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Obras litorâneas exigem atenção redobrada

Interferência da maresia, ventos dominantes e direção da trajetória do sol devem ser cuidadosamente analisados

Redação AECweb / e-Construmarket

Ter um imóvel na praia é o desejo de muitos, porém uma obra mal realizada pode transformar este sonho em pesadelo. A fim de evitar problemas nos empreendimentos, alguns fatores devem ser analisados durante o projeto e execução da construção, como as características do solo e a interferência da maresia. As condições climáticas e de relevo não são os únicos pontos a serem levados em consideração, conforme explica o engenheiro civil Eduardo Linhares Qualharini, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Há as dificuldades de acesso e de logística de apoio, já que uma quantidade significativa de obras nas regiões litorâneas é de lazer e em locais ainda não consolidados quanto à sua infraestrutura”, comenta.

Para Qualharini obras litorâneas têm algumas particularidades quando comparadas àquelas realizadas em áreas urbanas. “Nas grandes cidades, as construções têm maior integração de compartimentos internos, tendência de incorporação de equipamentos automatizados de climatização, segurança e de funcionalidades de transporte vertical, e o uso de revestimentos permanentes, como pisos industrializados, carpetes, painéis plásticos e em aglomerados. Já no litoral, as obras apresentam características como o partido arquitetônico em planta livre, grandes áreas de coberturas, existência de varandas e sacadas, e uso de materiais aparentes”, finaliza Qualharini.


Alguns fatores devem ser analisados, como os ventos dominantes, direção da trajetória do sol e o percurso das redes de drenagem

Além dos cuidados com os materiais, as construções nas regiões costeiras exigem alguns estudos prévios. Entre os principais responsáveis pelas dificuldades estão as condições naturais. “Alguns fatores devem ser analisados, como os ventos dominantes, direção da trajetória do sol e o percurso das redes de drenagem”, afirma Qualharini. O especialista lembra, ainda, que a preferência pelo uso de fornecedores locais e a tipologia da construção são outros pontos que demandam atenção. “A benfeitoria litorânea apresentará tendência a ter identidade entre o projeto e a escolha de revestimentos duráveis frios - cerâmicas ou porcelanatos - que obrigatoriamente exigirá a execução de isolamento térmico e de impermeabilização”, completa.

 



É bom evitar Vale utilizar
Alguns materiais são mais propensos a sofrerem com as interferências das particularidades litorâneas: madeiras – beneficiadas ou não –, argamassas com composição de areia, barro ou terra (com depósitos locais a granel), pinturas selantes à base de óleo ou de cal. Painéis em ferro e aço, e madeiras que não sejam de lei (sem nós e de corpo escuro) também devem ser evitados. Determinadas soluções são mais indicadas para obras no litoral por se comportarem melhor às condições regionais. É recomendado o uso de cerâmicas, alumínio anodizado ou com pintura eletrostática a pó, e elementos industrializados em PVC, como esquadrias, tubos e forros.

Dificuldades

Ter na edificação áreas de uso e lazer posicionadas em pátios internos, criando zonas de transição entre o meio externo e interno com o uso de brises, marquises e pavimentos articulados é uma alternativa

Um dos problemas mais comuns em construções litorâneas é a diminuição do ciclo de vida útil da edificação. O fato se deve à dilatação de superfícies ou ainda a usual falta de juntas de dilatação, aliada à frequente opção por grandes panos de cobertura, que irão concentrar as águas em uma área limitada do terreno. “Para resolver esta situação, é recomendável interferir no projeto e especificação, com soluções adequadas para o modo de utilização da obra, adequação funcional, condição de execução de futuras reabilitações, e a escolha preferencial por materiais modulares, com constância de fornecedores especializados”, complementa.

Outro ponto importante é a necessidade de ações de manutenção com maior frequência, por conta das inferências locais típicas, como quantidade de chuvas, ventos fortes e maior exposição ao sol. “Ter na edificação áreas de uso e lazer posicionadas em pátios internos, criando zonas de transição entre o meio externo e interno com o uso de brises, marquises e pavimentos articulados é uma alternativa para esta situação”, afirma Qualharini.

 

Manutenção obrigatória

Os principais cuidados necessários em um imóvel no litoral são:

  • Revisão de caixilhos;
  • Periodicidade na renovação de pinturas;
  • Verificação de zonas de umidade e de formação de bolor e fungos em forros ou zonas molhadas;
  • Renovação programada de revestimentos em massa, averiguando trincas, áreas soltas ou em colapso.

Colaborou para esta matéria

Eduardo Linhares Qualharini – Engenheiro Civil graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1973, formado como Engenheiro em Segurança do Trabalho pela Fundação Técnico-Educacional Souza Marques (FTESM) em 1976. Especialista em Produção Civil formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 1984, M.Sc. em Arquitetura pela UFRJ em 1992, D.Sc. em Engenharia de Produção pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE) da UFRJ em 1996, e Pós-doutorado pela UFF em 1998. É professor associado da UFRJ, revisor de periódico da Revista GEPROS-UNESP, sendo Coordenador dos cursos Gestão e Gerenciamento de Projetos (GGP) e PGCOC- Planejamento, Gestão e Controle de Obras Civis (PGCOC) da Escola Politécnica (POLI-UFRJ). Qualharini tem experiência de mais de 300 empreendimentos realizados nas áreas de Engenharia Civil e de Produção, atuando em Gestão Estratégica na Produção, Planejamento de Construção Civil, Segurança e Ergonomia do Trabalho.
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