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Muxarabi garante estética e conforto ambiental às edificações

Com origem árabe-islâmica, o elemento permite aproveitar iluminação e ventilação naturais conferindo privacidade ao projeto

Texto: Gabriel Bonafé


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Projeto Studio R, do Studio MK27. Foto: Fernando Guerra.

Presente tanto em pequenas passagens quanto em grandes vãos, o muxarabi é uma solução arquitetônica para projetos que buscam iluminação e ventilação naturais. O elemento agrega estética única à construção, seja pelo seu design exótico vazado ou pela sombra que derrama sobre o ambiente.

O muxarabi consiste em um complexo trançado de ripado de madeira – ideal para regiões quentes, áridas e com alto nível de incidência solar. Por ser ‘rendado’, permite a penetração controlada do raio solar e da ventilação, conduzindo conforto térmico à construção. “Quanto mais você aumenta a espessura entre uma madeira e outra, menor fica o vão e, consequentemente, menos luz e vento passarão”, explica o arquiteto Gustavo Calazans. “Os intervalos do treliçado são ajustados de acordo com a intensidade da radiação solar local”, acrescenta a historiadora Heloisa Paes de Souza.

A especificação da peça depende das necessidades de ventilação e iluminação do projeto. “É necessário estudar o conceito e as variáveis do ambiente”, aconselha Calazans. “Esse elemento é muito técnico e artesanal. É preciso calcular precisamente a geometria para desenvolvê-lo”, completa.

Os intervalos do treliçado são ajustados de acordo com a intensidade da radiação solar local
Heloisa Paes de Souza

ISOLAMENTO E INTEGRAÇÃO DOS AMBIENTES

O elemento não é indicado para separações estanques, pois não isola ruídos e não permite projetos de iluminação distintos.

VER SEM SER VISTO

O muxarabi também atribui privacidade ao local onde é aplicado, pois bloqueia a visão do ambiente interno. Heloisa destaca que essa questão era fundamental na sociedade colonial brasileira, quando o patriarcalismo vigorava de forma mais rigorosa. “Ele permitia que as mulheres espiassem pelos muxarabis sem serem vistas”, relata.

COBOGÓ X MUXARABI O cobogó é uma releitura da treliça árabe original que conserva o mesmo efeito. São blocos vazados de cimento utilizados para fechar ambientes (bloqueando a visão do ambiente interno) e manter a circulação de ar e a iluminação natural.

Criado na década de 20, em Pernambuco, popularizou-se na região nordeste nos anos 50. Seu nome carrega as iniciais dos três criadores: Amadeu Oliveira Coimba, Ernest August Boeckmann e Antônio de is = Cobogó.

Já as peças inspiradas no muxarabi podem ser criadas em diversos tamanhos, desenhos e materiais, como vidro, cerâmica e cimento. Segundo Calazans, o aspecto construtivo dos elementos é o principal agente diferenciador. O cobogó é um elemento modular fabricado em dimensões específicas — e, geralmente, simétrico. Já o muxarabi é um grande treliçado de madeira, quase sempre fabricado de forma artesanal. Além disso, vale acrescentar que o cobogó é mais pesado que o muxarabi e, em alguns casos, requer vergalhão de ferro na aplicação.

É ideal para separação de dois mundos que, por alguma razão, não devem se misturar
Gustavo Calazans

VANTAGENS

Uma das circunstâncias do reaparecimento dos muxarabis nas construções brasileiras é a vantagem que oferecem aos ambientes, deixando a luz e a ventilação passar. “Eles voltaram muito fortes por conta da influência do movimento da sustentabilidade na arquitetura”, afirma Calazans. “A ventilação e iluminação são elementos que existem naturalmente. E com os muxarabis, é possível aproveitá-los”, alega.

A BT House e o Restaurante Manish são exemplos de projetos que utilizaram o elemento tanto para preservar suas áreas internas quanto para garantir ventilação e iluminação naturais. Veja os projetos na Galeria da Arquitetura.

ORIGEM ÁRABE-ISLÂMICA A etimologia da palavra muxarabi (do árabe, mashrabiya) provém do verbo "beber", que originalmente significava o lugar (janela) onde eram dispostos jarros com água para que fossem resfriados.

A solução chegou ao Brasil em 1530 através dos colonizadores portugueses de origem árabe. Muito dos artífices coloniais que construíram as habitações nas primeiras cidades brasileiras foram educados conforme a tradição muçulmana e introduziram traços da arquitetura moura na arquitetura colonial.

De acordo com Heloisa, o elemento deixou de ser adotado por volta de 1808. “Os muxarabis foram se extinguindo da paisagem brasileira, principalmente das cidades que surgiram a partir do século XIX”, explica a historiadora.

Colaboraram para esta matéria

Gustavo Calazans – Formado pela FAU-USP em 1999, trabalhou, durante a graduação, com dois grandes nomes da arquitetura: Roberto Loeb, em São Paulo; e Peter Eisenman, em Nova York. Em 1999, abre seu escritório – Gustavo Calazans Arquitetura –, assinando projetos de envergadura como estúdio de cinema, escola e centro de educação ambiental e, em paralelo, desenvolve projetos de retrofit em apartamentos na cidade de São Paulo. O arquiteto soma mais de 300 projetos já realizados.
Heloisa Maria Paes de Souza – Graduada em História pela UFPA (Universidade Federal do Pará) em 1989, especialista em História do Brasil pela PUC-Minas em 1995 e mestre em Ciências Ambientais pela UNITAU (Universidade de Taubaté) em 2012, mesmo ano em que realizou pesquisa de campo em Cairo, capital do Egito, sobre urbanismo e arquitetura árabe-islâmica (soluções promotoras para o conforto ambiental — térmico, hidrotérmico e visual).
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