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Veja soluções arquitetônicas que funcionam bem em apartamentos compactos

As boas soluções do projeto de arquitetura e dos sistemas prediais auxiliam no aproveitamento máximo dos espaços de apartamentos com pequenas áreas. Confira dicas de profissionais

Redação AECweb / e-Construmarket

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Projetos em apartamentos compactos devem ser pensados para otimizar e potencializar ao máximo o espaço do imóvel (Foto: Cinematographer/ Shutterstock.com)

A linha mestra para projetos de interiores de apartamentos compactos é buscar a integração dos ambientes. “Quanto menos barreiras e divisórias, maior a amplitude visual, além de tornar o apartamento um espaço multifuncional”, diz o arquiteto Joé Guilherme Carceles, sócio-fundador do escritório Casa 100 Arquitetura.

Para o arquiteto Douglas Tolaine, do escritório Perkins+Will, em São Paulo, o projeto de interiores deve ser pensado para otimizar e potencializar ao máximo o espaço, valorizando cada centímetro. Por isso, precisa ser flexível e usar com criatividade o essencial. “Em compactos, devemos abolir soluções estáticas que tenham apenas uma função e pouco potencial de uso”, diz.

Melhores resultados são obtidos quando o projeto de arquitetura das unidades se antecipa, prevendo a relação do volume com as possiblidades de integração dos espaços. “O ideal é que o autor do projeto pense no ambiente como um todo, e não em espaços confinados”, observa Carceles. É o caso da bancada que segue da cozinha para a lavanderia, e se estende com a função de apoio para a sala de tv.

Mezanino

Apesar de menos frequentes no mercado, os apartamentos com pé-direito duplo ou, pelo menos, alto o suficiente para ter o dormitório no mezanino é solução arquitetônica interessante. “Principalmente quando os moradores preferem ter o ambiente do quarto mais reservado. O mezanino sobreposto ao térreo libera mais espaço para as demais funções”, lembra Carceles.

Entre os trabalhos realizados pela Casa 100 está o apartamento no Campo Belo, de 45 m², pé-direito duplo com mezanino e banheiro incorporados ao projeto da construtora, num total de 15 m² destinados ao dormitório. “O mezanino pode acomodar o quarto ou outro ambiente. E, dependendo de como foi instalado o sistema hidráulico, é possível construir um banheiro, deixando o lavabo no térreo”, diz.

Autor do projeto de arquitetura do empreendimento ‘You, Perdizes’, Tolaine conta que a configuração de parte das unidades é de studio, com pé-direito de 3,75 m – o que permite uma flexibilidade de layout e utilização do mezanino como dormitório, que o proprietário pode construir com estrutura metálica.

“Pensamos em criar um espaço com sensação de amplitude, por isso, o pé-direito alto se apresentou como uma boa solução. O resultado foi um apartamento que parece maior, graças a soluções inspiradas na arquitetura e engenharia naval”, destaca Tolaine, contando que foi necessário valorizar e potencializar os centímetros e, portanto, pensar no volume, no metro cúbico e não no metro quadrado.

Quanto menos barreiras e divisórias, maior a amplitude visual, além de tornar o apartamento um espaço multifuncional
José Guilherme Carceles

Varandas

As varandas, que nos últimos anos se tornaram protagonistas em apartamentos de maior metragem, alcançaram também os empreendimentos de unidades compactas. Para o arquiteto da Perkins+Will, essa área responde a um crescente movimento cultural de resgate e conexão com ambientes externos, paisagem, vistas e luz natural.

“O ambiente mais flexível e plural de um apartamento é a varanda, que permite a utilização de todo o seu potencial, já que não tem um uso tão claramente definido”, diz ele, indicando que, nesse ambiente, os caixilhos podem ir do teto ao piso, deixando a planta livre, sem pilares e paredes.

Segundo Carceles, as generosas áreas dos terraços vêm sendo muito bem aproveitadas em funções variadas. “Arquitetos e moradores têm optado por sua integração à sala, o que pede o fechamento externo do espaço com vidro e nivelamento do piso. Na maioria dos casos, as portas são retiradas, exceto quando a construtora não permite”, conta.

Há até mesmo quem prefira levar a cozinha completa para a varanda, liberando área para a sala. Ou, ainda, que queira manter a varanda como área de lazer, inclusive prevendo a utilização da churrasqueira. “Nesse caso, as portas são mantidas, para evitar que a sala seja invadida pela fumaça”, diz.

A varanda é, também, o local onde a vegetação é bem-vinda. Quando transformada em cozinha ou mesmo em área de lazer, a área pede uma horta, que pode ser vertical. Ou, apenas folhagem que humaniza o ambiente. “Nos terraços que não dispõem de ponto de água para irrigação, já é possível ter uma parede verde com o uso de plantas preservadas. São espécies naturais tratadas com elementos químicos, que dispensam água, ar e luz”, explica Carceles.

Iluminação

A iluminação é essencial nesse tipo de apartamento. “O ambiente compacto deve ser mais claro, uma vez que a iluminação ajuda a criar sensação de amplitude”, defende Tolaine.

A preferência do escritório Casa 100 nos projetos de iluminação artificial na sala é por um mix de luminárias – de piso, arandelas e abajures –, evitando as de teto. “Procuramos uma composição que torne o ambiente agradável, sem o excesso de luz central. Mas, para o cliente que gosta, incluímos a dimerização, pois assim poderá dosar o quanto deseja de claridade”, comenta Carceles, contando que já utilizou luminárias centrais suportadas por tubulação aparente de aço galvanizado no teto de concreto.

Hidráulica

Tolaine concentrou as instalações hidráulicas do ‘You, Perdizes’ em uma área específica – o que reduz a necessidade de um forro e mantém o pé-direito com altura diferenciada na maior parte da unidade.

Segundo Carceles, não há diferença entre as louças e metais sanitários que escolhe para projetos de interiores de apartamentos maiores e para os compactos. O que muda, muitas vezes, é o tamanho das cubas, menores. Mas, se o morador quiser uma banheira, terá que abrir mão de algum outro elemento no banheiro. “Nunca inserimos uma banheira nos projetos realizados”, comenta.

Portas e janelas

O ambiente mais flexível e plural de um apartamento é a varanda, que permite a utilização de todo o seu potencial, já que não tem um uso tão claramente definido
Douglas Tolaine

A substituição de portas de abrir pelo tipo de correr, principalmente do banheiro, é recurso interessante quando se trata de apartamento de pouca metragem. “As portas de abrir restringem a circulação. Ganhamos espaço quando trocamos pelas de correr”, ressalta Carceles. Ele conta que já adotou porta vai-e-vem veneziana, branca e discreta, entre a cozinha e a lavanderia, o que deu um ar de casa para o apartamento.

Para preservar a privacidade do morador que, por exemplo, tem um escritório em casa, mas também deseja amplitude, uma boa escolha são os elementos móveis, como painéis de correr ou persianas. “Fechar com paredes, nem mesmo de drywall. Em apartamentos pequenos, é comum derrubamos paredes”, diz Carceles.

O cobogó é um material coringa, tanto de concreto como de cerâmica, em qualquer ambiente do imóvel, da cozinha à sala e lavanderia. Para o arquiteto, o cobogó empresta exclusividade ao ambiente, é bonito e cumpre a função de divisória sem ser um elemento pesado. Vazado, permite a passagem de luz e ventilação.

Pintura e revestimento

Regra básica diz que ambientes pequenos pedem cores claras, de preferência paredes brancas, na busca de amplitude. Carceles se mantém fiel ao princípio, porém, acrescentando cor ou painel de madeira em alguma parede – em geral, freijó ou carvalho –, o que personaliza o ambiente. “Mas já fizemos um apartamento de 30 m² com paredes em cimento queimado e uma delas de lousa preta. Ficou ótimo”, diz.

Ele descarta o uso de qualquer tipo de material que simula a aparência do original, como os papéis de parede padrão tijolinho à vista ou revestimento cerâmico que imita madeira. “A aparência até pode ser similar, mas no toque a sensação revela que não é o material verdadeiro. Portanto, evitamos produtos que copiam outros”, conta.

Armazenagem

Sem perder espaço útil e, ao mesmo tempo, assegurando que o compacto tenha boas áreas de armazenagem, a solução recorrente nos projetos da Casa 100 é prender, no teto, estruturas metálicas que contenham prateleiras, armários ou nichos. Elas atendem as necessidades da cozinha, sala e área de dormitório, funcionando, inclusive, como divisória de ambientes.

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Colaboração técnica

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Douglas Tolaine – Formado em Arquitetura e Urbanismo pela UNIP (1995), tem ampla experiência com o dia a dia em escritórios de arquitetura ao longo de mais de 20 anos de carreira. Tem vivência em todas as fases de projeto – desde a concepção ao desenvolvimento e acompanhamento das obras. Com um vasto portfólio de projetos que vão desde edificações a interiores, faz parte da equipe da Perkins+Will, em São Paulo, há mais de 10 anos. Ocupa atualmente a posição de Design Principal do escritório. Sua afinidade e qualidade em design e conceitos arquitetônicos são reconhecidos por premiações de destaque nacional e internacional.
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José Guilherme Carceles – Arquiteto formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2011). Trabalhou em escritórios de arquitetura como Bernardes + Jacobsen Arquitetura e Simone Mantovani Arquitetura. Teve passagem por uma empresa de engenharia onde trabalhou com acompanhamento de obras. É sócio-fundador do escritório Casa 100 Arquitetura.
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