• Busque fornecedores, produtos e matérias

Produto indisponível

O produto que você buscou se encontra indisponível no momento.

> > > Materiais resistentes à maresia: saiba especificar

Materiais resistentes à maresia: saiba especificar

Para construir em cidades litorâneas é indicado usar esquadrias de alumínio e de PVC,
telhas de fibrocimento e pisos cimentícios

Redação AECweb / e-Construmarket

Projetar e construir no litoral requer cuidado extra da equipe que especifica os materiais. Ao reagir com a maresia eles podem apresentar comportamentos atípicos. “Se o arquiteto souber usar corretamente as soluções disponíveis e conhecer as características de cada matéria-prima, a maresia não atrapalha o trabalho. Mas é preciso identificar o desempenho dos itens que serão utilizados em obras nas proximidades do mar”, afirma a arquiteta Andrea Dellamonica, titular do escritório Andrea Dellamonica Arquitetura & Urbanismo.

 

Para especificar materiais e soluções adequados, é recomendável identificar o nível da maresia na região. “Em Fortaleza, por exemplo, a maresia é considerada a segunda mais intensa do mundo, só perdendo para a do Mar Morto. A agressão que os materiais sofrem na capital cearense é grande, diferente do litoral paulista, onde o nível é menor”, explica a arquiteta, aconselhando o uso de materiais como madeira, fibra sintética e pedras variadas para os revestimentos. Já produtos com ferro e peças banhadas em aço-inox ou fibra natural são menos duráveis quando expostos às condições climáticas do litoral.

MADEIRA, ALUMÍNIO E PVC

A madeira pode ser a matéria-prima das esquadrias, mas, neste caso, as dobradiças devem ser de inox para evitar a corrosão causada pela maresia. Se forem pintados, os caixilhos de madeira devem receber previamente seladora ou primer para proteção. “As esquadrias de alumínio e as de PVC são as mais adequadas”, lembra a profissional. As janelas e portas de alumínio são resistentes à corrosão, mas o acabamento ideal é a pintura eletrostática ou anodização, que garante baixo grau de aderência de sujeiras.


As esquadrias de alumínio e as de PVC são as mais adequadas
Andrea Dellamonica

Para conseguir a vedação perfeita, as borrachas precisam ser substituídas, em média, a cada três anos, dependendo do desgaste. Por outro lado, os caixilhos de PVC são imunes à corrosão, têm boa vedação e desempenho térmico. O material, porém, não aceita pintura, mas, o mercado disponibiliza modelos estampados em madeira ou na cor preta. Independentemente do material, as esquadrias precisam receber lubrificação das articulações pelo menos uma vez por ano.

MADEIRA REQUER CUIDADOS EXTRAS

A madeira pode ser utilizada em regiões litorâneas, mas exige manutenção com a aplicação de verniz pelo menos uma vez por ano. “A maresia não impede a construção de um deck de madeira, mas é preciso preparo e cuidados específicos. Para evitar problemas, a espécie adequada deve ser especificada e o material precisa passar por tratamento, com a aplicação de impregnantes que criam uma película de proteção”, detalha Andrea. O local onde ficarão as soluções construídas a partir da madeira também precisa ser analisado, pois quando exposto ao sol ou à chuva, a deterioração acontece mais rapidamente.

Veja o case da Casa Folha, que teve a cobertura feita com madeira laminada colada.

A alvenaria tem pouca interferência da maresia, pois normalmente é feita com blocos de cerâmica ou concreto. Porém, como as cidades costeiras são úmidas, se os revestimentos não forem bem feitos, a tendência é a umidade infiltrar nas paredes
Andrea Dellamonica

MATERIAIS INDICADOS PARA CONSTRUIR EM LOCAIS COM MARESIA

Alvenaria e revestimentos cerâmicos

A alvenaria tem pouca interferência da maresia, pois normalmente é feita com blocos de cerâmica ou concreto. Porém, como as cidades costeiras são úmidas, se os revestimentos não forem bem feitos, a tendência é a umidade infiltrar nas paredes. Os acabamentos de argamassa simples, feita com cimento e areia, também sofrem com os efeitos da umidade, por isso, a alternativa são os revestimentos cerâmicos ou de pedra. “Os cerâmicos não sofrem, já as tintas acabam desbotando quando expostas à maresia ou ao sol. Se as cores forem mais fortes, o desbotamento é ainda mais rápido”, adverte Andrea.

Tintas acrílica e elastomérica

Tintas acrílicas aplicadas em paredes externas duram cerca de três anos, já as emborrachadas e elásticas, com base elastomérica, têm durabilidade de cinco a seis anos. Nos ambientes internos, a melhor opção são as acrílicas semibrilho, que amenizam visualmente a ação da maresia e têm boa resistência.

Materiais e áreas de aplicação

Estrutura - Nas estruturas, o ferro é o elemento mais atacado pela maresia. Para evitar problemas, as ferragens devem ser protegidas pelo concreto. As normas de cálculo específicas para recobrimentos com concreto em construções na praia determinam maior volume do que seria necessário longe do litoral. Outras estruturas metálicas também demandam cuidados, sendo que o aço deve receber pinturas contra corrosão.

Cobertura – as telhas cerâmicas precisam ser impermeabilizadas, para diminuir o efeito da cristalização dos sais de areia, que gera esfarelamento do acabamento. As telhas de concreto devem ter acabamento em camada de verniz acrílico, que garantem telhado limpo por mais tempo.

Já em edificações com coberturas planas, é possível utilizar as telhas de fibrocimento sem amianto ou lajes impermeabilizadas. Descendo do telhado para o piso, os mais adequados são os porcelanatos com acabamento fosco. Podem ser utilizados os de tons manchados, que disfarçam a presença de areia. “Também existem os pisos cimentícios que imitam madeira, são duráveis e fáceis de limpar”, finaliza a arquiteta.

Veja também:
Obras litorâneas exigem atenção redobrada

Colaborou para esta matéria

Andrea Dellamonica – Arquiteta formada pela Universidade Braz Cubas, desde 2007, desenvolve projetos para o complexo Beach Park, localizado no Ceará. Com escritório em São Paulo, Fortaleza e Manaus, é responsável por projetos de arquitetura, urbanismo e visual merchandising, sempre valorizando espaços e atendendo a necessidade de ambientes corporativos, residenciais e hoteleiros. Foi coordenadora no curso de Visual Merchandising, do Senac São Paulo, e palestrante, em 2013, na feira HI Connect Design, realizada no Tennessee, Estados Unidos.
Gostou deste conteúdo? Cadastre-se para receber gratuitamente nossos boletins.

Complete seu cadastro