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Umidade na parede: saiba como evitar e resolver

Há medidas preventivas para todas as causas dessa patologia, e as correções devem ser analisadas por profissionais com experiência

Texto: Gabriel Bonafé

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A umidade se torna visível com o aparecimento de manchas de mofo (urbans/Shutterstock.com)

Umidade na parede é uma grande vilã das edificações, pois degrada revestimentos e diminui a vida útil de elementos da obra. Na maioria das vezes, o problema se torna visível com o aparecimento de manchas de mofo.

“A umidade excessiva facilita a proliferação de microrganismos como fungos e bactérias, prejudicando a salubridade dos ambientes. Isso é particularmente dramático para indivíduos que possuem alergias ou problemas respiratórios” alerta Luiz Sérgio Franco, doutor em engenharia e pesquisador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

A umidade na parede decorre de diferentes causas, mas há medidas preventivas para cada uma delas. Conheça-as.

A umidade excessiva facilita a proliferação de microrganismos como fungos e bactérias, prejudicando a salubridade dos ambientes
Luiz Sérgio Franco

COMO EVITAR?

1- Umidade por intemperismo: ocorre quando a água da chuva penetra pela fachada ou pela cobertura. “Na fachada, raramente ocorre por causa da permeabilidade dos materiais usados, mas sim pela ocorrência de fissuras”, aponta Franco. Nos telhados, pode ser calha entupida ou instalação malfeita.

Para evitar o problema, a execução da fachada deve utilizar blocos de baixo potencial de movimentação interna, evitando o surgimento de fissuras. Além disso, projetar beirais, ressaltos, molduras e outros detalhes arquitetônicos impede a formação da lâmina de água contínua na fachada.

Na cobertura, telhados e calhas devem proteger a fachada contra a chuva. No caso de edifícios, é recomendado providenciar uma impermeabilização eficiente.

Leia também: Patologias da alvenaria: como evitar

2- Umidade por condensação: fenômeno ligado à geração de vapor nos ambientes internos, principalmente em cozinhas e banheiros. Acontece quando a condição de umidade e temperatura atmosférica permite que a água se condense sobre a superfície de paredes. “Está associado a uma ventilação inadequada desses ambientes, seja por deficiência na dimensão e aberturas de esquadrias ou pelo uso inadequado desses componentes”, completa o engenheiro.

O dimensionamento das esquadrias adequado ao ambiente basta para resolver essa questão. “Em regiões muito úmidas, por exemplo, é interessante que algumas esquadrias permitam ventilação permanente para retirar o excesso de vapor gerado nesses lugares”, constata Franco.

3- Umidade por capilaridade: problema gerado quando a parede está inadequadamente ligada com as vigas de fundação (baldrame), estabelecendo contato com o solo. Se essas paredes tiverem uma parte enterrada, em contato com o solo úmido, está criado o caminho para a entrada da umidade pela força capilar exercida pelos poros que naturalmente existem nos componentes que constituem a alvenaria”, explica Franco.

O problema pode ser evitado isolando e afastando a parede do solo úmido durante a sua execução. Isso pode ser feito com a colocação de drenos, como brita ou geotêxtil. “Se não for possível ter acesso à manutenção do sistema de impermeabilização, sua vida útil deve corresponder à da edificação”, adverte o engenheiro.

4- Umidade por infiltração: acontece quando a umidade atinge diretamente a parede, sendo muito comum em ambientes enterrados — subsolos em geral — projetados sem prevenção ao lençol freático do lado de fora.

A única maneira de fugir da infiltração é por meio de corretas especificação e execução do sistema de impermeabilização, que varia de acordo com a situação. Para saber mais, leia: Impermeabilização de paredes enterradas garante vida longa às edificações.

COMO RESOLVER?

Para sanar problemas de umidade em paredes já executadas, recomenda-se o auxílio de um profissional com experiência no assunto. “Deve ser feita uma análise minuciosa do problema para identificar a causa”, justifica Franco.

Por possuírem maior teor de acrílicos, elas [as tintas impermeabilizantes] conferem propriedades bloqueantes à percolação de água
César Serafim

O engenheiro também diz que o custo de correção, normalmente, é superior ao que seria gasto na prevenção. “No caso de umidade por intemperismo, por exemplo, a saída vai ser a de utilizar sistemas de pintura que formem uma película impermeável de grande flexibilidade e durabilidade sobre a superfície externa das paredes”, orienta.

As tintas impermeabilizantes são comercializadas, em geral, na mesma faixa de preço das tintas premium do mercado. “Por possuírem maior teor de acrílicos, elas conferem propriedades bloqueantes à percolação de água”, explica César Serafim, engenheiro do departamento técnico da Viapol.

Já para umidade por capilaridade ou por infiltração, é necessário eliminar o contato entre a parede e o solo úmido para garantir que o problema não reapareça com o tempo. Segundo Demetrius da Rocha Ramos, engenheiro civil e assessor técnico da Weber Saint-Gobain, existem argamassas impermeabilizantes no mercado que podem resolver, mais especificamente, a umidade por capilaridade.

“É necessário remover todo o revestimento da parede e aplicar o produto direto sobre a alvenaria. A aplicação pode ser tanto pelo lado interno quanto externo do ambiente”, explica Ramos. O valor do produto é cerca de quatro vezes superior ao da argamassa convencional.

Leia também:
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Colaboração técnica

César Serafim – Engenheiro Supervisor do Departamento Técnico da Viapol. Atua no segmento de impermeabilização há 21 anos e participou da impermeabilização de obras no Brasil, Uruguai, Chile e Portugal. É pós-graduado em Engenharia de Avaliações e Perícias.
Demetrius da Rocha Ramos – Formado em engenharia civil pela FESP, tecnólogo em construção civil pela FATEC-SP e pós-graduado em gestão de Marketing pela ESPM. Exerce a função de assessor técnico no departamento de marketing da Weber Saint-Gobain desde 2011.
Luiz Sérgio Franco – Engenheiro civil (1983), mestre (1987) e doutor (1992) em engenharia civil. Professor e pesquisador da Poli-USP desde 1986, atuando na área de tecnologia da construção de edifícios, racionalização e alvenaria estrutural e de vedação. Sócio diretor da ARCO Assessoria em Racionalização Construtiva, especializada em projetos de vedação vertical, alvenaria estrutural e revestimentos.
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