton/m², principalmente para galpões industriais que recebem máquinas muito pesadas. E, também, para aqueles de armazenagem muito altos, de 30 m de altura, por conta dos transelevadores”, ressalta.

PÉ-DIREITO

Na engenharia, quase tudo é possível, mas tem casos em que é mais econômico derrubar e construir um novo. Não tem uma regra
Alcindo Dell’Agnese

De grandes dimensões, robustos e aparentemente pesados, os galpões logísticos são, na verdade, leves e vulneráveis aos ventos. Daí a importância de o projeto obedecer às normas relativas à pressão de ventos. “Como são construções altas, recebem o efeito dos ventos diretamente nas fachadas. Além disso, as mudanças climáticas são uma realidade no Brasil, com episódios inéditos e aumento na velocidade dos ventos. Estamos atentos, assim como as normas técnicas procuram acompanhar esses fenômenos”, comenta Dell’Agnese.

O pé-direito do galpão é determinado pelo tipo de operação. A maioria dos empreendimentos para locação tem 12 m livres de altura, sendo 14 m na área central. Esse pé-direito garante a armazenagem de grande quantidade de pallets na vertical. “Já projetamos galpão com mais de 30 m de altura, para um cliente direto da área química, que utiliza transelevadores na movimentação das cargas. Fizemos outro projeto, para armazenagem na área de cosméticos, com 18 m de altura”, conta, acrescentando que esse cliente utiliza pequenos robôs para buscar e reunir as encomendas.

VENTILAÇÃO

São muitas as atividades na área de logística, desde as pesadas até as mais refinadas, dos galpões secos aos refrigerados, e elas exigem diferentes soluções projetuais. O conforto térmico dos galpões secos obedece a normas técnicas específicas, utilizando recursos naturais de ventilação. “O ideal é chegar a quatro trocas de ar por hora. Esse valor é calculado por fórmulas e depende do clima da região onde se localiza o empreendimento e da solicitação do usuário. O ar externo entra pela parte inferior do galpão, através de venezianas nas fachadas e portas das docas que podem ser ventiladas, expulsando o ar quente pelos lanternins da cobertura”, explica Dell’Agnese, lembrando que sistemas de exaustão ou de insuflamento de ar também podem ser adotados. Colaboram com o conforto térmico decisões de implantação do galpão no terreno, evitando o poente, quando possível, e ventilação cruzada.

AR-CONDICIONADO

O uso de sistema de ar-condicionado é comum na área administrativa do empreendimento. Já no galpão, responde à necessidade do operador ou usuário final para o armazenamento de produtos resfriados ou congelados, como os das áreas alimentícia ou farmacêutica. Nesses casos, o projeto define e segmenta uma área do galpão onde é feita a refrigeração. De acordo com o arquiteto, não é possível indicar o melhor sistema de condicionamento do ar, pois cada projeto é personalizado. Porém, toda atenção do projeto técnico deve ser orientada pela máxima economia de energia, já que o consumo elevado vai impactar o custo da operação.

Os estudos podem indicar a opção pela instalação de geradores alternativos de energia, como os painéis fotovoltaicos – o que tem ocorrido com maior frequência nesse segmento. “Todos os nossos projetos são preparados para receber essa tecnologia. A redundância de energia é praticamente obrigatória para as áreas de congelados, como carnes, onde a temperatura deve chegar a 25 °C negativos. É outro cuidado, outro projeto tecnicamente sofisticado”, destaca.

ÁREAS DE MANOBRA

As áreas de acesso para os caminhões e carretas obedecem a regras próprias da área logística. Passada a portaria, é criado um “pulmão” de estacionamento externo, além de vagas internas próximas às docas, onde chegam os caminhões e carretas, mas também as vans e VUCs (veículos urbanos de carga) para a distribuição nos centros consumidores. Algumas transportadoras usam a própria carreta como área de armazenagem.

“É comum utilizarem três carretas para um cavalo mecânico: enquanto uma está carregando, outra descarrega sua carga e outra vai para a estrada. Dessa forma, a carreta vira uma extensão do galpão”, conta o arquiteto.

A construção do galpão em si é, hoje, quase uma Commodity, com variações de custo irrisórias entre as construtoras
Alcindo Dell’Agnese

DOCAS

O projeto deve prever ampla área de manobra nas proximidades das docas. Internamente, é providenciado ambiente de apoio para motoristas, lembrando que atualmente há mulheres nessa função. Segundo Dell’Agnese, alguns galpões mais atuais dispõem, inclusive, de fraldário para atender os filhos de motoristas que viajam com a família.

Equipamento em constante evolução, as docas vão das mecânicas às eletromecânicas e hidráulicas. “Quanto menos o homem tem que fazer força, contando com o auxílio de equipamento que movimente a carga, a velocidade da operação aumenta, assim como a eficiência, reduzindo os riscos de acidente. Em todos os projetos, sempre estão previstos niveladores de docas, que ajustam a carroceria do caminhão ao piso do galpão”, afirma.

RETROFIT

Adequar galpões logísticos ao uso de um novo ocupante requer estudo individualizado. O primeiro elemento a ser verificado é o piso e sua capacidade de atender às necessidades atuais de carga. “Fui procurado para o retrofit de um galpão em que o piso foi projetado para 3 toneladas, quando a exigência atual é de 6 toneladas. Por ser antigo, não tem ventilação e iluminação natural. Os estudos vão mostrar como chegar aos resultados exigidos”, diz. A solução pode ser menos complexa quando o novo ocupante precisa de uma área refrigerada, bastando construí-la dentro do próprio galpão.

“Na engenharia, quase tudo é possível, mas tem casos em que é mais econômico derrubar e construir um novo. Não tem uma regra. É por isso que nos projetos que desenvolvemos para esse segmento deixamos tudo preparado pensando no futuro, principalmente para aqueles de grandes dimensões. Se, daqui a alguns anos o cliente desocupar, o empreendimento poderá ser transformado em multiusuário com pouco investimento”, diz.

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PREÇO

De acordo com Dell’Agnese, qualquer indicação de custo de construção por metro quadrado de um galpão logístico é mera especulação. A definição do custo de um projeto começa pelas condições do terreno: se for ruim, o gasto será maior para construir o piso e as fundações, sistemas que também dependem da carga que o local vai receber. Se a terraplanagem for agressiva, o custo também será maior. “A construção do galpão em si é, hoje, quase uma Commodity, com variações de custo irrisórias entre as construtoras. Mas essa é apenas uma parte. O custo final será composto ainda pela infraestrutura que terá, ou não, de ser implantada, como pavimentação para ligar a rodovia ao galpão, poço subterrâneo quando no local não há rede pública de água e esgoto, além de sistema de tratamento de efluentes”, conclui.

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Colaboração técnica

 
Alcindo Dell’Agnese – Arquiteto e urbanista formado pela Universidade de Mogi das Cruzes (1978) e em engenharia de segurança pela Faculdade Oswaldo Cruz (1980). Desde 1984, é sócio-diretor do escritório Alcindo Dell’Agnese Arquitetos Associados. Destaca-se como um dos responsáveis pela introdução no Brasil dos conceitos de business e office park’s. Seu escritório tem forte atuação nos setores de logística e transporte, participando do desenvolvimento dos mais destacados projetos deste setor.
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