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Reforço de fundações permite aumentar carga sobre edificações existentes

Escolha da melhor técnica para reforço de alicerces requer análise cuidadosa das características do local. Conheça algumas e veja como contratar o serviço

Texto: Juliana Nakamura

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O reforço de fundações pode ser feito para corrigir problemas de recalques (Elena Larina / shutterstock)

Há uma série de situações que exigem o reforço de fundações sob edifícios. O aumento da carga decorrente de obras de ampliação ou de mudança de uso é um caso. Outro motivo é a correção de problemas de recalques, que se manifestam na forma de desníveis e inclinações da estrutura.

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As técnicas para ampliar a capacidade de suporte de uma fundação são variadas. A busca pela melhor solução exige a compatibilização de uma série de condicionantes de ordem técnica, econômica, de exequibilidade e de segurança. Por isso mesmo, deve ser indicada por engenheiro geotécnico experiente.

Vale lembrar que as dificuldades encontradas nesse tipo de obra são grandes. A começar pelas condições de trabalho, já que o objeto de intervenção está enterrado. Outro desafio é impactar o mínimo possível na fundação existente. Além disso, é preciso garantir que as fundações originais e o reforço trabalhem como um sistema único.

PROJETO DE REFORÇO DE FUNDAÇÕES

O primeiro passo para definir a abordagem é avaliar o grau de urgência. Há casos em que a edificação apresenta recalques que colocam em risco sua estabilidade. “Nessas situações, é importante escolher um sistema que tenha o menor tempo de execução e que permita entrar em funcionamento o mais brevemente possível”, explica o engenheiro Ilan Gotlieb, sócio-diretor da MG&A Consultores de Solos. Em obras emergenciais, uma possibilidade bastante explorada é a combinação de dois sistemas de reforço: um provisório para interromper os recalques e outro definitivo para a correção das fundações.

A condição geotécnica local também interfere na escolha do método de reforço. Solos com camadas espessas de argilas orgânicas muito moles podem inviabilizar a execução de algumas técnicas, por exemplo. Outro fator a ser considerado são os carregamentos. Dependendo de sua magnitude, alguns tipos de reforço não são compatíveis.

Caso a edificação apresente arquitetura com muitas paredes e espaços pequenos, algumas técnicas não poderão ser utilizadas diante da inviabilidade de mobilização de equipamentos
Ilan Gotlieb

Há de se levar em conta, ainda, a condição de acesso de equipamentos na obra. “Caso a edificação apresente arquitetura com muitas paredes e espaços pequenos, algumas técnicas não poderão ser utilizadas diante da inviabilidade de mobilização de equipamentos”, comenta Gotlieb.

ESTACAS RAIZ

Entre as soluções usuais para o reforço de fundações estão as estacas raiz, chamadas também de microestacas. Moldadas in loco, elas são executadas pela perfuração rotativa ou roto percussiva, revestida integralmente no trecho em solo por tubo metálico. Dependendo do equipamento utilizado, as estacas podem ser executadas em ângulos diferentes da vertical (0° a 90°).

Duas vantagens associadas a essa técnica são não ocasionar vibrações durante a execução e utilizar equipamentos de pequeno porte, viabilizando a aplicação da técnica em locais de difícil acesso e pé-direito restrito. Porém, a perfuração das estacas raiz se dá com circulação de água, o que fluidifica o solo. A depender das condições locais, isso pode gerar instabilidades e demandar a execução de escoramento prévio.

ESTACAS MEGA

Também conhecidas como estacas de reação, as estacas mega representam outra opção para o reforço de fundações. Essa técnica se baseia no uso de elementos pré-fabricados cravados no solo com o emprego de macacos hidráulicos.

O engenheiro Alexandre Novaes, da Engestac, destaca algumas vantagens inerentes a esse sistema:

• Evitar a injeção de água e/ou nata de cimento.
• Rapidez na aplicação. É possível cravar de 4 a 5 estacas com profundidade de 10 m/dia.
• Possibilidade de cravação das estacas inclinadas.
• Cravação da estaca em qualquer tipo de composição de subsolo (arenoso, argiloso, com lençol freático, sem lençol).

Quando a obra exige aumentar a capacidade de carga de sapatas ou tubulões, outra solução é aumentar a área de apoio. A técnica consiste em ampliar a seção do elemento de fundação com um enxerto de concreto, seguido do chumbamento de ferragens e da aplicação de resinas colantes para garantir a aderência do concreto novo ao antigo.

NOVOS DESENVOLVIMENTOS

Nos últimos anos, os avanços tecnológicos na área de reforço de fundações aconteceram mais nos materiais empregados do que nas técnicas de execução em si. “Para o caso de utilização de estaca mega, o avanço mais visível refere-se à utilização de estacas metálicas de maior capacidade”, diz Gotlieb. Segundo ele, hoje há uma gama muito grande de perfis metálicos, de diferentes bitolas e capacidade de carga estrutural, que permite suportar cargas maiores do que no passado, desde que se tenha reação suficiente.

COMO CONTRATAR

Quando uma empresa desqualificada é contratada, há grande risco de o reforço causar danos à obra, em vez de resolver o problema
Ilan Gotlieb

Na hora de contratar o reforço de fundações é importante privilegiar o conhecimento técnico. A empresa deve dispor de pessoal especializado, com grande experiência na execução dos serviços, além de programas de manutenção de equipamentos, responsabilidade fiscal e trabalhista. “Quando uma empresa desqualificada é contratada, há grande risco de o reforço causar danos à obra, em vez de resolver o problema”, alerta Ilan Gotlieb.

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Colaboração técnica

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Ilan Gotlieb – Engenheiro civil com mestrado em Engenharia Geotécnica pela Cornell University. É sócio-diretor da MG&A Consultores de Solos, conselheiro da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS) e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Projeto e Consultoria em Engenharia Geotécnica (ABEG).
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Alexandre Novaes – Engenheiro civil especializado em inspeção predial e em diagnósticos de patologias da construção. É diretor da Engestac e perito judicial em obras com sinistros de ordem estrutural e/ou geotécnica.
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