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Telhados: da escolha à execução

O conceito do projeto arquitetônico define o tipo do telhado, e os fatores climáticos e financeiros impactam na escolha do material

Texto: Nataly Pugliesi

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O telhado é um dos principais detalhes do projeto de uma casa, pois seu desenho influencia diretamente no conceito arquitetônico da edificação. Em residências, os dois tipos mais utilizados são: os convencionais, nos quais as telhas ficam aparentes para quem observa a fachada; e os embutidos, que possuem platibandas – molduras na parte superior de um edifício que têm a função de esconder o telhado.

Os convencionais são conhecidos como telhados de águas, que são os painéis inclinados por onde escorre a água da chuva, e podem apresentar múltiplas águas inclinadas. “Há três outros tipos que ganham cada vez mais adesão: os telhados verdes, os retráteis e os articulados”, afirma a arquiteta Camila Simhon, sócia do escritório Item6 e professora do Instituto da Construção, unidade Campo Limpo Paulista, em São Paulo. Os dois últimos são utilizados, em geral, para cobrir áreas como espaço de lazer, garagens, quintais etc.

Há três tipos [de telhado] que ganham cada vez mais adesão: os telhados verdes, os retráteis e os articulados
Camila Simhon

“A decisão entre um telhado e outro parte da concepção do projeto arquitetônico, levando-se em conta primeiramente a questão estética”, explica o engenheiro civil Luiz Gustavo Mayr, diretor técnico da Construtora Ponto Exatum, no interior de São Paulo. Contudo, fatores climáticos e financeiros também devem ser considerados na hora de fazer a escolha, já que alguns materiais podem oferecer maior conforto termoacústico e também custar menos ou mais.

O que diferencia ainda mais os telhados são os materiais e o tipo de estrutura. “Há hoje no mercado uma gama muito diversificada de telhas. E a estrutura pode ser metálica ou de madeira”, explica o engenheiro. Para os telhados convencionais, pode-se adotar uma infinidade de materiais, como telhas cerâmicas, metálicas, de madeira ou taubilhas, de fibrocimento, coberturas de concreto etc. E, no caso dos demais, coberturas vegetadas, de vidro, de policarbonato, entre outras.

DIFERENCIAÇÃO TÉCNICA

Os telhados se diferenciam não só pela estética, mas também por suas características técnicas. As telhas metálicas, por exemplo, podem possuir isolamento termoacústico, conferindo conforto ao imóvel. O uso de telhas de concreto ou cerâmicas, (telhas romanas e colonial), por sua especificação técnica, exige uma estrutura de telhado peculiar, com o ripamento respeitando a dimensão do tipo de telha escolhido. “Estas telhas, especificamente, exigem um percentual de inclinação maior, a partir de cerca de 28%”, afirma Mayr.

Ainda segundo o engenheiro, é mais comum em telhados embutidos o uso de telhas menos atrativas visualmente, como as telhas metálicas e de fibrocimento, que não ficam visíveis na fachada. "Elas proporcionam economia, pois exigem um percentual de inclinação menor ao telhado, consumindo menos material para montagem da estrutura”, diz.

O DESENHO

Depois de se conhecer os tipos de telhados existentes, é hora de sentar com o arquiteto, escolher o modelo e desenhá-lo. Se o escolhido for o convencional, é hora de pensar no número de “águas” que o telhado terá, ou seja, quantos painéis inclinados serão usados e as direções específicas que permitirão o escoamento da água de chuva. Definidas as “águas”, são traçadas cumeeiras, águas furtadas, espigões etc. “Quanto mais águas o telhado tiver, mais águas furtadas e espigões serão necessários”, diz Mayr.

A decisão entre um telhado e outro parte da concepção do projeto arquitetônico, levando-se em conta primeiramente a questão estética
Luiz Gustavo Mayr

TELHADO DE UMA ÁGUA

O telhado de uma água – também conhecido como telhado de meia água por ser a metade de um telhado convencional (de duas águas) – é aquele composto por um único pano e caimento. “Entre os diversos tipos, este é o telhado mais simples e barato de ser construído já que pode ser apoiado na própria parede existente na edificação”, explica a arquiteta Camila Simhon. “Sua estrutura é executada para que a chuva que cai sobre este telhado corra em uma única direção”, completa Luiz Gustavo Mayr.

TELHADO DE QUATRO ÁGUAS

A estrutura do telhado de “quatro águas” é composta por quatro painéis inclinados. Para fazer a concordância entre estes painéis a estrutura montada requer o uso do chamado espigão. “O espigão nada mais é que a linha que divide as 'águas' da cobertura, como se fosse uma cumeeira inclinada”, explica o engenheiro. Por necessitar de mais material, tem o valor um pouco mais caro.

TELHAS ROMANAS E COLONIAIS

Para se construir um telhado com telhas romanas, deve-se observar a estrutura que ele receberá, fazendo os apoios nos locais adequados e montando as tesouras, peças que formam uma estrutura rígida, geralmente em forma triangular, e servem para suportar cargas sobre vãos sem apoios intermediários. Neste tipo, serão usados vigas, caibros e ripas. As ripas possuem seção de 5 x 2 cm e devem respeitar o espaçamento que a telha romana exige, que é em torno de 36 cm.

Para telhas coloniais, a estrutura segue basicamente a mesma montagem usada no telhado com telha romana, inclusive no que diz respeito à distância entre caibros. Porém, a telha colonial possui a “galga”, ou seja, o espaçamento entre ripas, de 40 cm.

TELHAS DE AMIANTO

As telhas de amianto são apresentadas no mesmo formato que as telhas de fibrocimento. O uso das telhas ou de qualquer produto que contenha amianto foi proibido em alguns estados brasileiros, como em São Paulo. Vários estudos mostram que o amianto é uma fibra cancerígena. A respiração da poeira de suas fibras causa a inflamação das células dos alvéolos, evoluindo para uma série de doenças incuráveis e progressivas. Praticamente todos os países europeus já baniram o uso de qualquer tipo de amianto em seus territórios.

TELHADO VERDE

Os telhados verdes vêm ganhando espaço sobre as residências contemporâneas. Trata-se de um jardim baixo ou gramado plantado sobre a cobertura. No caso de reforma em casas já prontas, se o telhado for de telhas cerâmicas, é preciso retirá-las e colocar compensados. Mas, no caso da construção do zero, basta impermeabilizar as lajes. Em cima de ambos, colocam-se, ainda, mantas de isolamento, de impermeabilização, onduladas ou geotêxteis, para impedir que o substrato escorra. Colocam-se, também, dutos de irrigação e drenagem, para ajudar a reduzir o barulho e manter o conforto termoacústico, camadas drenantes e filtrantes, além de terra e adubo. Dependendo do projeto e da empresa que o construirá, pode ainda conter mais ou menos elementos.

O ecotelhado também pode ter um reservatório de água pluvial para reuso. “São muitas as vantagens: além do conceito sustentável, e do ganho estético, também propicia conforto térmico e acústico e consequente economia de uso de ar-condicionado”, afirma o engenheiro.

CÁLCULO DO TELHADO

Para dimensionar um telhado, deve-se levar em consideração o tipo de estrutura, que pode ser metálica ou de madeira. Cada um desses materiais tem resistências e padrão de utilização diferentes, a começar pelos espaçamentos. Também deve ser observada a inclinação que o telhado deve ter, obedecendo às especificações do fabricante da telha escolhida. Tendo estas características em mãos, consegue-se dimensionar as “bitolas” das peças que compõem sua estrutura, como vigas, caibros e ripas, bem como o espaçamento necessário entre essas peças.

A inclinação também impacta na quantidade de materiais, e o que a determina é o tipo de telha a ser utilizada, pois, para cada uma existe um mínimo e máximo descrito em suas especificações. A inclinação dos telhados é medida em percentual, o que complica um pouco para quem não está muito acostumado a lidar com o assunto. A arquiteta Camila Simhon explica o cálculo de um jeito simples: “Se 10% é igual a 10 dividido por 100, considerando que 10% = 10 cm por 100 cm, a cada 100 cm (1 metro) na horizontal, o telhado sobe 10 cm na vertical”, diz. “Mas, atenção, na hora de construir o telhado é muito importante seguir o projeto traçado pelo arquiteto, que já prevê a inclinação”, acrescenta Mayr.

Leia também:
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Colaboraram para esta matéria

camila
Camila Simhon – é graduada desde 2003 em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, e especializou-se, em 2011, em Engenharia Ambiental. Sua área de atuação está focada no desenvolvimento de projetos de espaços externos residenciais e corporativos. Também é sócia do escritório Item6 Arquitetura e Construção e professora do Instituto da Construção, da unidade de Campo Limpo.
luiz
Luiz Gustavo Mayr – é graduado desde 2005 em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica de Campina (PUCCAMP), e tem MBA desde 2006 em Gestão Ambiental. É diretor técnico da Construtora Ponto Exatum, que atua na execução de projetos e construção de casas e prédios residenciais.
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