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Telhados verdes: uma ‘floresta’ de vantagens

Além de ser uma solução sustentável, sistema garante a estanqueidade da laje, exige pouca manutenção e contribui esteticamente com a cidade



Redação AECweb / e-Construmarket

Telhados verdes: uma ‘floresta’ de vantagens

A terra do telhado verde é jogada diretamente sobre a laje? A água da chuva não vai infiltrar, comprometendo a estrutura? O sistema é mais caro do que o revestimento convencional?

Esses são alguns mitos – na verdade, desinformação – sobre essa tecnologia que veio para ficar. A solução que agrega conforto térmico e acústico às edificações vai além, nas suas versões mais sofisticadas, ao captar a água da chuva para reuso. Tem a função, ainda, de valorizar uma área que, normalmente, é subutilizada: a laje de um prédio vira jardim suspenso, de uso comum ou, ainda, ambiente para recreação infantil. E, de quebra, melhora a paisagem da cidade, contribui para amenizar alguns problemas urbanos, como a poluição, através da filtragem do ar realizada pelas plantas, e as enchentes, já que a vegetação tem a capacidade de armazenar a água da chuva. Portanto, é tecnologia sustentável.

“Quem pretende obter a certificação LEED ou o selo Qualiverde, criado pela prefeitura do Rio de Janeiro, pode garantir alguns pontos com o uso do telhado verde”, afirma João Manuel Linck Feijó, presidente da Associação Telhados Verdes Brasil (ATVBrasil) – membro da World Green Infrastructure Network, associação internacional que tem como objetivo difundir a infraestrutura verde.

APLICAÇÃO

Telhados verdes: uma ‘floresta’ de vantagens

A estrutura montada sobre a laje, previamente impermeabilizada para receber o telhado verde, é constituída por reservatório que armazena a água da chuva e que, dependendo do produto, pode ser um único ou vários recipientes, onde é encaixado o piso elevado. Sobre o piso é colocada uma camada de argila e a manta geotêxtil, com a função de filtro para que os resíduos não passem para o lado de baixo, ou seja, o interior do sistema de reservatório. A terra e a vegetação são instaladas em seguida. As plantas são mantidas acima do nível da água para que não encharquem.

“A terra não pode ser aplicada diretamente sobre a laje, pois é pesada. Durante a chuva, aumenta ainda mais seu peso, o que pode danificar a estrutura da edificação”, alerta Feijó.

ESPECIFICAÇÃO

Para especificar o produto deve-se levar em conta o índice pluviométrico da região onde o telhado verde será instalado. Dependendo da quantidade de chuva, é necessário instalar ou não um sistema de irrigação auxiliar. Não existem espécies específicas de plantas a serem utilizadas no sistema, porém, os órgãos certificadores pedem que seja empregada uma vegetação nativa. Há, ainda, limitações técnicas: não é possível, por exemplo, plantar uma árvore em uma laje mais frágil.

Para a solução ser aplicada em um prédio novo, o engenheiro calcula o excedente de peso e dimensiona a laje para suportá-lo. Os sistemas mais completos têm capacidade de armazenar até 200 litros de água por m2 e pesam em torno de 350 kg por m2. Construções mais antigas também podem utilizar o telhado verde. Nesse caso, é necessário realizar um estudo da estrutura e definir qual o peso máximo que a laje pode suportar. E, então, optar por um produto de acordo com as características da edificação.

O SISTEMA LAMINAR

Telhados verdes: uma ‘floresta’ de vantagens

Feijó, também diretor da Ecotelhado e desenvolvedor do sistema Laminar, explica que se trata de um conjunto que inclui o telhado verde, sistema de tratamento de efluentes e cisternas. Durante a chuva, tem a capacidade de acumular grande quantidade de água e assim estará preparado para enfrentar períodos de estiagem. O Laminar também realiza o tratamento da água cinza que é conduzido até a cobertura, por meio de sistema de bombeamento, onde será purificada e utilizada para irrigar as plantas. O excedente não é descartado: pode ser utilizado, por exemplo, na descarga do banheiro.

QUALIDADE

O telhado verde ainda não possui norma técnica em vigor. No entanto, há um projeto de norma criado pelo setor e encaminhado à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que aceitou a sugestão e deve criar uma comissão para a elaboração do texto.

MANUTENÇÃO

O telhado verde é um sistema que exige pouca manutenção. “O maior cuidado que se deve ter é com o tratamento da vegetação, a exemplo do que se faz para tratar um jardim. Há os mais elaborados, que obedecem a um projeto de paisagismo e, portanto, demandam uma carga maior de manutenção. Ou então, é possível optar por um jardim mais natural, com pouca interferência do homem”, detalha Feijó.

Após período de seca são comuns algumas reclamações de que as plantas no telhado morreram, o que pode ser facilmente evitado com a irrigação realizada de maneira correta. O sistema de piso utilizado, além de ser mais leve, facilita uma futura manutenção ou retirada.

VANTAGENS

Além de ser um sistema totalmente sustentável, uma das principais vantagens é que ele não sofre por ficar exposto ao clima. “Tanto as telhas quanto o concreto, normalmente utilizados nas lajes, se degradam com o passar do tempo. Com isso, torna-se necessário impermeabilizar estes materiais, o que causa um aumento de temperatura no ambiente. A utilização do telhado verde resolve os dois problemas, o da impermeabilização e o do conforto térmico”, esclarece Feijó. A vegetação colocada sobre a laje regula a temperatura do ambiente pela evapotranspiração, reação biológica semelhante ao suor nos animais.

É bom saber

A principal dúvida de profissionais e consumidores em relação ao telhado verde é se ele pode causar infiltração na laje. Feijó diz que a preocupação não procede. “O sistema é uma solução, pois exige a impermeabilização, o que evita as infiltrações. A garantia de que a edificação não sofrerá com esse problema é muito maior com o telhado verde do que sem ele”, complementa. Segundo o presidente da ATVBrasil, quando comparado o custo-benefício do telhado verde em relação às soluções convencionalmente utilizadas, a opção sustentável é a melhor escolha. “Para garantir o mesmo isolamento térmico de um telhado verde utilizando outros produtos é necessário um investimento maior. E quando comparado a um telhado de boa qualidade, o valor do investimento na solução verde é, em geral, o mesmo”, finaliza Feijó.
Redação AECweb / e-Construmarket 


COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Telhados verdes: uma ‘floresta’ de vantagens João Manuel Linck Feijó - Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É presidente da Associação de Telhados Verdes Brasil (ATVBrasil) e representante nacional da World Green Infrastructure Network (WGIN). Foi o responsável pela criação dos sistemas de infraestrutura verde da Ecotelhado, empresa da qual é diretor.
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