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Operação de máquinas pesadas envolve planejamento e alto risco nos canteiros

Operadores não qualificados e mal treinados podem comprometer não apenas a produtividade nas obras, mas também aumentar seriamente o número de acidentes

Por Eric Bighetti / Redação PE

Planejamento e segurança em operações de equipamentos, que há pouco tempo eram temas secundários, se tornaram pauta prioritária devido aos recentes acontecimentos que evidenciaram de maneira negativa o setor da construção. No Brasil, as estatísticas sobre mortes em acidentes nos canteiros ainda são um tanto obscuras por falta de dados registrados oficialmente. Porém, especialistas apontam que mais de 90% das ocorrências são causadas por falha humana.

Pela falta de regulamentos e procedimentos técnicos atualizados para atender às operações complexas, algumas empresas recorrem às normas estrangeiras ou eventualmente criam as suas próprias. Com isso, a produtividade nas obras é seriamente afetada com o risco iminente de acidentes envolvendo operadores de máquinas pesadas ou mesmo daquelas consideradas mais simples, que são as de linha amarela.

Com a nova dinâmica de mercado consequente da avalanche de projetos e obras previstos para os próximos anos, o setor começa a sentir a pressão por investimentos para formar pessoas mais capacitadas e também para atender à demanda de um segmento pouco visado por programas educacionais no Brasil, que é o de operador de máquinas.

Entre os pré-requisitos para atuar como operador, não é exigido um alto nível de escolaridade, porém ser um engenheiro com formação acadêmica em engenharia civil, mecânica, de segurança ou outra área ligada à construção pesada representa um grande diferencial nos recrutamentos. Colocar um profissional em um equipamento sem o devido treinamento é o mesmo que dar uma arma a alguém.

De acordo com o Instituto Opus, programa da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção) dedicado a formar, capacitar e certificar operadores de equipamentos pesados para a construção civil, de 2009 até hoje o mercado demandou uma média de 54.000 operadores por ano.

Os reflexos da falta de profissionalização na área também podem ser visualizados até mesmo na equiparação dos salários. A faixa salarial de um operador pode variar de 1.000 a 25.000 reais. Entre as questões variantes para essas desigualdades estão o tipo de máquina, o local da obra, a empresa contratante e o tempo gasto para o trabalho.

Os preços dos cursos também variam de acordo com a duração ou com os equipamentos envolvidos. Treinamentos para operação de máquinas de grande porte, como guindastes, por exemplo, chegam a custar até 3.000 reais. Grandes empresas investem significativamente em capacitação, incluindo o uso de simuladores no treinamento de seus colaboradores e também buscando parcerias com qualificadores para ter mais qualidade na formação dos funcionários.

Principais causas de acidentes envolvendo operadores de máquinas:

1- Falha no planejamento

2- Falta de supervisão

3- Baixa qualificação de operadores

4- Alta carga horária de trabalho

5- Complexidade operacional

6- Negligência na operação

 

Os desafios com guindastes

Qualquer operação com guindaste exige um planejamento compatível à complexidade operacional relativa ao uso desse tipo de equipamento. Mas o grande impasse atual desse segmento é a dificuldade de contratar profissionais com competência para atuar em várias fases desse tipo de trabalho, como planejamento, suprimento, transporte, içamento etc.

O plano de trabalho, denominado plano de rigging, deve conter todas as informações básicas e todos os parâmetros de segurança estabelecidos por normas e pelo fabricante dos guindastes envolvidos em todas as fases operacionais, desde o transporte até o posicionamento final. O profissional especialista em planejamento de movimentação de carga (rigger) é “material escasso” no país.

O rigger é responsável pela seleção do guindaste mais adequado ao tipo de operação de acordo com a capacidade técnica do equipamento, visando sempre a melhor estratégia de içamento de cargas, tendo como prioridade a segurança e a economia. Nos critérios de escolha, os elementos variáveis e os recursos levados em consideração são raio(s) de operação, comprimento de lança, contrapeso, moitão, passadas de cabo, utilização de jib, mastros, entre outros.

Entre as principais responsabilidades do plano de rigging, o destaque é para os cálculos de fatores que podem influenciar a segurança operacional, tais como: força na sapata, pressão nas esteiras e velocidade máxima do vento permitida para os trabalhos com guindastes. Há situações que apresentam alto risco, como operações com dois ou mais guindastes e içamento à beira de barrancos, sobre pontes, demolições, próximo de redes elétricas etc.

Além das funções nos canteiros, o rigger deve se atualizar constantemente em face das inovações aplicadas aos métodos construtivos e aos novos guindastes desenvolvidos no mundo. Confira na lista abaixo outras funções do profissional de planejamento e movimentação de carga:

- Programar e reservar o guindaste atendendo a prazos e cronogramas

- Buscar a melhor estratégia de içamento com a menor movimentação do guindaste

- Evitar retrabalho e imprevistos

- Agilizar compras de materiais e suprimentos

- Programar mobilização, montagem e configuração do guindaste

- Antecipar a fabricação de acessórios e estruturas auxiliares

- Estudar interferências locais e disponibilidade de espaços na obra

- Garantir a existência de profissionais qualificados e treinados para realizar a operação dos equipamentos e as amarrações das cargas

Fontes:
Wilson de Mello Júnior, diretor do Instituto Opus
Oswaldo Antonio Biltoveni, instrutor de rigger do Instituto Opus

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