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Placas fotovoltaicas flutuantes são alternativa para geração de energia em PCHs

Solução equilibra e otimiza a oferta de energia em períodos de seca

Redação AECweb / e-Construmarket

As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH´s) terão a possibilidade de receber novo elemento para potencializar a geração de energia. Trata-se das placas fotovoltaicas flutuantes, sistema já existente em países como Inglaterra e Japão, e que agora chega ao Brasil. “A expectativa em relação ao projeto é grande, especialmente no segmento das PCH´s, pois em muitas delas o volume de água disponível não é igual o ano inteiro e, em períodos de seca, será alternativa viável para equilibrar e otimizar a oferta de energia”, afirma o engenheiro Ruy Tiedje, gerente Comercial da Quantum Engenharia, empresa responsável por importar a ideia para o Brasil.

A expectativa em relação ao projeto é grande, especialmente no segmento das PCH´s, pois em muitas delas o volume de água disponível não é igual o ano inteiro e, em períodos de seca, será alternativa viável para equilibrar e otimizar a oferta de energia
Ruy Tiedje

“A tecnologia busca aproveitar regiões já inundadas pelas usinas hidrelétricas, considerando especialmente dois aspectos: que a área já está devidamente licenciada em termos ambientais e que a infraestrutura elétrica para viabilização da energia já está preparada”, explica o engenheiro. Projeto piloto foi apresentado em evento da Associação Brasileira de Fomento às Pequenas Centrais Hidroelétricas (Abrapch) -, realizado em Curitiba, no mês de março. Na ocasião, as placas fotovoltaicas flutuantes foram instaladas em lago localizado em frente ao teatro da Faculdade Positivo. A estrutura contava com tamanho de 3x12 m e potência instalada de 3 Kw.

FLUTUANTES X CONVENCIONAIS

A diferença básica em relação às placas fotovoltaicas instaladas de maneira convencional é somente o fato de, neste caso, os equipamentos estarem acoplados sobre os flutuadores. “O funcionamento da solução é idêntico aos demais sistemas de geração fotovoltaica, ou seja, a instalação dos módulos fotovoltaicos gera energia elétrica”, afirma Tiedje, lembrando que os equipamentos que compõem o sistema de captação de energia não necessitam de reparação especial. “Vale lembrar que o projeto não é especificado para o armazenamento de energia, ou seja, todo potencial gerado é utilizado ou comercializado de imediato”, completa.

Esse aproveitamento reflete em melhor faturamento da unidade geradora, considerando que a mesma não dependerá somente do potencial hidráulico do local de instalação da PCH
Ruy Tiedje

TRANSMISSÃO DA ENERGIA

Se os elementos que compõem o sistema de captação não apresentam características próprias para uso flutuante, o mesmo não acontece com os materiais empregados na transmissão. “A energia é transferida por cabos elétricos de uso subaquático, devidamente projetados para este fim”, diz o engenheiro. Já os equipamentos responsáveis pela flutuação do sistema são especialmente especificados para este tipo de instalação, afastando o risco de a água causar danos ao sistema. “O custo total de instalação é maior do que em um sistema convencional devido aos flutuadores”, complementa.

VANTAGENS

Entre as vantagens do projeto, é possível destacar o fato de este tipo de geração ser totalmente sustentável e a possibilidade de utilizar a infraestrutura já existente para exportar a energia gerada. “Esse aproveitamento reflete em melhor faturamento da unidade geradora, considerando que a mesma não dependerá somente do potencial hidráulico do local de instalação da PCH”, avalia Tiedje, destacando que, em princípio, este sistema está voltado para uso em águas mais calmas. “Principalmente nos lagos de usinas hidrelétricas”, finaliza.

O que são PCHs?

As Pequenas Centrais Hidrelétricas são usinas de tamanho e potência reduzidos. Segundo classificação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), esses empreendimentos têm, obrigatoriamente, entre 1 e 30 megawatts (MW) de potência e devem ter menos de 3 km² de área de reservatório. Atualmente, as PCHs são responsáveis por 3,5% de toda a capacidade instalada do sistema interligado nacional. Os números Abrapch indicam que em termos de potência instalada, esta tipologia ocupa o 3º lugar entre as fontes de energia do país, com 4,1 mil MW gerados. À frente delas, estão as termelétricas, com 27,1% da capacidade brasileira (32,4 mil MW), e as hidrelétricas maiores que 30 MW, que lideram o ranking com 66,1 % (79 mil MW).

Existem 425 PCHs operando no Brasil, quantidade maior do que as grandes hidrelétricas, que são 201 em todo território nacional. As PCHs só estão atrás das termelétricas, que atingem a marca de 1,5 mil unidades. Somados os potenciais das Pequenas Centrais Hidrelétricas existentes, há um total de 14,9 mil MW de potência, o que significa quantidade superior à da usina de Itaipu.

O início da exploração das PCHs no Brasil começou em 1997 e, desde então, mais de R$ 1 bilhão foram aplicados por investidores privados na elaboração e licenciamento ambiental de cerca de mil projetos. Totalizam mais de nove mil MW em empreendimentos protocolados na Aneel – destes, porém, cerca de sete mil MW ainda aguardam análise a aprovação do órgão regulador.


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Ruy Tiedje – Bacharel em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina, com especialização em Auditoria, Avaliação e Perícias de Engenharia pelo IPOG. É gerente Comercial da Quantum Engenharia.
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