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Parede trombe proporciona conforto térmico às edificações

Ela permite o aproveitamento do ar que circula entre a fachada e a superfície que recebe a radiação solar para alterar a temperatura da envoltória da edificação, e aquece ou refrigera os ambientes internos com a ventilação natural

Redação AECweb / e-Construmarket

A parede trombe é uma solução de projeto para promoção de conforto térmico. “É basicamente uma pequena estufa constituída por vidro exterior e orientada de modo que possa receber sol durante grande parte do ano, promovendo aquecimento no interior da edificação”, explica o arquiteto Fernando Sá Cavalcanti, professor da Universidade Federal de Alagoas.

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Controle térmico é feito pela parede trombe no Centro Max Feffer, do escritório Amima. (Foto: Roger Sassaki).

A solução evoluiu de uma parede grossa com vidro na frente – em que a maior parte do calor era perdida e não chegava ao interior do edifício –, para a versão moderna, que tem ventilações no topo e na base da caixa de ar. “A execução da parede trombe em uma edificação encontra como principal dificuldade a estanqueidade do sistema, que deve ser completamente vedado em relação à chuva e vazão do ar. Em geral, a estanqueidade é obtida com borrachas entre a alvenaria e a estrutura que sustenta o vidro, mas nada complexo demais para as tecnologias dominadas pelas empresas brasileiras da construção civil”, avalia o profissional.

BENEFÍCIOS TÉRMICOS E ENERGÉTICOS

A parede trombe pode reduzir de forma significativa o consumo de energia elétrica na edificação para promoção de condicionamento térmico, por aquecimento ou refrigeração. “Ainda pode ser adaptada para estar integrada a células fotovoltaicas, otimizando sua eficiência. Cerca de 80% da energia absorvida por estas peças não são transformadas em energia elétrica e, sim, em calor, que podem potencializar o aquecimento dentro da câmara de ar do sistema trombe”, afirma o professor.

As paredes trombe permitem que o ar que circula entre a fachada e a superfície que recebe a radiação solar de forma direta seja aproveitado, não somente para alterar a temperatura superficial da envoltória da edificação, mas, também para aquecer ou refrigerar por meio da ventilação natural os ambientes internos
Fernando Sá Cavalcanti

COMO FUNCIONA?

A parede trombe tem a função de proporcionar conforto térmico para a edificação e isso ocorre através da radiação solar absorvida pelo vidro que compõe sua face exterior. Parte da radiação atravessa o vidro e aquece a face externa da parede com alta inércia térmica. Em seguida, o calor é transmitido para a câmara de ar produzindo o chamado ‘efeito estufa’ e fazendo o sistema acumular calor. Sem alternativa, esse calor sobe e é liberado para o interior da habitação. Quando utilizada para aquecimento, por meio do efeito chaminé, proporciona ventilação no ambiente interno por convecção, através de aberturas no topo e base da parede com alta massa térmica. A configuração das aberturas irá definir a finalidade da utilização de uma parede trombe, se para aquecimento ou refrigeração. Esta variação da configuração pode ocorrer por meio da interferência do usuário, que definirá as suas necessidades de conforto ou por meios automatizados, potencializando seu uso nos momentos em que há maior necessidade.

Para construção da parede trombe, o suporte geralmente é de alumínio e funciona como uma esquadria, sendo que sua interface com a arquitetura da edificação é simples. “No entanto, o material crucial para obter bom desempenho desta solução é o vidro, excelente componente para promover o efeito estufa no interior das edificações. Em geral, materiais que apresentam grande absorção de calor e, ao mesmo tempo, isole a câmara de ar são os mais indicados. É o caso do vidro duplo, que permite a passagem da radiação solar e apresenta alta resistência térmica, em função de algum gás presente em sua composição. Para paredes com alta inércia térmica, são usados materiais pesados, como pedra ou mesmo blocos cerâmicos assentados, que produzem paredes espessas gerando o efeito de atraso térmico desejado”, destaca o arquiteto.

A execução da parede trombe em uma edificação encontra como principal dificuldade a estanqueidade do sistema, que deve ser completamente vedado em relação à chuva e vazão do ar
Fernando Sá Cavalcanti

ONDE UTILIZAR?

É possível utilizar as paredes trombe em praticamente todas as situações, já que elas podem ser integradas a outros sistemas. A solução é ainda elemento arquitetônico que permite envoltória envidraçada sem comprometer o desempenho térmico da edificação, promovendo ventilação natural no verão e aquecimento no inverno. A solução pode ser configurada para usos específicos, como na região nordeste, onde há necessidade de ventilação natural e condições meteorológicas favoráveis.

As paredes trombe também podem ser associadas a sistemas de aspersão de água para regiões com baixa umidade relativa do ar. “Espaços ocupados no período diurno, como escritórios e comércio, são possibilidades para empregar este elemento. Para ambientes com uso diurno e noturno, é preciso estar atento ao fluxo reverso da ventilação natural e, nestes casos, é recomendável que o usuário tenha possibilidade de fechar as aberturas e controlar a utilização da solução. Ao considerar essa possibilidade, não há um sistema construtivo perfeito, mas, o ideal é aquele que pode ser adaptável às necessidades, funcionando de modo otimizado ao longo de todo o ano”, detalha Cavalcanti.

Cerca de 80% da energia absorvida por estas peças não são transformadas em energia elétrica e, sim, em calor, que podem potencializar o aquecimento dentro da câmara de ar do sistema trombe
Fernando Sá Cavalcanti

É SUSTENTÁVEL?

De acordo com o arquiteto, ao pensar no conceito de sustentabilidade é preciso manter a preocupação de planejar as futuras edificações minimizando gastos excessivos com dispositivos de aquecimento e/ou ventilação por meios mecânicos. “Artifícios arquitetônicos, como paredes trombe, podem contribuir para elevar o grau de sustentabilidade da edificação. Entretanto, vale ressaltar que ao especificar os materiais que irão compor o sistema, o profissional deve levar em consideração todo o ciclo de vida, desde a fabricação, pensando em aspectos sociais, culturais e ambientais. É responsabilidade dos profissionais da construção civil a adoção de sistemas passivos e estratégias benignas, que proporcionem mais conforto aos usuários com maior economia”, avalia.

PAREDE TROMBE X FACHADAS VENTILADAS

A parede trombe difere das fachadas ventiladas, principalmente, pelo seu dimensionamento, que depende das variáveis climáticas e especificação dos espaços internos influenciados pela solução. “As paredes trombe funcionam integradas ao ambiente interno, o que potencializa seu desempenho no que diz respeito às sensações dos usuários. Embora as fachadas ventiladas também apresentem bom desempenho térmico quando bem dimensionadas, as paredes trombe permitem que o ar que circula entre a fachada e a superfície que recebe a radiação solar de forma direta seja aproveitada, não somente para alterar a temperatura superficial da envoltória da edificação, mas, também para aquecer ou refrigerar por meio da ventilação natural os ambientes internos”, conclui Cavalcanti.

SOLUÇÃO DESCONHECIDA

Para Cavalcanti, mesmo sendo um sistema composto por tecnologias conhecidas, uma das explicações para a pouca presença da parede trombe na construção brasileira é o desconhecimento do verdadeiro potencial de utilização da solução. “Acredita-se que por ter sido desenvolvida e amplamente utilizada na Europa, é uma estratégia que atende apenas às necessidades de aquecimento passivo da edificação. No entanto, o efeito estufa gerado no interior do sistema pode promover um efeito chaminé e proporcionar ventilação natural na área interna dos espaços. Embora no Brasil haja necessidade de aquecimento solar passivo, principalmente em regiões mais ao sul, a estratégia não era explorada nem para gerar aquecimento. Entretanto, nos últimos anos, houve investigação sobre a possibilidade de utilização da alternativa no país, principalmente para promover a ventilação natural”, detalha.

Tais estudos apresentaram como um dos resultados a criação de aplicativo com recomendações de como inserir a parede trombe em projetos nacionais, levando em consideração o clima e a localização. “Em pesquisas na USP de São Carlos, desenvolvemos o aplicativo TromBR, disponível para download gratuito em dispositivos móveis com sistema operacional Android”, ressalta o arquiteto. Entre as edificações nacionais que contam com a solução está o Centro Cultural Max Feffer, em São Paulo. “Outro case é o Laboratório de Energia Solar da UFRGS, em Porto Alegre”, lembra Cavalcanti.

Colaborou para esta matéria

Fernando Sá Cavalcanti – Arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Mestre em Construção Civil pelo DECiv/ Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Doutor em Arquitetura e Urbanismo pelo Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, é professor da Universidade Federal de Alagoas e pertence ao Grupo de Estudos em Conforto Ambiental (GECA), atuando principalmente nos seguintes temas: Desempenho Térmico de Edificações, Arquitetura Bioclimática e Simulação Computacional.
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