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GLP ou GN: sistema de gás encanado precisa ser bem projetado

Quando devidamente planejada e instalada, a solução é segura e capaz de proporcionar conforto aos moradores. As normas técnicas, bastante claras, são obrigatórias

Redação Portal AECweb / e-Construmarket

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O ideal é contratar empresas com referências e comprovações junto ao Crea (Dmitry Kalinovsky / shutterstock)

Empreendimentos que têm sistema de gás encanado oferecem uma série de vantagens para os moradores. Além do fornecimento constante, a solução não exige o armazenamento de botijão dentro da residência. No entanto, para garantir os benefícios, é indispensável que o projeto seja elaborado por profissional capacitado, e a execução da instalação seja feita por equipe técnica especializada. “É importante verificar a idoneidade da empresa projetista, solicitando referências e comprovações junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). O mercado é outro bom indicador, por isso, é interessante conversar com pessoas que já tenham usado o serviço”, recomenda o engenheiro Felipe Wagner Abreu, responsável técnico do setor mecânico da RW Engenharia.

É importante verificar a idoneidade da empresa projetista, solicitando referências e comprovações junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). O mercado é outro bom indicador, por isso, é interessante conversar com pessoas que já tenham usado o serviço
Felipe Wagner Abreu

Instalações projetadas ou executadas de maneira inadequada podem resultar em problemas graves. Um simples vazamento pode desencadear contaminação do ar e até mesmo explosões. Assim, é bastante recomendável a compatibilização entre os projetos de distribuição de gás e de combate a incêndios, principalmente quando há presença de central de abastecimento no sistema.

GLP E GN

A elaboração do projeto deve ser precedida pela definição de alguns critérios, a começar pela determinação do tipo de gás que será utilizado. “Porque a maneira de lidar com o gás natural (GN) é diferente da forma como se lida com o gás liquefeito de petróleo (GLP)”, informa Abreu, lembrando que a ABNT NBR 15.526 — Redes de Distribuição Interna para Gases Combustíveis em Instalações Residenciais — Projeto e Execução — trata de ambos os gases.

O GLP é comercializado, normalmente, em botijões. Porém, em edificações com sistemas de encanamento, seu abastecimento é feito através de cilindros, cuja carga deve ser trocada periodicamente. Já o GN é fornecido por redes de distribuição vindas da rua, estando disponível de maneira ininterrupta — característica que torna a sua pressão constante e deixa mais estável a chama produzida a partir da combustão.

Além das diferenças no fornecimento, há outras particularidades. Enquanto o GLP é mais pesado e tende a se acumular em caso de vazamentos, o GN se dissipa com mais facilidade por ser menos denso do que o ar. Além disso, empreendimentos abastecidos com GN economizam espaço já que não são necessários centrais de gás ou botijões.

PROJETANDO

Outro critério que o projetista precisa considerar é a trajetória do gás. Nessa fase, é definida se a instalação terá medição individualizada ou se a cobrança será através de rateio, com tubulação única alimentando todas as unidades da edificação. “A maioria das construtoras tem optado por soluções individuais. Somente em obras de baixo custo é que se utiliza o rateio”, comenta Abreu.

Com a trajetória traçada, o próximo passo consiste no levantamento da potência dos equipamentos que utilizarão o gás. Essas informações servem para o dimensionamento do sistema. “Com base nos dados, o projetista é capaz de especificar os materiais, as classes e as demais características da instalação”, explica o engenheiro mecânico. Simultaneamente ao dimensionamento, é verificado o afastamento de segurança (distância mínima que os componentes do sistema devem apresentar em relação a determinadas estruturas da edificação) solicitado pela ABNT NBR 15.526 e pelas normas do Corpo de Bombeiros. “Na elaboração do projeto, é importante o contato com os profissionais que ficarão responsáveis pelos sistemas elétrico e hidráulico. Essa comunicação evita interferências entre as tubulações de diferentes instalações”, destaca Abreu.

O consumidor que tem interesse em adotar o gás natural encanado em sua residência ou comércio pode, antes de iniciar a obra, entrar em contato com a concessionária que atende ao seu Estado, para ser orientado sobre os procedimentos de instalação dentro da moradia
Horácio de Barros

COMPONENTES DO SISTEMA

A ABNT NBR 13.206 — Tubo de Cobre Leve, Médio e Pesado, sem Costura, para Condução de Fluidos – Requisitos — norteia a escolha do encanamento que deve ser empregado em sistemas de distribuição de gás. “Atualmente, os canos de cobre substituem os materiais de aço galvanizado ou ferro fundido usados em instalações antigas”, diz o técnico da RW Engenharia. Já nas áreas externas, os mais empregados são os tubos de polietileno de alta densidade (PAD).

Mais recentemente, o sistema multicamadas, composto de polímero com alma de alumínio em seu interior, ganhou espaço. “Apesar de ainda não estar contemplado pelas normas nacionais, seu uso é regido pela ISO 17.484”, informa Abreu. Além das tubulações, o sistema de gás encanado conta com outros componentes, como conexões (cotovelos, luvas, Ts), medidores de consumo e limitadores de pressão.

“Há ainda os dispositivos para fechamento mecânico (shut off) e o sistema de regulagem para controle de pressão, já que os equipamentos e as tubulações trabalham com níveis diferentes”, comenta Abreu. Caso o empreendimento seja abastecido por GLP, o sistema deverá contar também com central de gás, cilindros, coletores, mangotes e conexões. Já no caso do GN, é preciso ter, na entrada do edifício, dispositivo que permita a medição do consumo.

EXECUTANDO

Além de seguir o projeto, a instalação deve ser realizada de maneira a facilitar futuras manutenções. “Nem sempre o shaft é a melhor alternativa devido ao risco de confinamento. Nesse caso, é preciso prever algumas ventilações que evitarão o acúmulo de gás em caso de vazamentos”, adverte Abreu, destacando que é importante estudar cada caso.

Logo após a execução, a norma sugere a realização de teste de estanqueidade com o objetivo de aferir a segurança do sistema. “Para isso, a tubulação precisa ser submetida a uma pressão cinco vezes maior do que o normal. É preciso deixar a instalação pressurizada durante certo período, garantindo que não existam vazamentos”, detalha Abreu.

INTEGRAÇÃO COM A REDE EXTERNA

Quando há abastecimento com GN, é necessário integrar o sistema interno da edificação com a rede de distribuição. “O consumidor que tem interesse em adotar o gás natural encanado em sua residência ou comércio pode, antes de iniciar a obra, entrar em contato com a Comgás – no caso do estado de São Paulo –, para ser orientado sobre os procedimentos de instalação dentro da moradia. Após o término das obras, a companhia efetua a ligação do gás”, explica o engenheiro Horácio de Barros, gerente de Instalações Internas da Comgás (Companhia de Gás de São Paulo).

Com o sistema interno pronto, a conexão dos equipamentos à rede de distribuição é feita por meio de um ramal de ligação que vai até o medidor de consumo instalado dentro de um abrigo. “Vale destacar que essa estrutura deve seguir as especificações da companhia, além de estar em local acessível para leitura do consumo e situações de emergência”, afirma Barros. O procedimento de interligação é realizado por profissional da empresa, que faz a instalação do medidor e a conversão dos equipamentos existentes, caso necessário.

O sistema de gás para uma residência unifamiliar é interligado com a rede de distribuição da mesma maneira que num edifício multipavimentos. O que muda de um cenário para o outro é a dimensão do ramal, que varia de acordo com o consumo. “O volume de gás para abastecer um prédio é maior em relação ao de uma casa. Por isso, há variação de tamanho do ramal”, exemplifica Barros.

Segundo o gerente da Comgás, o uso do GN encanado proporciona inúmeras vantagens. “É possível realizar o pagamento de acordo com o consumo; o gás natural não falha ou acaba; há benefícios para a mobilidade urbana por dispensar o uso de caminhões para entrega; emite menos poluentes na atmosfera; entre outras”, finaliza Barros.

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Colaboração técnica

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Felipe Wagner Abreu – Engenheiro mecânico formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) com pós-graduação em Gestão Estratégica de Marketing pela Universidade Fumec. É responsável técnico do setor mecânico da RW Engenharia, onde trabalha desde 2001. Já idealizou mais de 5 mil projetos executados pela empresa.
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Horácio de Barros – Formado em Engenharia Civil na Universidade Camilo Castelo Branco (Unicastelo), é pós-graduado em Gestão de Projetos pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e tem MBA em Gestão Estratégica de Vendas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). É gerente de Instalações internas da Comgás, onde trabalha desde 2010.
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