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Impacto de escavações profundas deve ser previsto em projeto

Estruturas vizinhas devem ser avaliadas criteriosamente antes do início da escavação

Redação PE

O impacto de uma escavação profunda nas construções vizinhas vai além de danos à estética, fissuras ou trincas nas paredes, tetos e pisos. Há também interferência em funcionalidades, como emperramento de portas e janelas, desnível no piso, infiltrações, obstruções para passagem ou retirada de cabos em dutos subterrâneos de utilidades públicas e vazamento de piscinas. Em casos mais extremos, causa até a ruína das estruturas.

Para entender melhor o problema, é preciso antes saber o conceito técnico de escavações profundas. “São executadas a céu aberto, em taludes ou com paredes de contenção, com profundidades suficientes para mobilizar o maciço de solo e produz efeitos importantes nas construções vizinhas”, explica Ricardo Leite, do Metrô de São Paulo. “Englobam edificações prediais, obras de arte, sistema viário, instalações aéreas ou subterrâneas de utilidades públicas, entre outras”, acrescenta.

O engenheiro Jarbas Milititsky, presidente do comitê técnico do SEFE 8 – 8º Seminário de Engenharia de Fundações Especiais e Geotecnia, esclarece que a execução de qualquer grande escavação provoca livres tensões nos terrenos vizinhos e sempre vai haver algum tipo de interferência. Não só o dimensionamento e a estabilidade da própria estrutura de contenção devem ser considerados, mas principalmente os efeitos causados por essa escavação.

“A diferença entre a execução de bons e maus projetos é que os bons provocam efeitos mínimos e os maus causam até ruínas nas estruturas e serviços adjacentes”, compara Jarbas. “Quando ocorre um problema, utiliza-se a boa técnica de engenharia para fazer a instrumentação e acompanhamento das estruturas vizinhas. Isso serve como indicador de que algo não está bem. Se aparecem indícios – não necessariamente fissuras ou trincas, mas deslocamentos maiores – é hora de fazer alguma intervenção”, esclarece.

Os dois especialistas ressaltam que tudo deve ser bem planejado. O acompanhamento é previsto em projeto e realizado antes do início da escavação. Isso garante estabilidade geral, evitando-se providências no decorrer da obra, como escoramentos ou reforços de fundação.

Impactos na vizinhança

É possível fazer correções preventivas ou corretivas para minimizar os impactos negativos causados pelas escavações profundas. Ricardo Leite cita como exemplo uma situação ocorrida nos anos 1980, em São Paulo, durante as escavações da Linha 3 – Vermelha do Metrô.

“Foi preciso reforçar a estrutura dos consoles de apoio de pilares num edifício de dez andares, que sustentava as vigas dum anexo de dois pavimentos situado nos fundos desse edifício. A torre sofreu um giro em direção à vala, como era previsto, mas as deformações no console mostraram-se excessivas, fato que tornou necessária a intervenção”, conta.

É imprescindível o conhecimento estrutural do terreno em que a escavação será feita, depois das condições dos prédios e das fundações vizinhas. Jarbas explica que é necessário fazer um levantamento preliminar e, após calcular os riscos, avaliar o efeito da escavação nos locais onde a operação pode causar recalques. “Hoje existem métodos modernos que permitem uma avaliação relativamente precisa, além de outras técnicas específicas”, informa.

“Um projeto deve ser elaborado por profissionais qualificados com avaliação detalhada do maciço de solo por meio de sondagens para determinação do perfil geológico e ensaios para determinação de parâmetros geotécnicos”, acrescenta Jarbas.

Principais cuidados

O especialista Ricardo Leite, do Metrô de São Paulo, destaca alguns cuidados imprescindíveis para minimizar os riscos de interferências. Entre eles, deve-se avaliar cuidadosamente o rebaixamento do lençol freático em função da forte influência que tem nos recalques; posicionar o primeiro nível de contenção o mais próximo à superfície para limitar significativamente deformações do maciço e estimar danos que a escavação provocará, com uma análise aprofundada dos seus efeitos nas construções.

“Essas estruturas vizinhas devem ser previamente vistoriadas e cadastradas, sob uma ótica estrutural e funcional, além de um registro fotográfico para visualizar seu estado”, explica Ricardo. O risco precisa ser avaliado e os responsáveis devem propor medidas corretivas como reforço estrutural de construções, desocupação de imóveis, remanejamento de utilidades públicas e de trânsito, entre outras.

Outros pontos também são enfatizados pelo especialista do Metrô, como instrumentar as construções e acompanhá-las durante a execução das obras, estabelecer plano de contingência para situações de risco e corrigir ou indenizar os danos provocados nas estruturas vizinhas. “Toda precaução é necessária durante a execução das escavações. Isso reduz efeitos indesejáveis como, por exemplo, carreamento de solo pelas paredes de contenção”, recomenda Ricardo Leite.

Colaboraram para esta matéria

 
Ricardo Leite – especialista em escavações do Metrô de São Paulo
 
Jarbas Milititsky – presidente do comitê técnico do SEFE 8 – 8º Seminário de Engenharia de Fundações Especiais e Geotecnia
 
 
 
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