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Projetos de hospitais pedem máxima integração entre arquitetura e saúde

Na construção desses espaços, arquitetos devem buscar estratégias para criar ambientes eficientes, que atendam às necessidades de todos os envolvidos

Redação AECweb/e-Construmarket

Projeto de hospitais
Projetos hospitalares requerem integração entre a arquitetura e a área da saúde (dailin/shutterstock)

Projetar hospitais é mais do que simplesmente pensar nos espaços onde ficarão o ambulatório ou o centro cirúrgico. A arquitetura tem função de extrema importância nesse tipo de empreendimento, pois influencia na maneira como os ocupantes interagem com os ambientes. “Ela é responsável por estabelecer relação simbiótica do hospital com pacientes, profissionais da saúde e demais pessoas que vivenciam seu dia a dia. É sobre eles que a arquitetura produz seus efeitos diretos”, afirma o arquiteto Marcos Cardone, superintendente da CABE Arquitetos e fundador do Núcleo de Pesquisas e Estudos Hospital Arquitetura (NUPEHA).

Criar ambientes de saúde eficientes requer conhecimento, vivência e envolvimento profundo com a área. Não é apenas a aparência do local que conta
Marcos Cardone


Conceber edifícios hospitalares requer uma integração cada vez maior entre a arquitetura e a área da saúde. A definição da maneira como o hospital funciona, seus programas e logística são alguns dos conhecimentos a ser explorados. Outra missão é desenhar estratégias para atualizar e integrar o hospital ao contexto social e urbano, conciliando a mais alta especialização médica e o respeito pela integridade individual de pacientes.

“Criar ambientes de saúde eficientes requer conhecimento, vivência e envolvimento profundo com a área. Não é apenas a aparência do local que conta”, destaca. Para ele, projeto e design devem promover melhorias na qualidade dos serviços, na produtividade dos colaboradores, segurança do paciente, conforto dos usuários, agilidade nos procedimentos, sustentabilidade e redução de custos.

Normas

Todo empreendimento hospitalar deve ser concebido de acordo com as diretrizes da RDC 50, em vigor desde fevereiro de 2002. A norma é a principal no segmento da saúde e estabelece os requisitos de planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos.

Sistemas construtivos

O programa de necessidades do empreendimento e as características do terreno são algumas informações que o cliente deve fornecer. Essas orientações são enviadas ao partido arquitetônico que, por sua vez, define o sistema construtivo que melhor se aplica a cada projeto. “No entanto, eficiência e rapidez construtivas, baixo impacto ambiental e construção sem desperdícios são aspectos que devem pesar na decisão por uma ou outra solução”, comenta o especialista.

Nos hospitais, existem equipamentos bastante pesados, usados na realização de diferentes exames, como tomografias. Entretanto, nem sempre a edificação necessita de reforço para suportar toda essa carga, pois as estruturas já são dimensionadas levando em consideração essa variável. As estruturas podem ser de concreto, aço ou madeira, dependendo das dimensões e características. “Estruturalmente, não há diferenças em relação a outras tipologias de projeto, desde que seja possível compatibilizar a infraestrutura necessária”, diz Cardone.

Especificação de materiais

Há uma lista de materiais e soluções indicados para uso em hospitais. Para os pisos, por exemplo, os mais recomendados são os resilientes, como as mantas vinílicas, os de borracha e os de linóleo. “Já os cerâmicos e os porcelanatos são especificados para áreas determinadas como molhadas”, fala o arquiteto.

O tipo de revestimento de paredes dependerá das características específicas de cada área e setor. Algumas opções interessantes são as tintas à base de água, inodoras e com emissão controlada de voláteis orgânicos; papéis de parede; e painéis diversos, incluindo vinílicos e amadeirados.

As esquadrias usadas no projeto podem ser de alumínio, aço ou madeira. Uma preocupação importante com as janelas é que aquelas localizadas nos andares mais altos devem conter redutores de abertura, para evitar acidentes.

“A iluminação hospitalar requer muita atenção para garantir a qualidade dos serviços e o conforto dos pacientes e profissionais”, ressalta o especialista. Áreas consideradas críticas exigem aparelhos específicos que proporcionem o nível adequado de iluminação. Já em outros ambientes, o projeto luminotécnico deve seguir normas e padrões estabelecidos pela ABNT, comuns a todo tipo de edificações.

Automação

Em um edifício hospitalar, a automação tem papel importante. É possível especificar equipamentos que façam o controle de acesso, ou então, ativem e desativem os sistemas de climatização e iluminação em função da presença ou não de pessoas dentro dos ambientes. Além de proporcionar maior conforto para os ocupantes, essas soluções também auxiliam na redução do consumo de energia elétrica.

Acessibilidade

Acessibilidade é fundamental em um projeto hospitalar e deve fazer parte do plano diretor, contemplando todas as interligações, acessos e conexões do edifício
Marcos Cardone

“Acessibilidade é fundamental em um projeto hospitalar e deve fazer parte do plano diretor, contemplando todas as interligações, acessos e conexões do edifício”, informa o arquiteto. Equipamentos como rampas, plataformas elevatórias, monta-cargas e elevadores devem sempre fazer parte de qualquer projeto da área de saúde.

Áreas técnicas

Há um mito de que as áreas técnicas são as que mais necessitam de atenção do arquiteto no momento de elaborar o projeto. “O hospital é um complexo. Todas as áreas são fundamentais e requerem atenção e especialização. Imagine se houvesse menos atenção à área de nutrição e dietética? O que aconteceria com os níveis de infecção e intoxicação?”, questiona Cardone.

Transformações

Segundo o especialista, hoje, não se deve dar tanta ênfase à estruturação hierarquizada, pois a marcha da ciência médica e medicamentos, aliada aos novos equipamentos, fará com que, em pouquíssimo tempo, a estrutura de um hospital em nada se pareça com a atual.

Segundo o arquiteto, se os medicamentos atuais conseguem tratar enfermidades que antes só eram resolvidas com cirurgia, é de se imaginar que o hospital passará a ser local de tecnologia e medicina especializada, destinando-se a casos mais complexos e agudos. “A crescente ênfase na assistência preventiva também está contribuindo para estimular mudanças, tanto na natureza da medicina quanto na tipologia dos edifícios onde ela é praticada”, finaliza Cardone.

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Colaboração técnica

Marcos Cardone
Marcos Cardone – Arquiteto e superintende da CABE Arquitetos. Foi o fundador do Núcleo de Pesquisas e Estudos Hospital Arquitetura (NUPEHA). Acumula experiência de 27 anos projetando para o setor de saúde.
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