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Traço para concreto usado em fundações deve privilegiar robustez e durabilidade

Estudo de dosagem precisa levar em conta a interação do elemento de fundação com o solo e resultar em concretos resistentes e impermeáveis

Texto: Juliana Nakamura

O concreto utilizado em fundações moldadas in loco, caso das sapatas diretas, dos radiers e das estacas tipo hélice contínua, precisa dispor de propriedades específicas para desempenhar seu papel com segurança. Tais necessidades exigem um estudo de traço especial, capaz de garantir resistência às agressões do solo e de assegurar uma concretagem bem-sucedida, sem paralisações. “De modo geral, quando usados em fundações, os concretos podem ser mais massivos, com maior presença de agregados graúdos. Isso tende a facilitar a aplicação e a propiciar economia”, comenta o engenheiro Egydio Hervé Neto, consultor em tecnologia do concreto.

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O concreto utilizado em fundações deve resistir às agressões do solo (SUMITH NUNKHAM/ Shutterstock.com)

SOLOS AGRESSIVOS

A elaboração de uma sondagem consistente é o primeiro passo para produzir um concreto adequado às exigências do projeto de fundações. Esse relatório deve indicar, por exemplo, se a fundação terá contato com água ou com solos com PH agressivo.

De modo geral, quando usados em fundações, os concretos podem ser mais massivos, com maior presença de agregados graúdos. Isso tende a facilitar a aplicação e a propiciar economia
Egydio Hervé Neto

Uma preocupação é garantir que o elemento de fundação esteja protegido contra o ataque de ácidos e sulfatos – que elevam a porosidade do concreto – e contra as reações álcali-agregado, que põem em risco a durabilidade do concreto e são facilitadores de corrosões em peças armadas.

Para minimizar esse risco, uma estratégia que pode ser aditada é o uso de cimentos menos porosos e, portanto, suscetíveis a esses ataques, como os pozolânicos e os cimentos de alto-forno, respectivamente CP-IV e CP-III.

FUNDAÇÕES PROFUNDAS

Além das características do solo, o método de execução do elemento de fundação é outro fator que impacta a elaboração do traço do concreto. Tecnologias como as estacas hélice contínua e as estacas escavadas exigem o uso de concreto usinado com especificação padronizada e diferente das utilizadas na execução de sapatas e radiers, por exemplo. A Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Concretagem), a Abeg (Associação Brasileira de Empresas de Projetos e Consultoria em Engenharia Geotécnica) e a Abef (Associação Brasileira de Engenharia de Fundações) recomendam, para esses casos, um traço com fck ≥​ 30 Mpa e consumo mínimo de cimento de 400 kg/m³.

Nos concretos bombeados de modo geral, torna-se ainda mais importante garantir trabalhabilidade. Afinal, o entupimento dos tubos de lançamento pode implicar em atraso no cronograma e em paralisações indesejáveis. “Nessas situações, o traço pode dar preferência ao uso de britas de menor tamanho para garantir fluidez e plasticidade suficientes para não entupir os mangotes de bombeamento”, explica o engenheiro Davidson Figueiredo Deana, sócio-diretor da Ethos Soluções.

Nessas situações, o traço pode dar preferência ao uso de britas de menor tamanho para garantir fluidez e plasticidade suficientes para não entupir os mangotes de bombeamento
Davidson Figueiredo Deana

CALOR DE HIDRATAÇÃO

As tensões de origem térmica que ocorrem por causa das reações de hidratação do cimento também demandam cuidado na elaboração do traço do concreto empregado em fundações. O problema, mais comum em concretagens de peças maiores que 50 m³ e com dimensões maiores que 1 m, acontece porque a reação da água com o cimento produz calor e, consequentemente, gera tensões de tração que podem provocar fissuras no bloco ou na estaca.

Uma prática para evitar patologias e reduzir a temperatura de lançamento do concreto é usar gelo ou água gelada para a substituição total ou parcial da água da dosagem na mistura. Também é possível recorrer ao resfriamento dos agregados graúdos com água gelada.

De acordo com o engenheiro Arcindo Vaquero y Mayor, porta-voz da Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem), outra ação eficaz é programar a concretagem para horários que garantam a menor incidência do calor e/ou lançar o concreto em camadas menores e calculadas de forma a facilitar a troca de calor com o ambiente externo.

A especificação de cimentos com baixo calor de hidratação, como o CP-III (de alto-forno), a redução do teor de agregado fino da massa, e a introdução de adições, como sílica ativa e metacaulim, capazes de trabalhar como substituto parcial do cimento, também podem colaborar para garantir que o calor de hidratação não saia do controle.

Colaboração técnica

 
Arcindo Vaquero y Mayor – Engenheiro-civil, é consultor na área de tecnologia do concreto e porta-voz da ABESC (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem)
Davidson Figueiredo Deana – Engenheiro civil e sócio-diretor da Ethos Soluções, empresa de assessoria em desenvolvimento tecnológico e processos construtivos racionalizados
Egydio Hervé Neto – Engenheiro civil especializado em tecnologia de concreto. Atua como consultor em obras com estruturas de concreto. É diretor da EHN Engenharia e Consultoria
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