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Soluções pré-fabricadas de madeira ainda são pouco exploradas

Falta de conhecimento técnico é umas das barreiras que esses sistemas de construção precisam superar no Brasil

Redação AECweb / e-Construmarket

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O sistema permite padronização da qualidade dos componentes na edificação (Dewitt / shutterstock.com)

Ao contrário do que se acredita muitas vezes, o aproveitamento da madeira na construção civil não estimula o desmatamento. Quando usada de maneira correta e legalizada, essa matéria-prima contribui, na verdade, para a conservação das florestas. “No manejo autorizado, há a extração racional e a recomposição da vegetação. Além disso, no Brasil, o reflorestamento é realizado com espécies de rápido crescimento que são, cada vez mais, aproveitadas na construção, como eucaliptos e pinus”, explica Sergio Brazolin, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).

Atualmente, é vantajoso investir em soluções pré-fabricadas de madeira, que permitem a padronização da qualidade dos componentes na edificação. “Trabalhar com essa alternativa em maior escala de produção resulta na diminuição do desperdício de materiais e de custos do sistema construtivo”, complementa o engenheiro Takashi Yojo, também pesquisador na mesma instituição.

No Brasil, o reflorestamento é realizado com espécies de rápido crescimento, que são, cada vez mais, aproveitadas na construção, como eucaliptos e pinus
Sergio Brazolin

VANTAGENS DO MATERIAL

A madeira é considerada mais sustentável do que os tradicionais elementos aproveitados na construção, como o metal, concreto e plástico. “A sustentabilidade baseia-se na abundância da madeira, que é regenerada por meio do reflorestamento. O mesmo não acontece com itens retirados de fontes não renováveis, como o petróleo ou as jazidas de minérios”, afirma Brazolin. Sua produção também consome baixa quantidade de energia. “Analisando o ciclo de vida, essa matéria-prima será sempre mais vantajosa do que outras por gastar menos energia na extração, no beneficiamento e na fabricação de produtos”, completa.

Além do aspecto ambiental, os sistemas pré-fabricados de madeira apresentam como uma das principais vantagens sua rápida execução, quando comparada com alternativas convencionais.

No campo da engenharia, a madeira é classificada como material de excelência. “Ela tem propriedades físicas e mecânicas muito interessantes. A relação entre peso e resistência é favorável, resultando em peças leves”, considera Yojo, destacando também a estética de cores, texturas e tato do material, que podem fazer a diferença no projeto arquitetônico.

As soluções construídas com essa matéria-prima também são erroneamente classificadas como de alta combustão. “Diante de acidentes, todos os materiais sofrem com a ação do fogo. No caso de madeira, se tiver sido adequadamente dimensionada, a peça poderá resistir por mais tempo às chamas, mantendo a integridade estrutural. Diferentemente do aço que, sob o calor, sofre grande deformação”, explica Yojo.

Para aumentar a segurança, é possível submeter o material a tratamentos com produto à prova de fogo, que retarda a propagação das chamas. A imagem abaixo mostra uma peça de madeira que, após incêndio, continua dando sustentação às vigas de metal que deformaram.

BARREIRA A SUPERAR

No Brasil, a falta de conhecimento sobre o material é o principal obstáculo que precisa ser vencido. “As escolas não formam engenheiros e arquitetos cientes dos benefícios da madeira, como nos países com grande experiência em seu uso, como Estados Unidos, Austrália, Canadá e nações da Europa”, acredita Brazolin.

A ausência de estudos nas universidades resulta em uma tradição do mau uso e desempenho ruim observados em projetos construtivos inadequados. Acredita-se, por exemplo, de que a matéria-prima seja sempre atacada por cupins e fungos que causam seu apodrecimento. Isso acontece se não for especificada a espécie correta para cada uso, ou se a madeira não for tratada adequadamente.

As soluções arquitetônicas do projeto também colaboram para evitar problemas de deterioração. A especificação de beirais mais largos para proteger paredes, janelas e portas é uma das alternativas. “Esses são aspectos que devem ser considerados quando são usados sistemas pré-fabricados de madeira”, afirma Yojo.

QUANDO E COMO UTILIZAR

Segundo Yojo, a madeira é indicada como sistema construtivo para qualquer região do país, sejam áreas litorâneas, rurais ou urbanas. A utilização deve sempre ser feita com conhecimento e boas práticas. Nas áreas molhadas da edificação, como cozinhas e banheiros, o material não deve permanecer em condições de acúmulo de água. Para alcançar o desempenho desejado, alguns cuidados devem ser adotados, como a opção por madeira seca. “É um erro montar sistemas construtivos a partir de ‘madeira verde’ (úmida), pois pode ocorrer a deformação das estruturas. Os processos de secagem e equipamentos de alta tecnologia existem para garantir o correto processo de secagem”, assegura o especialista.

É um erro montar sistemas construtivos a partir de ‘madeira verde’ (úmida), pois pode ocorrer a deformação das estruturas
Takashi Yojo

Conhecer as características de cada espécie colabora para a elaboração de projetos de qualidade. Existem tipos de madeira com resistência natural a fungos e insetos, portanto, não necessitam de tratamento com produtos químicos – é o caso, por exemplo, do Ipê, da Itaúba e do Cumaru. Já os materiais de baixa durabilidade natural, se permeáveis, podem ser tratados industrialmente, garantindo vida útil e desempenho elevados. “Madeiras estruturais precisam ser tratadas sob pressão, já as de uso interno podem receber apenas um tratamento superficial. A escolha pelo procedimento depende da agressividade biológica do ambiente”, esclarece Brazolin.

MADEIRA LEGALIZADA

É grande a variedade de espécies de madeiras nativas no Brasil. Os sistemas pré-fabricados são elaborados a partir de material de reflorestamento, com fechamentos em produtos derivados, como Oriented Strand Board (OSB) ou painel de madeira compensada.

“O IPT apresenta em seu site informações sobre todas as espécies disponíveis no mercado. Os dados ajudam o engenheiro ou arquiteto no momento do projeto” informa Brazolin. Também estão disponíveis no portal manuais elaborados pela instituição em parceria com o SindusCon-SP e o World Wide Fund for Nature (WWF) para estímulo do uso da madeira.

Ao adquirir sistemas pré-fabricados, o consumidor deve exigir do fabricante a comprovação de origem da matéria-prima. Existem duas situações de legalidade: ou o material é proveniente de desmate ou manejo autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou apresenta o selo de certificação tipo FSC ou Ceflor. “O extrativismo predatório só contribui com o mau uso do material, destruindo sua imagem”, lembra Brazolin.

Colaboração técnica

Sergio Brazolin – Graduado em Ciências Biológicas pelo Instituto de Biociências. Tem mestrado em Ciência e Tecnologia de Madeiras e doutorado em Recursos Florestais pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP). Atualmente, é pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Tem experiência na área de Microbiologia, com ênfase em Microbiologia Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: biodeterioração e preservação de madeiras; biodeterioração e análise de risco de árvores; fungos apodrecedores; e insetos xilófagos (térmitas e brocas-de-madeira).
Takashi Yojo – Graduado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Tem mestrado em Engenharia Civil (Engenharia de Estruturas) e doutorado em Engenharia Civil pela mesma instituição. Atualmente, é pesquisador II do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em materiais e componentes de construção, atuando principalmente nos seguintes temas: madeira, análise estrutural, patologia em madeira, biodeteriorização em edifícios históricos.
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