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Laje alveolar proporciona isolamento termoacústico e rapidez à construção

Resistente, o material é solução para diferentes obras, porém requer cuidados na especificação e instalação

Redação AECweb / e-Construmarket

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Solução pré-moldada de concreto, a laje alveolar recebe esse nome por apresentar em seu interior diversos alvéolos, aberturas longitudinais responsáveis pela redução do peso da peça. Além dos alvéolos, a solução é constituída por painéis de concreto protendido na sua base e na parte superior da peça. Entre os benefícios que o material proporciona à obra estão rapidez na construção, ausência de escoramento e uso racional de mão de obra e materiais.

De acordo com a engenheira Íria Lícia Oliva Doniak, membro do Conselho do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), a laje alveolar também confere maior isolamento térmico e acústico à construção em comparação com outros sistemas.

A laje alveolar é muito competitiva em obras com vãos de até 20 m. Em geral, são adotadas espessuras de 12 a 50 cm e vãos entre 6 e 16 m
Íria Lícia Doniak

A opção por esse tipo de laje depende do estudo de viabilidade, que considera diferentes fatores. Entre eles, a logística recebe destaque, começando pela verificação do terreno a fim de certificar as possibilidades de montagem e movimentação dos equipamentos utilizados na instalação, bem como os acessos que posteriormente integrarão o planejamento de alocação das peças. “A laje alveolar é muito competitiva em obras com vãos de até 20 m. Em geral, são adotadas espessuras de 12 a 50 cm e vãos entre 6 e 16 m”, afirma Doniak, lembrando que a utilização do sistema também é recomendada em situações que pedem bom comportamento diante do fogo.

Esse tipo de laje está bastante presente em edificações sustentáveis, por permitir a associação com instalações que proporcionam maior eficiência energética. “Tem sido utilizada, por exemplo, de forma conjunta a sistemas embutidos de ventilação que minimizam os custos com ar condicionado. Na Europa, uma solução nesses moldes já foi patenteada”, conta a profissional.

Permitindo amplo leque de possibilidades, as lajes alveolares são classificadas em função de sua altura, sendo que as propriedades da seção transversal, vãos e carregamentos admissíveis são informados pelos fabricantes em seus catálogos. “A norma que rege o sistema é a ABNT NBR 14861 – Lajes alveolares pré-moldadas de concreto protendido – Requisitos e procedimentos.”

DIMENSIONAMENTO E FABRICAÇÃO

painel-protendido-pre-moldado

As lajes alveolares são fabricadas com aço especial para protensão em pistas contínuas com largura padrão fixa de 1,20 ou 1,25 cm, dependendo do equipamento utilizado. As espessuras variam de 12 a 50 cm e são definidas segundo a sobrecarga de cada projeto. As peças são produzidas em fôrmas fixas, compostas por fôrmas laterais e tubos de aço ou infláveis em PVC para a formação dos alvéolos. “Podem ser usados, ainda, equipamentos de extrusão ou moldadoras com concreto de alto desempenho. Para liberação da protensão, a resistência mínima fixada por norma é de 21 MPa, o que pelo ciclo atual de produção das indústrias chega a ocorrer entre 16 e 24 horas, atingindo, na maioria dos casos, 50 MPa aos 28 dias”, detalha Doniak.

No caso das fôrmas fixas, utiliza-se concreto com consistência de até 80 mm e vibração por mangotes ou vibradores aderidos. “Quando são utilizadas extrusoras, o concreto é seco e praticamente com consistência de 0 a 20 mm. A compactação é feita através da prensa da massa entre roscas sem fim metálicas que, ao mesmo tempo, impulsionam a máquina para frente”, explica a engenheira. Para equipamentos com tecnologia Slip-Form, ou moldadoras, o concreto utilizado deve apresentar consistência próxima a 50 mm, e a compactação é feita por vibradores fixados no chassi da máquina, que conta com motorredutor específico para impulsão do conjunto máquina-chassi. “Em geral, por conta de o traço do concreto ser mais argamassado, as máquinas tipo moldadoras entregam um acabamento superficial mais liso, sendo muito adequadas à produção de painéis de fechamento alveolares”, complementa.

O comprimento das pistas onde as peças são produzidas mede, em geral, entre 100 e 200 m. A fabricação é contínua ao longo da pista em velocidade que pode variar de 1,5 a 4 m por minuto, dependendo da tecnologia utilizada. Após liberação da protensão, as peças são cortadas no tamanho especificado em projeto com o uso de equipamentos dotados de serras diamantadas. “Em todas as fases do processo produtivo são feitas inspeções de qualidade, que englobam desde a inspeção dos materiais previamente qualificados até o controle tecnológico do concreto e as tolerâncias dimensionais estabelecidas na ABNT NBR 14861”, destaca a profissional.

Em todas as fases do processo produtivo são feitas inspeções de qualidade, que englobam desde a inspeção dos materiais previamente qualificados até o controle tecnológico do concreto e as tolerâncias dimensionais estabelecidas na ABNT NBR 14861
Íria Lícia Doniak

Outra tecnologia empregada na execução em pista de lajes alveolares são as máquinas tipo wet-cast. Utilizando um concreto com maior teor de argamassa e, portanto, consumo ligeiramente maior de cimento, elas permitem a produção de elementos estruturais contínuos com geometrias aleatórias, dependendo somente da troca do chassi da máquina. Este tipo de equipamento facilita a fabricação de elementos estruturais, tais como arquibancadas baseadas em lajes alveolares e até vigas de seção contínua.

INSTALAÇÃO DAS LAJES ALVEOLARES

O transporte das lajes alveolares até a obra é realizado em caminhões, e a adequação da carga no veículo exige cuidado para que não sejam introduzidas tensões não previstas em projeto. “É importante que exista um calço entre as peças empilhadas. Para este fim, podem ser usados sacos de areia ou placas de madeira corretamente posicionados, conforme procedimento da empresa validado pelo projetista”, indica Doniak. O empilhamento máximo dependerá, ainda, do limite de peso permitido para a carga segundo legislação e do tipo de caminhão utilizado no transporte.

O projeto deverá estar em conformidade com a modulação definida, e a sequência é estabelecida conforme planejamento de montagem. A laje alveolar é bastante flexível e adaptável às obras correntes, inclusive quando o sistema pré-fabricado substitui outra solução originalmente moldada in loco. “Porém, extraímos o melhor da tecnologia quando o projeto arquitetônico já nasce incorporando os conceitos de construção industrializada, observando modulações que permitam o uso do sistema sem a necessidade de artifícios, como tiras de lajes com largura inferior ao padrão, recortes e variabilidade dimensional”, afirma Doniak.

Se as lajes forem montadas com juntas longitudinais preenchidas, é importante avaliar se as peças estão niveladas por baixo e, caso não estejam, pode ser feito um torniquete passando pela chaveta para o ajuste. “Este é um procedimento de equalização”, fala a profissional, destacando que, além do posicionamento das peças, é importante verificar se o apoio atende ao que está previsto em projeto e se a área de contato mínima está sendo atendida. As lajes são apoiadas nas vigas, que também podem ser pré-moldadas, ou ainda metálicas ou moldadas no canteiro. A principal preocupação nessa fase é obedecer ao comprimento mínimo de apoio, que deve estar em conformidade com o projeto. “Não existe reforço, a estrutura deve ser concebida levando em consideração o tipo de laje que será usado”, conclui.

Colaborou para esta matéria

Íria Lícia Oliva Doniak – engenheira civil graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Desde 1986 atua no setor de concreto, tendo iniciado suas atividades profissionais no Laboratório de Controle Tecnológico. É membro do conselho do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), diretora do Departamento da Construção Civil da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Deconcic/Fiesp), membro do Conselho e da Comissão de Estruturas Pré-fabricadas de Concreto da mesma entidade da Federação Internacional do Concreto (FIB), membro da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e das comissões de norma correlacionadas às estruturas de concreto pré-fabricado. Ocupa ainda o cargo de presidente-executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC).
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