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Sinalização em hospitais deve estar integrada à arquitetura

Os símbolos são fundamentais em espaços de saúde, considerando que boa parte de seus usuários está fragilizada por seu quadro clínico. Entenda como usá-los

Redação Portal AECweb / e-Construmarket

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A sinalização é um complemento da arquitetura do hospital, que deve facilitar os trajetos que deverão ser percorridos (foto: shutterstock.com / Food Travel Stockforlife)

Projetos de arquitetura e de sinalização de espaços de saúde enfrentam o pressuposto da fragilidade física e emocional de seus usurários. Para a designer Carla Vendramini, do escritório Formo Arquitetura e Design, tal condição não pode ser negligenciada no processo de planejamento desses ambientes.

Projetos de hospitais pedem máxima integração entre arquitetura e saúde

Assim como em outros edifícios públicos e de uso coletivo, a sinalização para edificações de saúde tem como objetivo auxiliar o usuário em sua localização, deslocamento e comportamento nos ambientes. “A orientação em um ambiente desconhecido é sempre um processo estressante. Quando essa situação tem como cenário um hospital ou qualquer outro ambiente de saúde, o estresse produz momentos de desorientação ainda maiores”, reforça.

“O primeiro passo para o projeto de sinalização é conduzido pelos fluxos da arquitetura desses espaços”, acrescenta o arquiteto e doutor Fabio Bitencourt, professor da Universidade Estácio de Sá (RJ) e autor de livros sobre arquitetura hospitalar.

ARQUITETURA

No momento em que o arquiteto começa a desenhar esses espaços, precisa pensar que há uma conexão de caminhos que devem ser simplificados ao máximo. “Essa simplificação fará com que o paciente entenda facilmente o trajeto e ande o mínimo possível pelo ambiente hospitalar, para acessar o local onde precisa chegar, como o ambulatório ou salas de exames”, diz o arquiteto. Ele lembra que hospitais chegam a ter 200 mil m², complicando bastante a circulação de seus frequentadores.

QUEM PROJETA

A orientação em um ambiente desconhecido é sempre um processo estressante. Quando essa situação tem como cenário um hospital ou qualquer outro ambiente de saúde, o estresse produz momentos de desorientação ainda maiores
Carla Vendramini

Bitencourt recomenda que o arquiteto autor do empreendimento de saúde não deve assumir para si a tarefa de projetar a sinalização. “Porque está impregnado por um amplo conhecimento do prédio e, portanto, sabe chegar aos destinos com muita facilidade”, diz. A sinalização deve ser conduzida por um designer gráfico, especializado em comunicação visual de ambientes de saúde. É ele quem vai traduzir as necessidades dos pacientes, informando os trajetos através de símbolos, sinais, palavras e representações gráficas.

No desenvolvimento do projeto de sinalização, o designer está em constante contato com o arquiteto e com os profissionais da área de saúde, desde os médicos e enfermeiros até o administrador. “É comum hospitais receberem pacientes ou acompanhantes sem escolaridade, que só compreendem sinais”, ressalta Bitencourt. O designer torna os espaços inclusivos quando usa cores, símbolos e, também, significados de elementos físicos para a leitura de pessoas com deficiência visual.

SINALIZAÇÃO

De acordo com Carla Vendramini, para auxiliar os usuários, estabeleceu-se um conjunto de códigos e mensagens visuais, reconhecíveis de maneira regional e/ou internacional. Nomeado como “sinalização”, pode ser definido como um sistema de mensagens com o objetivo de informar ou levar o usuário a seguir um conselho, ordem ou proibição, ou seja, a seguir um determinado comportamento.

“Basicamente, os projetos de sinalização precisam equacionar três variáveis: a natureza da organização (cliente); os usuários dos sistemas; os ambientes nos quais os sistemas serão instalados. E devem atender os usuários, que precisam saber onde estão; como encontrar seu destino; o que acontece lá; e como sair”, expõe a designer.

Bitencourt conta que algumas áreas do conhecimento consideram que a leitura pela expressão das cores é mais forte e facilitadora quando aliada à palavra escrita – daí os grandes hospitais estarem utilizando faixas no piso com cores diversas que indicam o trajeto a seguir. É uma solução contemporânea e deve ser usada numa escala maior, em locais como piso e parede. “Principalmente num país como o Brasil em que 7% da população, ou seja, quase 15 milhões de pessoas não leem”, comenta o arquiteto.

De acordo com Vendramini, o uso de cores na sinalização desses ambientes e identificação de setores, blocos e serviços é um recurso usado desde sempre. “A cor pode ajudar as pessoas a identificar, navegar, diferenciar, ressaltar e a se conectar emocionalmente com um ambiente. Os sistemas de sinalização se utilizam amplamente dessas funções”, ensina ela, destacando que, entre as soluções mais atuais, estão as mídias eletrônicas incorporadas às edificações de saúde.

SÍMBOLOS E TIPOGRAFIA

Tradicionalmente, os signos que compõem os sistemas de sinalização são divididos nas categorias:

• Identificadores: identificam a edificação, setores, entradas, saídas etc.
• Direcionais: auxiliam os usuários na circulação entre as entradas principais, pontos- chave, destinos e saídas.
• Orientativos: elementos que oferecem aos usuários uma visão geral das imediações através de mapas, esquemas e infográficos.
• Regulatórios: signos que informam o que deve e o que não deve ser feito em um local.
• Segurança: mensagens de uso obrigatório/recomendado por órgãos oficiais.

“Estão presentes em todas as categorias os pictogramas e os signos relativos à acessibilidade”, acrescenta a designer. Os pictogramas são, segundo ela, as imagens mais comumente usadas e também as mais eficientes. São ferramentas poderosas e úteis que auxiliam públicos distintos, como analfabetos ou pessoas que não falam a língua nativa. Devem responder a questões regionais, culturais e universais. “Por reduzirem o tempo de decodificação das mensagens, os pictogramas auxiliam o usuário a reduzir a sensação de ansiedade em ambientes de saúde”, sublinha Vendramini.

A tipografia que vai compor a sinalização é área de conhecimento técnico do profissional de design. É constituída por caracteres ortográficos (as letras) e para-ortográficos, que representam números e sinais de pontuação, entre outros elementos. “Podemos definir a tipografia como o alfabeto a ser usado para veiculação das mensagens verbais do sistema de sinalização. Essa escolha passa pela atenção à ‘personalidade’ das tipografias, ou seja, as associações que os alfabetos sugerem, por exemplo, tradicional ou contemporânea. Mas, principalmente, pelas características técnicas dos alfabetos que influenciam diretamente na legibilidade, fator primordial para o entendimento e decodificação das mensagens”, diz a designer.

É comum hospitais receberem pacientes e acompanhantes sem escolaridade, que só compreendem sinais
Fabio Bitencourt

Para aumentar e garantir a legibilidade das informações, são considerados ainda aspectos como as proporções entre altura, largura e espessura das letras e números, relacionadas à distância de leitura, assim como a distância entre letras e palavras. O contraste do fundo com as mensagens, assim como a iluminação incidente ou retroiluminação devem colaborar para a compreensão do texto.

“Os aspectos técnicos são primordiais e constituem a base para a elaboração eficiente do sistema de sinalização. Garantem, assim, a sua funcionalidade”, frisa Vendramini. Ela alerta, porém, que os projetos de sinalização podem e devem contemplar aspectos de ambientação de interiores que qualifiquem os ambientes de saúde. Cores, texturas e temas auxiliam na identificação de edificações e setores, marcam percursos, criam identidade e humanizam os espaços. “O projeto de sinalização, ocasionalmente, pode comandar o projeto de ambientação de interiores ou funcionar em conjunto, imprimindo aspectos que ultrapassam sua função original”, diz.

Segundo ela, os materiais mais comuns usados nos elementos de sinalização são metais, plástico e adesivos. É preciso, porém, evitar aqueles que acumulam sujidades difíceis de remover e, também, os porosos, passíveis de contaminação. “Afinal, estamos falando de um ambiente de saúde”, reforça.

ERROS COMUNS

Infelizmente, no Brasil, é corriqueiro encontrar unidades de saúde com sinalização feita por médicos, enfermeiros ou administradores. “Esse é o erro mais primitivo que pode ocorrer. Ao invés de contratar profissional especializado, eles mesmos colocam placas de identificação do ambiente”, conta Bitencourt.

Utilizar nomenclaturas muito tecnicistas é outro erro. Determinadas especialidades têm nomes complexos, como otorrinolaringologia, palavra nada audível ou compreensível pela imensa maioria da população. Daí a importância de simplificar essa linguagem, para torná-la plenamente inclusiva. E, até mesmo, a nomenclatura utilizada pela arquitetura para esses ambientes foge à compreensão. É o caso de “estabelecimentos assistenciais de saúde”, que podem ser nomeados simplesmente como “posto de saúde”.

Vendramini conta que o projeto de sinalização, habitualmente, é um dos últimos a ser contratado no caso de uma obra nova e também é postergado nos processos de reformas e reestruturações das edificações. Essas são situações nas quais se desperdiçam oportunidades de integração dos elementos e soluções de sinalização com os projetos de arquitetura, engenharia, luminotécnica, entre outros.

“Em concordância com os autores dos projetos, a composição com os elementos da edificação pode produzir soluções integradas e interessantes, reduzir custos e materiais, incorporando aspectos de sustentabilidade ao conjunto da obra”, finaliza a designer.

Leia também:

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Colaboração técnica

Carla-Vendramini
Carla Vendramini – Designer graduada em Comunicação Visual pela FAAP - Fundação Armando Álvares Penteado e pós-graduada em Design Editorial pelo Senac-SP. É diretora e designer titular do escritório Formo Arquitetura e Design. Projeta sistemas de identidade visual, projetos gráficos, sinalização e projetos editoriais em todos os segmentos – corporativos, comerciais e de serviço, institucionais e de saúde. Atua nos setores de arquitetura e ambientação de Interiores com projetos integrados. Autora de artigos e publicações sobre design, sinalização e ambientação de interiores. É professora de design em cursos livres.
Fabio-Bitencourt
Fabio Bitencourt – Arquiteto e doutor em ciências da arquitetura, escreveu diversos livros e publicações sobre arquitetura hospitalar, ambientes de saúde e ergonomia. É, também, professor em diversos cursos de graduação e pós-graduação em arquitetura, arquitetura hospitalar, ergonomia e gestão hospitalar. Foi presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (Abdeh) entre 2011 e 2014, é membro da Academia Brasileira de Administração Hospitalar (Abah) e de diversas entidades internacionais da área de saúde.
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