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Parede diafragma é alternativa para obras de contenções profundas

Solução indicada quando é necessária escavação que ultrapasse o nível do lençol freático absorve esforços de empuxo de solo e hidrostático

Redação AECweb / e-Construmarket

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Foto: Luis Fernando de Seixas Neves (arquivo pessoal).

Com a possibilidade de cumprir função estática ou de interceptação hidráulica, as paredes diafragma podem ser constituídas de diferentes maneiras. “Essa solução nada mais é que uma parede de concreto armado, escavada com o auxílio de um clamshell, que funciona como contenção em uma escavação. Dependendo do projeto, a parede diafragma pode se valer do auxílio de tirantes ou estroncas estruturais”, explica o engenheiro Luis Fernando de Seixas Neves, consultor na empresa Cepollina Engenheiros Consultores.

Essa solução nada mais é do que uma parede de concreto armado, escavada com o auxílio de um clamshell, que funciona como contenção em uma escavação. Dependendo do projeto, a parede diafragma pode se valer do auxílio de tirantes ou estroncas estruturais
Luis Seixas

De acordo com o profissional, esse tipo de contenção não apresenta restrições e pode ser opção em qualquer tipo de obra. “As paredes diafragma são utilizadas na escavação, quando se pretende alcançar profundidades geralmente abaixo do nível do lençol freático e com certa agilidade executiva”, afirma. Além da rapidez na execução, quando comparada a outros métodos tecnicamente compatíveis, o consultor destaca como vantagens a capacidade de absorver esforços significativos de empuxo de solo e empuxo hidrostático, e o acabamento final próximo do ideal.

Por outro lado, Seixas lista algumas das desvantagens, como o custo relativamente alto quando comparado com outras soluções semelhantes; o controle de qualidade do concreto que deve ser rigoroso; o fato de o equipamento utilizado ser de grande porte, não cabendo em qualquer terreno. Além disso, devido ao uso de fluído estabilizante é uma obra que produz bastante barro.

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Foto: Luis Fernando de Seixas Neves (arquivo pessoal)

PROJETO E EXECUÇÃO

O engenheiro destaca que o projeto da parede diafragma deve levar em consideração os esforços atuantes, tais como o empuxo de solo, o empuxo hidrostático e as sobrecargas no terreno a ser contido. “Para se valer desses dados, o projetista se baseia em ensaios de solo executados em uma primeira etapa da obra e dados das edificações vizinhas”, diz. Após realização de todos os cálculos para concepção da solução, a execução é iniciada com a construção das paredes guia. Logo em seguida, acontece a escavação dos painéis com o auxílio de um clamshell e utilizando fluído estabilizante. Os próximos passos, na ordem, são: instalação da chapa espelho; instalação da armadura; concretagem do painel e enrijecimento do concreto; execução das diversas fases de escavação, intercaladas com as linhas dos tirantes ou travamentos; e tratamento das juntas entre painéis.

As paredes diafragma são utilizadas na escavação, quando se pretende alcançar profundidades geralmente abaixo do nível do lençol freático e com certa agilidade executiva
Luis Seixas

O processo detalhado pelo consultor é válido para as paredes diafragma moldadas in loco, solução geralmente mais comum. Entretanto, também existem aquelas pré-fabricadas, só que essas ainda são novidade no país e poucas empresas a utilizam. “As vantagens da opção pré-fabricada diante da moldada in loco são a maior resistência estrutural do painel de concreto e a perda de matéria-prima ser praticamente nula. Já como desvantagem há o fato de o tratamento das juntas entre painéis ser de difícil execução e da obra precisar ter bom espaço livre para a confecção dos painéis pré-moldados, que geralmente são fabricados no canteiro”, detalha.

Apesar de toda a complexidade do processo, as paredes diafragma não têm norma técnica publicada pela ABNT. “O que existem são regulamentações de alguns órgãos, como o DER - Departamento de Estradas de Rodagem”, fala Seixas

As vantagens da opção pré-fabricada diante da moldada in loco são a maior resistência estrutural do painel de concreto e a perda de matéria-prima ser praticamente nula
Luis Seixas

ATIRANTADA E PLÁSTICA

Quando a altura de escavação é grande e o solo a ser contido é de baixa resistência, a parede diafragma não suporta sozinha os esforços atuantes e necessita de pontos intermediários de apoio. Nesse caso, são empregadas as paredes diafragma atirantadas, que contam com pontos de apoio que podem ser estruturas externas ou tirantes executados através da parede durante as diversas fases de escavação.

“Já a parede diafragma plástica é uma contenção especial, que utiliza em sua composição cimento, bentonita e água. Seu principal objetivo é o de ser estanque ou diminuir drasticamente a permeabilidade da escavação. Geralmente, essa solução é utilizada em escavações circulares abaixo do nível do lençol freático”, complementa Seixas.

Colaborou para esta matéria

Luis Fernando de Seixas Neves – engenheiro civil graduado pela Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos e Mestre em geotecnia e fundações pelo Departamento de Geotecnia da USP de São Carlos. Atua com cálculo, projeto e consultoria em geotecnia e fundações na empresa Cepollina Engenheiros Consultores. É sócio da ABMS – Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica. Participou também da criação da ABNT NBR 16258 - Estacas Pré-fabricadas de Concreto – Requisitos - no cargo de secretário.
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