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São Paulo concentra maior quantidade de condomínios de casas

Empreendimentos são ofertados inclusive na região metropolitana, gerando novos usos para construções obsoletas. Cidades do interior também têm grande oferta de loteamento fechado

Redação AECweb / e-Construmarket

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A segurança é um dos maiores atrativos de um condomínio (slonme/ Shutterstock.com)

A Rede de Obras, ferramenta de pesquisa da e-Construmarket, analisou o panorama dos projetos de condomínios de casas em todo o país e constatou que, atualmente, existem 1281 empreendimentos sendo desenvolvidos e distribuídos em diferentes fases. Desse total, 697 estão na etapa de projeto/lançamento, 139 em acabamento, 126 na fase intermediária, além de outros 116 que se encontram suspensos.

Os novos condomínios de casas somam 269.273 unidades, totalizando área construída de 14.423.951 m². São Paulo é o Estado que concentra a maior quantidade de empreendimentos, com 504. Na sequência, aparecem Paraná (92), Bahia (84), Rio Grande do Sul (65) e Rio de Janeiro (61).

Fase Empreendimentos
Acabamento 139
Acabamento final 43
Estrutura 77
Intermediária 126
Fundação 40
Projeto/ lançamento 697
Serviços preliminares 43
Suspensa 116
Total geral 1.281

UF Empreendimentos Unidades Área útil (m²)
SP 504 106.525 5.787.341
PR 92 14.081 722.506
BA 84 13.259 715.169
RS 65 12.743 687.689
RJ 61 7.445 454.884
CE 55 13.467 774.348
PA 52 12.942 589.853
MT 47 10.011 489.313
MA 46 16.518 800.638
MG 41 9.767 493.255
RN 34 5.500 306.628
GO 30 6.775 398.244
PE 28 6.818 354.885
SC 24 5.394 354.276
AM 22 2.920 177.547
PI 18 2.535 169.366
DF 17 2.282 110.258
RO 13 4.664 253.126
ES 11 1.439 108.428
AL 10 7.490 355.977
MS 8 809 47.986
SE 6 997 46.636
PB 5 3.075 137.958
RR 3 1.236 53.148
TO 3 470 22.250
AC 1 32 3.520
AP 1 79 8.722
Total geral 1.281 269.273 14.423.951

EMPREENDIMENTOS METROPOLITANOS

Projetos de condomínios de casas continuam sendo comuns nos grandes centros urbanos, mesmo com a diminuição na oferta de terrenos. “Nas metrópoles, esses empreendimentos são executados, geralmente, em locais onde existiam construções obsoletas e que precisam de mudança no uso do solo”, afirma o arquiteto Jorge Pessoa, titular do escritório Pessoa Arquitetos e professor na Escola Panamericana de Arte e Design.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, bairros classificados como Zona Exclusivamente Residencial (ZER-1), como o Alto da Boa Vista ou a Chácara Flora, têm lotes com área de 3 mil m2 para apenas uma residência. “Por não serem mais economicamente viáveis, esses lotes são vendidos para a construção de condomínios com várias residências”, diz o profissional.

Nas metrópoles, esses empreendimentos são executados, geralmente, em locais onde existiam construções obsoletas e que precisam de mudança no uso do solo
Jorge Pessoa

NO INTERIOR

Já em cidades do interior, a disponibilidade maior de terrenos acaba sendo atrativa para outro tipo de projeto, os loteamentos fechados. “Nesses empreendimentos, o acesso é por portaria única e há oferta de infraestrutura de clube, com áreas verdes e de lazer. Os lotes são vendidos vazios e cada proprietário se torna responsável pela edificação que será construída”, explica o arquiteto.

O mesmo não acontece com os condomínios de casas, em que o empreendedor elabora o projeto e o executa, vendendo as residências prontas. Por serem mais atrativos economicamente, nas cidades do interior há maior oferta de lotes do que de condomínios fechados.

CONDOMÍNIOS DE CASAS POPULARES

Os programas de habitação popular mantidos pelo poder público aproveitam bastante o modelo de condomínios de casas. “No entanto, o que vemos é um cenário desolador. Não existe um projeto que busca inserir tais conjuntos no tecido urbano já existente”, analisa Pessoa, explicando que a maioria dos projetos é apenas um amontoado de casas ou pequenos prédios implantados de maneira repetitiva.

Esses empreendimentos construídos pelo governo, muitas vezes, desconsideram a própria topografia. “Também não contemplam a existência de praças, áreas verdes ou de lazer. Ainda costumam estar longe dos serviços urbanos de comércio, educação, saúde e lazer”, lamenta o especialista.

VANTAGENS E DESVANTAGENS

Segundo o arquiteto, a segurança é um dos maiores atrativos de um condomínio. Principalmente nos grandes centros urbanos, a tentativa de evitar problemas com a violência torna esse tipo de empreendimento bastante procurado. “Outra vantagem é poder ratear os custos de segurança e zeladoria entre os condôminos”, fala.

O fato de muitos projetos oferecerem quintal privativo também é um diferencial a favor dos condomínios de casa se comparado com os de apartamentos. No entanto, a principal desvantagem nesse tipo de construção é a inevitável proximidade entre as casas, que reduz a privacidade dos moradores. “Em condomínios de alto padrão, essa deve ser uma preocupação importante do projeto de arquitetura”, informa Pessoa.

RELAÇÃO COM A CIDADE

Muitos profissionais consideram os condomínios uma maneira de segregação. “Qualquer propriedade, individual ou coletiva, que esteja cercada por muros ou grades estará segregada”, diz o arquiteto. “Infelizmente, os próprios empreendedores, em suas ações de marketing, fazem apologia à violência urbana para ‘vender’ segurança”, complementa.

Quanto maior for o muro, maior será a sensação de tranquilidade do lado de dentro e mais se aumentará o clima de insegurança exteriormente, no espaço público. “Dar as costas às ruas, segregando os espaços privados, só faz aumentar a violência urbana. O ideal seria se apropriar do espaço público como uma extensão da própria casa. Mas isso não vende”, analisa Pessoa.

Qualquer propriedade, individual ou coletiva, que esteja cercada por muros ou grades estará segregada
Jorge Pessoa

O fato é que grandes condomínios ou loteamentos fechados costumam estar localizados em regiões onde o tecido urbano encontra-se menos desenvolvido – ou seja, com uma oferta menor de serviços e de lazer. “Surge, então, um número cada vez maior de empreendimentos com piscinas e quadras esportivas e que estão rodeados de cinemas, academias, salões de beleza, mercados e escolas. Cria-se, assim, um tecido artificial que privatiza equipamentos característicos dos espaços públicos com a intenção, inclusive, de afastar a heterogênea periferia vizinha de seus consumidores”, diz o arquiteto.

Ao criar o tecido artificial, cuidadosamente planejado e transformado, os empreendimentos tornam-se sistemas autônomos que permitem uma prática social que não depende dos outros sistemas ao seu redor. Passa a ocorrer a negação do seu entorno imediato e a valorização apenas do que é privado, em detrimento do que é público.

“O processo de desenvolvimento da cidadania e da tolerância também ficam prejudicados, uma vez que se trata de ambientes herméticos, afastados da diversidade das ruas, socialmente homogêneos e que valorizam apenas a convivência entre iguais”, finaliza Pessoa.

Colaboração técnica

Jorge Pessoa – Arquiteto e urbanista formado pela Universidade Mackenzie, especialista em Negócios Imobiliários pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP/SECOVI) e mestre em Planejamento Urbano e Regional pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Tem experiência na área de Projeto de arquitetura, Desenho Urbano e Planejamento Urbano e Regional. Em 2014, foi vencedor do Prêmio APCA na categoria Arquitetura/Urbanidade pelo projeto de Reurbanização da Favela do Sapé. Antes de fundar o escritório Pessoa Arquitetos, foi sócio-fundador do escritório BASE 3 Arquitetos, de 2007 até a sua extinção em 2014. É professor na Escola Panamericana de Arte e Design.
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