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Projeto de laboratório químico exige cuidados com instalações e usuários

Programa de necessidades deve considerar todas as atividades que serão desenvolvidas no ambiente para garantir especificação de materiais compatíveis com as demandas

Texto: Gabriel Bonafé

Destinados à realização de experimentos, os laboratórios químicos compõem o programa arquitetônico de diversos tipos de indústrias, como petroquímicas, de fertilizantes e de cimentos, além de universidades e outros estabelecimentos que atuam intensivamente com produtos químicos.

Expostos a agentes agressivos, esses ambientes devem ser projetados com cuidados que protejam as instalações, sobretudo no que diz respeito à especificação de materiais. Isso porque estes podem acabar deteriorados devido à manipulação de espécies químicas.

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Expostos a agentes agressivos, os laboratórios de química devem ser projetados com cuidados que protejam as instalações (Zolnierek/ Shutterstock.com)

O projeto também deve reduzir os riscos aos quais os usuários ficam sujeitos, como desprendimento de gases tóxicos, vazamentos de efluentes, instrumentos e superfícies contundentes, entre outros.

“Os protocolos e procedimentos de segurança para prevenção de acidentes só terão efetividade se os espaços, os arranjos físicos e as instalações dos laboratórios forem projetados, construídos e mantidos com o objetivo de tornar o ambiente o mais seguro possível”, ressalta Claudia de Andrade Oliveira, professora doutora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

ESPECIFICAÇÃO DE MATERIAIS

Para especificar recursos adequados ao projeto, é necessário compatibilizar as características dos produtos químicos que serão manipulados nos ambientes com as propriedades dos materiais de construção. “A primeira providência é caracterizar muito bem as atividades que serão desenvolvidas no laboratório. O entendimento pormenorizado de todos os itens permite sistematizar informações úteis ao programa de necessidades”, observa Oliveira.

Os protocolos e procedimentos de segurança para prevenção de acidentes só terão efetividade se os espaços, os arranjos físicos e as instalações dos laboratórios forem projetados, construídos e mantidos com o objetivo de tornar o ambiente o mais seguro possível
Claudia de Andrade Oliveira

“O atendimento ao programa de necessidades é feito com base nas normas construtivas específicas para cada agente agressivo”, complementa o arquiteto Luis Capote, do escritório LoebCapote Arquitetura e Urbanismo.

Para uma especificação adequada, recomenda-se a consultoria de especialistas em processos laboratoriais. “Quando o fabricante não fornece detalhes sobre as propriedades do material e as formas corretas de aplicação, o projetista e o construtor devem buscar outros fabricantes”, orienta a professora.

Além disso, Oliveira também recomenda a solicitação de amostras dos materiais para realização de ensaios de caracterização e de desempenho frente às condições de uso. Uma alternativa é buscar referências que atestem o desempenho do material, desde que tenham confiabilidade técnica e científica.

CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS

Embora a especificação seja uma questão particular de cada projeto, é possível destacar algumas características que os materiais em geral devem apresentar em um laboratório. Geralmente, os pisos são impermeáveis, antiderrapantes, de fácil limpeza e resistentes à abrasão.

Propriedades condutivas e dissipativas também são importantes para os pisos, pois evitam a geração e acúmulo de eletricidade estática, proveniente da circulação de pessoas calçando sapatos com solados isolantes sobre pisos isolantes. “Além do material de acabamento, as técnicas para execução do contrapiso ou da base também interferem no projeto”, salienta Oliveira.

O atendimento ao programa de necessidades é feito com base nas normas construtivas específicas para cada agente agressivo
Luiz Capote

Nas paredes, os revestimentos não costumam apresentar porosidade e, em alguns casos, são laváveis. Já nas bancadas, os revestimentos devem apresentar superfície lisa, não porosa, com poucas juntas, sem cantos vivos e contundentes. Quanto às propriedades, devem ser resistentes a manchas causadas pelas espécies químicas ou pelos produtos de limpeza e descontaminação.

HIERARQUIZAÇÃO DE NECESSIDADES

O programa de necessidades do projeto de laboratório deve ser hierarquizado em termos de segurança e habitabilidade. “Os requisitos de segurança não podem ser dependentes de soluções técnicas que privilegiem objetivos não relacionados à garantia de elevados níveis de proteção aos usuários”, indica a professora.

É preciso considerar, ainda, que o não atendimento de outros requisitos, como por exemplo, os requisitos vinculados ao conforto dos usuários também pode comprometer a segurança do projeto. “Condições ambientais que gerem sensação térmica acima dos limites toleráveis de conforto, ou ainda que gerem ofuscamento ou cansaço visual, podem reduzir a concentração ou incapacitar os usuários para tarefas seguindo os protocolos de segurança”, pondera Oliveira.

Uma referência útil para atender a tais parâmetros é a norma de desempenho (NBR 15.575:2013), da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). “Embora a norma seja orientada a edificações habitacionais, os seus princípios, desde observadas as devidas especificidades, são aplicáveis aos projetos de laboratórios de química”, informa Oliveira.

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

Para aprofundar o conhecimento sobre projetos de laboratórios químicos, é recomendada a leitura de pesquisas e documentos científicos redigidos com rigor técnico.

A dissertação de mestrado de Natalia Raiunec Civile, por exemplo, tem como objetivo sistematizar informações qualitativas e quantitativas para subsidiar o programa de necessidades de projetos de laboratórios químicos do ensino superior, para atendimento de demandas de segurança e habitabilidade. Clique aqui para baixar o material.

Já a Comissão de Ensino Técnico do Conselho Regional de Química da IV Região (SP-MS) dispõe de um guia com orientações para instalação, montagem e operação de laboratórios químicos. O documento pode ser acessado clicando aqui.

Colaboração técnica

 
Claudia de Andrade Oliveira – Graduada em engenharia civil pela Escola de Engenharia de Lins, com mestrado e doutorado em engenharia de construção civil e urbana pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). É professora doutora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e orientadora de doutorado do Programa de Pós-graduação da FAU-USP. Tem experiência profissional nas áreas de execução e gerenciamento de obras, projetos executivos e orçamentos, caracterização e ensaio de materiais de construção civil.
 
Luis Capote – Formado em 1998 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie. Ingressou no escritório Roberto Loeb e Associados no ano 2000, sendo sócio desde 2004, quando passou a assinar a autoria e responsabilidade técnica de todos os projetos do escritório em conjunto com o arquiteto Roberto Loeb. Em 2012 fundou, juntamente com o arquiteto Roberto Loeb, as empresas LoebCapote Arquitetura e Urbanismo e Ybyraa Gerenciamento de projetos e obras, com a participação dos arquitetos Damiano Leite e Chantal Longo.
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