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Portas corta-fogo atendem ao texto revisado da norma, já em vigor

A especificação do elemento, essencial em casos de incêndio, deve seguir os requisitos normativos, a começar pela resistência ao fogo que vai de 30 a 120 minutos

Redação Portal AECweb

Novo texto da norma especifica os locais onde a porta deverá estar presente (foto: shutterstock.com / SURKED)

O uso adequado das portas corta-fogo para saídas de emergência está totalmente apoiado na ABNT NBR 11742:2018, texto revisado e publicado em agosto de 2018. “A normativa indica os locais em que esse elemento deve ser instalado”, diz o engenheiro Antonio Fernando Berto, pesquisador e chefe do Laboratório de Segurança ao Fogo e a Explosões, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Segundo ele, os locais são:

• Antecâmaras e escadas de saídas de emergência de edifícios
• Acesso a áreas de refúgio
• Paredes utilizadas na compartimentação de riscos
• Acesso a passarelas e intercomunicação entre edifícios
• Corredores integrantes de rotas de fuga
• Acesso a recintos de proteção, transformação e medição de energia elétrica, bem como ambientes técnicos que representem risco de incêndio, como salas de máquinas e de bombas
• Outras situações previstas na ABNT NBR 9077

A norma classifica as portas corta-fogo para saídas de emergência em quatro classes, segundo o seu tempo de resistência ao fogo conhecido no ensaio a que são submetidas, de acordo com a norma ABNT NBR 6479. São as classes P-30, P-60, P-90 e P-120 que indicam, respectivamente, o tempo de resistência mínima ao fogo de 30, 60, 90 e 120 minutos. As classes estão incluídas, também, nas regulamentações estaduais dos Corpos de Bombeiros e da norma ANT NBR 9077.

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REQUISITOS

A norma especifica os requisitos exigíveis para classificação, fabricação, identificação, unidade de compra, conteúdo do manual técnico, armazenamento, instalação, funcionamento, manutenção e ensaios de portas corta-fogo para saída de emergência.

De acordo com o pesquisador, os requisitos para a fabricação estabelecem um conjunto de detalhes construtivos, a começar pelas dimensões; tratamento anticorrosivo; e características da folha da porta (envolvendo capas e miolo) e do batente.

“Devem ser consideradas, também, as tolerâncias dimensionais; as folgas admissíveis entre folha e batente e entre folhas, no caso porta de duas folhas; os tipos de batentes admitidos para paredes de alvenaria, de concreto e drywall; os acabamentos admitidos; e as características dos visores que podem ser empregados”, informa Berto.

Ao definir a unidade de compra, a norma se refere à porta corta-fogo acabada, composta por folha, batente, fechadura ou barra antipânico e dobradiças. “E estabelece que os demais elementos, obrigatórios para o fechamento das folhas contra o batente ou entre si (quando a porta corta-fogo possuir duas folhas) podem ser comprados separadamente, desde que atendam aos requisitos de instalação”, ressalta.

A normativa indica os locais em que esse elemento deve ser instalado
Antonio Fernando Berto

Cada lote fornecido deve ser acompanhado de um manual técnico contendo informações referentes a dimensões e massa nominais, cuidados no transporte, embalagem, armazenamento, instalação, funcionamento, manutenção e acabamento. Todas as informações devem estar impressas em língua portuguesa e rigorosamente de acordo com o disposto na norma.

INSTALAÇÃO

A norma define um extenso conjunto de condições para a instalação das portas corta-fogo, como a instalação em parede de drywall, que exige reforço por meio de moldura interna, composta por perfis do tipo metalon.

“A espessura da chapa deve ser de, no mínimo, 2 mm para folhas de porta corta-fogo com peso de até 60 kg e de, no mínimo, 4 mm para folhas com peso acima de 60 kg. Os perfis precisam se estender do piso ao teto e por travessa superior com características equivalentes, devidamente consolidada ao restante da estrutura da parede drywall, executadas em conformidade com a ABNT NBR 15758-1”, ensina o pesquisador, lembrando que o batente utilizado nesta situação deve ser bipartido, encaixado em ambos os lados da parede e aparafusado dos dois lados ao reforço interno.

As barras antipânico, atendendo à ABNT NBR 11785, devem ser instaladas nas portas corta-fogo de saída de emergência, em locais de reunião de público, como teatros, restaurantes, museus, igrejas, boates, casas de shows, hospitais e centros comerciais. O dispositivo é obrigatório, também, nas portas corta-fogo de ambientes de grande concentração de pessoas, que dão saída a mais de 100 pessoas, e naquelas localizadas em escadas que dão acesso à descarga.

Segundo o especialista, devem ser dotadas de barras antipânico as portas corta-fogo de duas folhas, em situações em que ambas devem ser abertas para garantir o fluxo de saída. Nas demais situações, podem ser utilizadas fechaduras de embutir ou sobrepor, de acordo com a ABNT NBR 13768. Em qualquer dessas situações, devem ser atendidos os requisitos estabelecidos nas ABNT NBR 9050 e ABNT NBR 9077.

“As portas corta-fogo devem ser instaladas de modo que a abertura da(s) folha(s) se processe no sentido de evasão”, diz Berto. A determinação normativa excetua aquelas que servem de acesso a recintos de proteção, transformação e medição de energia elétrica, bem como ambientes técnicos que representem risco de incêndio. É o caso das salas de máquinas e de bombas, desde que os locais não se destinem à ocupação permanente.

Quando a evasão for possível nos dois sentidos, nos casos em que o elemento estiver instalado em paredes de compartimentação, compondo áreas de refúgio recíprocas, devem ser instaladas duas portas corta-fogo com sentidos opostos de abertura ou porta corta-fogo de duas folhas abrindo em sentidos opostos.

Os visores ou a utilização de vidro nas portas corta-fogo de saída de emergência devem ser divididos em duas categorias, considerando a área que ocupam na folha. “Na primeira categoria, a área está limitada a 0,10 m², sendo que a menor dimensão não pode superar 0,20 m e a maior não pode superar 0,50 m. Na outra categoria, a área pode ser superada, podendo alcançar dimensões condicionadas apenas pelas características e limitações construtivas da folha”, detalha.

Na primeira categoria, a integridade e a estanqueidade do visor devem corresponder ao período completo de classificação da porta corta-fogo. O isolamento térmico deve ser garantido por, no mínimo, 50% desse tempo, porém nunca inferior a 30 minutos. Na segunda situação, a integridade, a estanqueidade e o isolamento térmico do vidro devem corresponder ao período completo de classificação da porta corta-fogo.

As portas corta-fogo devem ser instaladas de modo que a abertura da(s) folha(s) se processe no sentido de evasão
Antonio Fernando Berto

ESPECIFICAÇÃO

A correta especificação das portas corta-fogo está diretamente vinculada a quesitos como resistência ao fogo, dimensões do vão-luz, tolerâncias dimensionais, tipos de dobradiças, revestimentos das folhas e propriedades técnicas de batentes e ferragens.

As classes de resistência ao fogo das portas devem ser consideradas em diferentes situações de risco. Elas estão indicadas na norma NBR 9077 – Saídas de emergência em edifícios–, que se encontra em fase de revisão, e nas regulamentações dos Corpos de Bombeiros. No caso do Estado de São Paulo, nas Instruções Técnicas nº 09 – Compartimentação horizontal e Compartimentação vertical, e nº 11 – Saídas de emergência.

O vão-luz das portas corta-fogo deve ser dimensionado de acordo com as condições definidas na norma ABNT NBR 9077 – Saídas de emergência em edifícios. A fabricação do elemento deve obedecer a tabela abaixo:

Tabela 1 - Dimensões de vão-luz

Vão-luz
Largura (mm)
Altura (mm)
Mínimo
800
2.000
Máximo
2.300
2.300

“O vão-luz de largura superior a 1100 mm deve ter duas folhas de larguras iguais. As dimensões de vão-luz devem atender à modulação de 100 mm”, acrescenta.

As tolerâncias permitidas nas dimensões da folha da porta corta-fogo em relação às suas dimensões nominais estão indicadas na seguinte tabela:

Tabela 2 - Tolerâncias nas dimensões

Dimensões e desvios Limites aceitáveis em relação ao valor nominal (mm)
Altura ± 3,0
Largura ± 2,0
Espessura ± 3,0
As espessuras mencionadas referem-se à média dos valores medidos nas bordas da folha da porta corta-fogo.

A tolerância da espessura média da folha da porta corta-fogo, medida em sua região central, deve estar situada na faixa de -2 mm a + 10 mm em relação à espessura média medida na borda da folha. “A folha da porta corta-fogo deve se sobrepor ao batente, em faixa contínua, na extensão mínima de 30 mm, encaixando-se em seu rebaixo. Caso sejam utilizadas guarnições intumescentes, esta condição não é necessária”, observa Berto.

As folgas admitidas entre o batente e a folha, ou entre as folhas – no caso de porta corta-fogo com duas folhas –, são indicadas na Tabela 3. Estas folgas podem ser alteradas em razão da utilização de guarnições intumescentes.

Tabela 3 - Folgas

Folgas Limites
Mínimo (mm) Máximo (mm)
Entre a folha e o batente 4 8
Entre folhas 4 8
Entre as folhas e a soleira 5 10

A ABNT NBR 13768 estabelece o uso de, no mínimo, três dobradiças por folha. No caso do uso de dobradiças paralelas, deve ser empregado dispositivo de fechamento automático da folha em conformidade com o disposto na norma ABNT NBR 13768.

A norma técnica não admite aplicação de revestimento à folha da porta corta-fogo. “Ao término do processo de fabricação ou quando é entregue na obra, ela deve receber pintura de acabamento para conservação, conforme proposto pelo fabricante em seu manual técnico, observando as condições de contraste estabelecidas na ABNT NBR 9050”, expõe.

Batentes e ferragens devem atender a uma série de aspectos técnicos descritos em norma. “São três tipos possíveis de batentes, conforme o tipo de parede corta-fogo onde serão instalados. O tipo I se aplica a paredes de alvenaria; o II, a paredes de concreto ou drywall; e o III, a paredes de drywall”, diz o pesquisador.

São aceitos batentes de formatos distintos dos padronizados (tipos I, II ou III), desde que eles apresentem características mecânicas adequadas de fixação à parede corta-fogo em que serão instalados. Tais características devem ser comprovadas em ensaios específicos, conforme disposto na norma. Já as propriedades técnicas das ferragens estão definidas na norma ABNT NBR 13768.

Leia também: Soluções contra incêndio devem ser previstas no projeto

Colaboração técnica

Antonio-Fernando-Berto
Antonio Fernando Berto – Engenheiro Civil pela EESC/USP e mestre em Arquitetura e Urbanismo pela FAU/USP. Pesquisador e chefe do Laboratório de Segurança ao Fogo e Explosões do Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT. Coordenador de inúmeros trabalhos de pesquisa na área de segurança contra incêndio, envolvendo a pesquisa de cerca de 200 grandes incêndios no Brasil e diversos trabalhos de pesquisa e inovação na área de proteção contra incêndio. Docente no curso de Mestrado Profissional do IPT na disciplina Segurança Contra Incêndio no Ambiente Construído. Coordenador das Comissões de Estudos de Reação ao Fogo dos Materiais e de Vedações Corta-fogo do CB 24 (Comitê Brasileiro de Segurança contra Incêndio) da ABNT.
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