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Por que o BIM permite melhor detalhamento técnico de projetos elétricos?

Além da modelagem tridimensional, que traz uma série de benefícios, é possível ter acesso à biblioteca com informações e detalhes técnicos dos componentes utilizados no projeto

Redação Portal AECweb / e-Construmarket

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O BIM permite que o desenvolvimento do projeto passe para outro ambiente, mudando o sequenciamento e as fases de trabalho (Foto: KRAUCHANKA HENADZ/ Shutterstock)

O desenvolvimento de projetos elétricos pede a especificação de componentes com características técnicas bem definidas. A alteração de um único integrante do sistema é capaz de modificar os níveis das tensões e correntes em todo o circuito. Nesse contexto, contar com o BIM(Building Information Modeling, do portuguêsModelagem da Informação da Construção) gera imensas vantagens, pois, além da modelagem tridimensional, ele apresenta as propriedades de cada material.

De acordo com o professor-doutor Leonardo Manzione, sócio-diretor da consultoria Coordenar e pesquisador na área de Gestão do Processo de Projetos e BIM, parâmetros de tensão, corrente e potência ficam registrados na biblioteca da ferramenta. “A modelagem das instalações, eletrocalhas, quadros e caixas de passagem é feita em 3D, facilitando a percepção e detecção de interferências físicas com outros sistemas, estruturas ou arquitetura”, explica.

A modelagem das instalações, eletrocalhas, quadros e caixas de passagem é feita em 3D, facilitando a percepção e detecção de interferências físicas com outros sistemas, estruturas ou arquitetura
Leonardo Manzione

O engenheiro Humberto Farina, diretor da IN Prediais, concorda que o BIM traz ganhos na análise do espaço construído para elaboração do projeto. “Ao modelar o sistema de maneira tridimensional, o profissional tem boa percepção da possibilidade de execução daquilo que planeja. Isso passa pelo entendimento da viabilidade de embutir eletrodutos e de conexão com as caixas terminais, além de melhor reconhecer os elementos estruturais”, diz.

O engenheiro destaca também que os quantitativos dos materiais podem ser extraídos de maneira mais precisa em decorrência da modelagem. “Lembrando que essa informação não precisa ser necessariamente fornecida pelo projetista, e sim retirada do modelo BIM em processos sucessores ao projeto, como orçamento e construção. Para isso, faz-se necessária a implantação do BIM nas empresas de construção”, afirma.

Desafios

Apesar da série de benefícios, a implantação do BIM na construção civil nacional encara obstáculos. “Hoje, a maior barreira é cultural, na mudança de processos”, comenta Manzione. Alterar o modo que os projetistas estão acostumados a atuar é tarefa desafiadora e que não acontece de maneira rápida. “É outra forma de se trabalhar, que precisa ser ensinada aos profissionais”, complementa.

Com o BIM, o desenvolvimento do projeto passa para outro ambiente, mudando o sequenciamento e as fases de trabalho. “Além da colaboração e do compartilhamento, que torna tudo mais simultâneo”, destaca o professor, indicando que outro empecilho está do lado de quem contrata o projeto, profissional que também precisa saber lidar com o BIM. “De maneira geral, ainda estamos imaturos nesse campo”, avalia.

Quando o projeto elétrico é desenvolvido com o BIM, o ideal é que os demais sistemas da edificação também sejam elaborados com a mesma metodologia. “Caso alguém a utilize sozinho em sua especialidade, a colaboração máxima com os demais profissionais será apenas na troca de documentações em 2D. Usar o BIM somente para arquivos em duas dimensões não vale a pena”, analisa Manzione.

Para superar os desafios na propagação do BIM, o setor vem tomando algumas atitudes que contribuem para tornar o trabalho mais fácil. Por exemplo, já existem treinamentos específicos e consultorias especializadas na implantação. Boa parte das normas técnicas nacionais também já está preparada para o uso da metodologia. “O preço dos softwares e computadores também caiu, deixando-os bem mais acessíveis”, informa o professor.

Papel dos fabricantes

Os fabricantes têm função muito importante no processo do BIM, pois precisam disponibilizar as informações técnicas de seus produtos na biblioteca. “No início, os próprios projetistas realizaram esse trabalho, mas não é tarefa deles”, conta Manzione. Isso vem mudando e já existem vários fabricantes que estão disponibilizando os dados. “A percepção é que o mercado entendeu a necessidade do BIM”, ressalta.

Para Farina, contudo, os softwares têm recursos para configuração de elementos básicos de infraestrutura (eletrodutos, eletrocalhas, leitos, caixas de passagem, entre outros), podendo ser considerados componentes genéricos com especificações técnicas definidas pelas normas técnicas dos produtos.

Ele explica que outros componentes são aqueles que a geometria tem vínculo direto com um modelo ou marca de determinado fabricante. “As informações desses materiais deveriam ser oferecidas pelos fornecedores, assim como ocorre na gestão de catálogos técnicos”, diz Farina.

O ideal seria que os fabricantes investissem continuamente em produzir bibliotecas e abastecê-las. “Estão sempre criando novos produtos e precisam investir nessa atualização. Por parte das indústrias, a visão ainda é muito de marketing, sendo que é preciso considerar que os projetistas de instalações elétricas precisam de dados técnicos”, afirma Manzione.

Importações

Muitos materiais elétricos usados no Brasil, como as lâmpadas de LED, são produtos de importações. Quando um componente vem de fora e suas especificações técnicas não estão no BIM, o próprio projetista é capaz de resolver a situação. “Se o fornecedor não disponibiliza o seu objeto BIM, o projetista pode criar um componente genérico, mas fica a fragilidade de ter algo desatualizado ou com erros de interpretação”, explica Farina.

Se o fornecedor não disponibiliza o seu objeto BIM, o projetista pode criar um componente genérico, mas fica a fragilidade de ter algo desatualizado ou com erros de interpretação
Humberto Farina

Nesse caso, o grande risco é que a informação equivocada será propagada para os processos BIM sucessores ao projeto. “O propósito do projeto não se alterou, o BIM traz a possibilidade de se obter um processo de desenvolvimento do empreendimento de maneira que a informação esteja coerente e integrada, trazendo às atividades maior acuidade e facilidade no gerenciamento”, afirma Farina, indicando que ter os objetos BIM dos fabricantes auxiliará nessa coerência, tanto na forma de construir um sistema, como na especificação. “É um possível salto de melhoria de processo”, completa.

Softwares de modelagem

O software BIM ideal é aquele em que os projetistas se adequaram para desenvolver suas atividades e atender a demanda, visando o transporte de informações relevantes. “O importante é ter em mente que os softwares BIM (se assim denominados) devem poder interagir. Daí a necessidade de obter suas certificações junto a Building Smart para suas importações e exportações com extensão IFC”, diz Farina.

Entre os softwares de modelagem mais populares estão o Revit, QiElétrico e DDSCAD, todos importados. Porém, está surgindo o primeiro produto nacional. “A empresa AltoQi está desenvolvendo softwares de instalações elétricas. Ou seja, começou a produção nacional, trazendo uma boa perspectiva para que no futuro os projetistas não dependam somente de programas americanos ou europeus”, informa Manzione.

Quando usar

Se o contratante busca somente o benefício de ter os sistemas modelados no ambiente 3D é porque ele percebeu que pode obter maior precisão nesse trabalho do que no processo convencional. “Ou seja, é indicado para quem percebe, em seus processos, que vai obter benefícios. Provavelmente, o contratante fez um teste antes e esse já é um primeiro passo para introduzir o BIM”, comenta Farina.

Ao decidir implantar a metodologia, o investimento será de todos os participantes do processo (fornecedores e cliente), sempre visando os benefícios identificados: precisão, produtividade e economia. Sendo assim, todos deveriam se beneficiar, pois serão produzidas mais informações do que antes. “E esses dados devem suprir gaps de ineficiência existentes. Se isso não ocorrer, é porque o BIM não foi implantado ainda. Em outras palavras, é melhor ter um bom projeto (técnico), com uma modelagem minimamente útil, do que ter um modelo tridimensional extremamente detalhado de um projeto mal elaborado”, finaliza Farina.

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Colaboração técnica

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Leonardo Manzione — Engenheiro com Mestrado pela Escola Politécnica da USP e Doutorado em BIM também pela Poli-USP. Ao longo de seus 38 anos de experiência profissional em engenharia civil foi diretor de várias construtoras. Elaborou as especificações técnicas em IFC do Caderno BIM de Santa Catarina (primeiro BIM Mandate do Brasil publicado por um órgão público). É membro do grupo internacional de pesquisas “Building SMART Regulatory Interoperability Working Group” – que tem por objetivo desenvolver recomendações sobre as metodologias existentes para os aspectos regulatórios de edifícios – e do Comitê ABNT CEE/134, responsável pela elaboração da Norma BIM. Tem experiência comprovada em implantação de BIM como consultor de empresa e é pesquisador internacional com diversos artigos sobre BIM publicados em seminários internacionais, além de entrevistas e artigos publicados em revistas técnicas.
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Humberto Farina — Possui graduação e mestrado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, onde se especializou em Qualidade e Gestão de Projetos, pela subárea de Sistemas Prediais. Diretor da IN Prediais, que atua em projetos, consultoria e inovações tecnológicas nas áreas de Engenharia de Sistemas Prediais, implantação e no desenvolvimento de Projetos e BIM - Building Information Modeling (Modelagem da Informação da Construção) e Infraestrutura. Participou do GT de Objetos BIM do Comitê ABNT CEE/134 e foi consultor técnico no Comitê Estratégico de Implementação do BIM no governo federal para a construção da Estratégica Nacional para disseminação do BIM no Brasil. Atualmente, é professor convidado de cursos de extensão e educação continuada da Escola Politécnica (USP).
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