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Muros verdes melhoram a qualidade do ar e oferecem conforto térmico a edifícios

A solução poderá ser usada em empenas cegas de prédios no entorno do Elevado Costa e Silva, na região central de São Paulo

Redação AECweb / e-Construmarket

Em maio, a Prefeitura de São Paulo deu início ao chamamento público que convida edifícios com empenas cegas localizados a até uma quadra do Elevado Costa e Silva, na região central da cidade, a se candidatarem para receber muros verdes, um tipo de revestimento vegetal de fachadas que ajuda a promover a biodiversidade urbana.

De acordo com estudo realizado pelo Movimento 90o, que defende a instalação desses jardins verticais, há um total de 140 prédios no entorno do Elevado – o famigerado Minhocão – que se enquadram nos requisitos do projeto, ou seja, que estão aptos a receber a vegetação, resultando em uma área total equivalente a nove campos de futebol. Os recursos para a implantação dos equipamentos virão da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, e a escolha dos empreendimentos contemplados será feita pela Câmara Técnica de Compensação Ambiental (CTCA).

O crescimento das cidades provoca a devastação de áreas naturais, e a colocação de vegetação nos edifícios é uma alternativa que colabora com o meio ambiente
Fernando Caetano

O arquiteto e urbanista Fernando Durso Neves Caetano, mestre em Arquitetura, Tecnologia e Cidade pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autor da tese que aborda a influência de muros verdes sobre o desempenho térmico de edifícios, é a favor da solução. “O crescimento das cidades provoca a devastação de áreas naturais, e a colocação de vegetação nos edifícios é uma alternativa que colabora com o meio ambiente. Durante as pesquisas feitas para a realização da tese, observávamos muitos pássaros e borboletas sobrevoando o sistema”, conta.

Os muros verdes podem proporcionar a melhoria do aspecto visual da cidade e a redução em até 30% da poluição do seu entorno. “As plantas conseguem reter grande quantidade de poeira e fuligem que ficam suspensas na atmosfera. A melhoria da qualidade do ar é um grande benefício para o ambiente urbano”, afirma o arquiteto.

O conforto térmico é outra vantagem das paredes verdes, que, em dias quentes, podem diminuir em até 6°C a temperatura interna dos edifícios. “Os acabamentos normalmente empregados não respondem de maneira inteligente à questão climática. "Quando o sol bate na parede, o calor é transmitido para dentro e, se está frio do lado de fora, o ambiente interno acaba perdendo calor para o externo. Quando é usado muro vivo, cria-se um revestimento vegetal que evita a perda ou o ganho excessivo de calor no interior da edificação”, explica Caetano.

Segundo o edital de chamamento público da Prefeitura de São Paulo, as paredes verdes também serão capazes de proporcionar redução sonora significativa aos edifícios, que sofrem com o excesso de ruído gerado pelo trânsito no Minhocão.

ALTERNATIVA À FALTA DE ESPAÇO

Como as cidades estão muito cheias, encontrar um terreno disponível para a construção de novos parques é algo muito complicado. De acordo com Caetano, o muro vivo tem mais essa finalidade, que é amenizar o embate por solos, verticalizando-se os espaços verdes.

COMPOSIÇÃO DO SISTEMA

Os muros verdes têm duas configurações principais, a primeira é com a utilização de trepadeiras, vegetação bem conhecida que é plantada no chão e cresce pela parede. “Há outra tipologia mais nova, que tem eficiência muito maior em relação ao calor. A solução é constituída por base rígida que sustenta bolsas onde a vegetação é plantada. Essas placas são presas na parede através de guia metálica equipada com dutos de irrigação por gotejamento, característica importante, já que na posição vertical o sistema tende a secar rapidamente”, detalha o arquiteto, lembrando que não há riscos de infiltração nos locais onde o jardim está instalado. Além disso, todo o sistema pode ser removido sem danos à superfície original. “É uma tecnologia irmã da cobertura viva. A vantagem é a verticalização de uma solução que limitava o telhado verde à cobertura dos edifícios. Na parede, a área é bem maior e o beneficio é para todos os pavimentos”, compara Caetano.

CRITÉRIOS PARA A INSTALAÇÃO E ESCOLHA DA VEGETAÇÃO

Todo o sistema é leve, e a tendência é que não haja problemas com a estrutura da edificação. Porém, Caetano ressalta que, antes da instalação, é importante consultar um profissional capacitado. “É sempre bom ter um parecer de um engenheiro civil com conhecimento em estruturas, para que a colocação da vegetação aconteça com segurança”, recomenda.

Quando é usado muro vivo, cria-se um revestimento vegetal que evita a perda ou o ganho excessivo de calor no interior da edificação
Fernando Caetano

Recomenda-se, ainda, avaliar o ambiente em que a solução será aplicada e realizar pesquisas para encontrar uma vegetação que resista à exposição a ventos, sol, chuva, entre outras características climáticas de cada região. "Na pesquisa que fiz, determinei seis espécies que estavam bem adaptadas para muro vivo em Campinas (SP) e, como a cidade está próxima de São Paulo e com clima parecido, essa vegetação poderia também ser usada na capital. No Paraná, contudo, por ser uma cidade de clima mais frio, seria necessário um novo estudo para se escolher as plantas mais indicadas”, comenta.

IDEAL PARA CENTROS URBANOS

O sistema de parede verde é uma tecnologia recente no Brasil e, em termos de custo, ela se compara a um revestimento de alto padrão, sendo altamente indicada para os grandes centros urbanos, onde os edifícios são muito verticalizados. "Trata-se de uma alternativa tecnológica mais limpa, em prol do desenvolvimento urbano sustentável”, finaliza Caetano.

Colaborou para esta matéria

Fernando Durso Neves Caetano – Arquiteto e urbanista formado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e mestre em Arquitetura, Tecnologia e Cidade pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Tem experiência em projetos bioclimáticos, arquitetura residencial e institucional, implantação de tecnologias verdes, paisagismo e planejamento de áreas naturais.
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