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Patologias entre alvenaria e lajes de cobertura demandam atenção

Fissuras, trincas e infiltrações podem ser evitadas com cuidados especiais durante as etapas de projeto e execução. Saiba como prevenir e corrigir eventuais problemas

Juliana Nakamura

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Além de fissuras e trincas, a estrutura também está suscetível a infiltrações (Shutterstock / Bruno Rodrigues B Silva)

O encontro entre as alvenarias e a laje de cobertura está entre os pontos das edificações mais suscetíveis ao aparecimento de patologias construtivas, as quais prejudicam a estética e a durabilidade das estruturas e ainda podem comprometer a salubridade da construção.

O problema se dá porque paredes de blocos e lajes de concreto se movimentam e deformam de maneiras diferentes quando expostas às ações do vento e às variações térmicas e higroscópicas (umidade). Quando as tensões geradas por tais deformações superam as resistências dos materiais, surgem fissuras e trincas. Também podem acontecer infiltrações, caso a água encontre livre passagem pelas aberturas criadas.

De acordo com a engenheira Rejane Berezovsky, diretora do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (IBAPE-SP), falhas na amarração das alvenarias e no encunhamento da última fiada junto à laje são os principais motivadores dessas patologias.

COMO EVITAR?

As ações para evitar que tais patologias aconteçam começam com uma concepção cuidadosa da interface entre a alvenaria e a laje de cobertura e passam por um maior rigor no tratamento de detalhes construtivos. Em primeiro lugar, é preciso um projeto de revestimento concebido com uma visão sistêmica da obra. “Esse projeto deve compatibilizar as movimentações estruturais, a arquitetura do empreendimento, os materiais a serem utilizados, a produção prevista em obra e as situações de exp+osição do empreendimento”, cita o engenheiro Renato Sahade, consultor especializado em patologias construtivas.

No caso da alvenaria estrutural, no encontro entre a cobertura e a alvenaria, recomenda-se que a laje se apoie sobre uma placa de neoprene colocada sobre a canaleta grauteada e se crie uma junta de dilatação no painel de laje maciça
Renato Sahade

Durante a execução também é preciso adotar uma série de estratégias para controlar a movimentação dos materiais e, consequentemente, a ocorrência de patologias. Entre elas destacam-se o uso de telhados ou de isolantes térmicos nas lajes de cobertura para minimizar os gradientes térmicos. Da mesma forma, é válido o uso de telas de reforço nas argamassas de revestimento e de juntas de movimentação seladas devidamente previstas em projeto. “No caso da alvenaria estrutural, no encontro entre a cobertura e a alvenaria, recomenda-se que a laje se apoie sobre uma placa de neoprene colocada sobre a canaleta grauteada e se crie uma junta de dilatação no painel de laje maciça”, recomenda Sahade.

COMO CORRIGIR FISSURAS

As patologias que surgem no último pavimento das edificações costumam apresentar características muito próprias. Na alvenaria convencional, o problema se manifesta primeiramente com fissuras no revestimento interno, na parte superior da parede. Já na alvenaria estrutural, o primeiro sinal de que algo está errado é quando surgem fissuras justamente no encontro da laje com a parede.

Uma vez diagnosticada a anomalia e, principalmente, a razão de sua origem, é possível partir para ações de recuperação, que não devem se limitar à correção superficial. Uma ação importante para evitar novos problemas é diminuir o gradiente térmico ao qual a laje de cobertura está sujeita, com o uso de telhados com telhas térmicas. “Também podem ser utilizados isolantes térmicos previstos no sistema de impermeabilização ou o sombreamento das lajes com placas pré-moldadas de concreto apoiadas sobre macacos ajustáveis formando um colchão de ar entre a laje e a placa”, destaca Sahade, lembrando que o objetivo é criar uma barreira contra a ação direta do sol.

Para o tratamento das fissuras e trincas é possível adotar duas ações. A primeira é o travamento executado por meio do reforço das argamassas com telas metálicas eletrosoldadas ou com telas de fibra de vidro álcali-resistentes. Outra correção é com a criação de uma junta de movimentação selada no local onde a patologia surgiu.

A solução nunca advém de um material isolado, mas de um conjunto de sistemas ou processos que envolvem o preparo da base, a camada de dessolidarização, o uso do material de tratamento ou recuperação e, por fim, o material de acabamento
Renato Sahade

Mais recentemente, para o tratamento de trincas nas interfaces com a cobertura, passou-se a adotar outros recursos, como as membranas acrílicas aplicadas como pintura e reforçadas com telas de poliéster com bandagem central de polietileno, e as pinturas elastoméricas ou poliméricas flexíveis, para o envelopamento das fachadas. Todos esses materiais devem ser utilizados de forma sistêmica. “A solução nunca advém de um material isolado, mas de um conjunto de sistemas ou processos que envolvem o preparo da base, a camada de dessolidarização, o uso do material de tratamento ou recuperação e, por fim, o material de acabamento”, alerta Renato Sahade.

CHECKLIST

Várias ações previstas em projeto podem diminuir a movimentação da laje e desvincular a estrutura da alvenaria, reduzindo a ocorrência de patologias. Entre elas, destacam-se:

• Sombreamento e criação de camada de isolamento térmico
• Cura controlada
• Impermeabilização flexível da laje
• Seccionamento da laje (criação de juntas)
• Junta de movimentação entre viga e alvenaria
• Entelamento do revestimento
• Molduras de acabamento na parede
• Execução de junta deslizante no apoio da laje na alvenaria estrutural

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Colaboração técnica

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Rejane S. Berezovsky – Engenheira civil, diretora do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (IBAPE-SP) e coautora do livro “Inspeção Predial – Check-up Predial: Guia da boa manutenção”. Especializada em engenharia diagnóstica, inspeção predial, avaliações de imóveis e perícias, ministra cursos de Laudo de Vistoria de Vizinhança.
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Renato Sahade – Engenheiro civil, mestre em Tecnologia de Construção de Edifícios pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo). Consultor em patologia de revestimentos, atua em mapeamento de fachadas, patologias de vedações, revestimentos argamassados e cerâmicos. É professor da pós-graduação do IPT, Inbec e Educ. Eng/Crea-ES nas cadeiras de Patologia de Revestimentos e Sistemas de Recuperação.
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