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Microgeração de energia cresce no país

Em um ano, número de consumidores que produzem sua própria eletricidade teve aumento de 400%

Redação AECweb / e-Construmarket

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou, no final de 2016, um estudo mostrando o crescimento de 400% do número de consumidores que produzem sua própria energia elétrica. Eram 1.155 microgeradores em setembro de 2015, universo que saltou para 5.525 no mesmo mês de 2016. Essa é a segunda vez seguida que o indicador apresenta evolução: em 2014, apenas 293 consumidores tinham seus próprios sistemas para geração de energia.

“A porcentagem pode parecer alta, entretanto ainda é pequeno o grupo de microgeradores. A quantidade cresceu, é verdade, mas em relação aos dados absolutos temos espaço para melhorar”, afirma o professor Roberto Lamberts, coordenador do Laboratório de Eficiência Energética de Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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Painéis fotovoltaicos instalados na cobertura de residências (amophoto_au/ Shutterstock.com)

SISTEMAS FOTOVOLTAICOS

Nesse cenário, a energia solar é a mais aproveitada. Levantamento da Aneel mostra que cerca de 98,4% dos microgeradores utilizam os sistemas fotovoltaicos. “A solução é bastante procurada por ter instalação simples. Pode ser especificada para qualquer região do país e integrada aos mais diferentes tipos de edificação”, argumenta o docente.

A quantidade de microgeradores cresceu, é verdade, mas em relação aos dados absolutos temos espaço para melhorar
Roberto Lamberts

Outra vantagem da tecnologia é seu tempo de retorno financeiro relativamente baixo – em média, são oito anos para compensar o investimento. Entretanto, nos locais onde a incidência da luz solar é mais frequente, cai para cinco ou seis anos o tempo necessário para o consumidor recuperar o valor investido no sistema. A expectativa é que os painéis fotovoltaicos estejam cada vez mais presentes nas coberturas das edificações. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que 12% do consumo nacional será atendido pela energia solar em 2023.

Um fator importante que também auxilia no avanço da tecnologia fotovoltaica é a grande presença de materiais de qualidade no mercado brasileiro, tanto de produtos nacionais quanto de importados. “Nossa indústria está avançando na produção de itens com ótimo desempenho. A tendência é que, conforme haja aumento na demanda, novas empresas sejam inauguradas, colaborando para diminuir a entrada de sistemas estrangeiros”, diz o professor.

O estudo da Aneel apresenta também as demais tecnologias aproveitadas pelos microgeradores: eólica (0,73%), biogás (0,47%), misto de solar e eólica (0,27%), hídrica (0,09%) e biomassa (0,04%). “A geração eólica também está em expansão no Brasil, principalmente, na região Nordeste, que apresenta ventos mais constantes”, complementa.

DECRETO 8.828

Com o crescimento da microgeração, as concessionárias esperam que a Aneel regulamente o decreto 8.828/2016, que permite a criação da chamada tarifa binômia para os consumidores de baixa tensão. Quando os microgeradores produzem mais energia do que consomem, podem enviar o excedente para a rede de distribuição. Com isso, acumulam créditos que são revertidos em descontos quando for necessário o uso da eletricidade vinda das concessionárias públicas.

Nossa indústria está avançando na produção de itens com ótimo desempenho
Roberto Lamberts

Com a regulamentação do decreto 8.828, as empresas responsáveis pelas redes de distribuição estariam autorizadas a cobrar pelo uso de sua infraestrutura. “Mesmo se a lei for aprovada, não acredito que tenha potencial para diminuir o interesse na microgeração, afinal as taxas só existiriam em momentos específicos”, opina Lamberts.

Segundo a Aneel, não existe ainda previsão para a entrada em vigor da tarifa binômia. Se no futuro ocorrer qualquer alteração, as cobranças só valerão para instalações novas, não afetando aquelas já existentes.

OLHANDO PARA O FUTURO

A expectativa para o futuro é que o país continue avançando em relação à energia limpa. Atualmente, o Brasil tem 45% de sua matriz energética baseada em fontes renováveis. O número poderia ser maior, afinal, no passado, já chegou a cerca de 80%. “Nas épocas chuvosas, nossa matriz com base na energia hidrelétrica é considerada limpa. O grande problema acontece quando é preciso ativar as usinas termelétricas, consideradas poluentes”, pondera Lamberts. Ele finaliza: “Também não podemos nos esquecer dos sistemas de transportes, baseados quase que totalmente em combustíveis fósseis, que contribuem muito para ‘sujar’ a matriz energética brasileira”.

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Colaboração técnica

Roberto Lamberts – Possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1980), mestrado em Engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1983) e doutorado em Civil Engineering pela University of Leeds (1988). Atualmente é professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua na área de Engenharia Civil, com ênfase em Eficiência Energética, desempenho térmico de edificações, bioclimatologia e conforto térmico. É supervisor do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações na UFSC; coeditor do periódico Ambiente Construído; membro do comitê editorial do periódico Journal of Building Performance Simulation; membro das associações científicas ANTAC - Associação de Tecnologia do Ambiente Construído (onde foi da diretoria por vários mandatos); membro do CBCS - Conselho Brasileiro de Construção Sustentável e IBPSA, associação internacional para a simulação do desempenho de edificações. É, ainda, membro do GT e ST de edificações do MME, apoiando o desenvolvimento da etiquetagem de eficiência energética em edificações.
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