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Empreendimentos mistos ganham espaço

O conceito chegou ao país em 1960, mas se tornou tendência somente em 2009. Hoje, ganha adeptos e se espalha.



Redação AECweb

Empreendimentos mistos ganham espaço
Brascan Century Plaza, exemplo de empreendimento misto.

De janeiro a julho de 2011, o mercado imobiliário lançou 16.724 unidades na capital paulista. Esse número representa um crescimento de 3,5% em relação ao mesmo período de 2010, quando foram lançados 16.163 imóveis. Entre esses empreendimentos, a tipologia de prédios mistos vem ganhando mercado. Desde os primeiros empreendimentos, em 2009, até 2011, já são aproximadamente 20 condomínios na cidade de São Paulo. Intitulados de “autossuficientes”, reúnem prédios residenciais e escritórios, e alguns ainda possuem centro de compras e conveniência, como lavanderia e academia.

Em entrevista ao Portal AECweb, João Crestana, presidente do Secovi-SP, afirma que os empreendimentos mistos são tendência e que este modelo ainda está se iniciando. “Com a criação de polos autossustentáveis, ou seja, de ‘cidades dentro das cidades’, o tempo de deslocamento na Capital irá diminuir, gerando mais qualidade de vida para a população”. Ricardo Laham, diretor de Incorporação da Brookfield, acredita que a demanda por esse tipo de produto é universal. “É um produto vencedor”.

AECweb -  O conceito de torres residenciais e escritórios em um mesmo local surgiu em 1960, com o Conjunto Nacional. Existe alguma explicação para esse conceito ter voltado 50 anos mais tarde?
Ricardo Laham - O Conjunto Nacional é uma referência de empreendimentos mistos. O lugar era de vanguarda, de inovação, mas não é exatamente o conceito de prédios mistos que temos hoje, pois a estrutura de varejo, a utilização da logística da própria edificação, a convivência do varejo com o comercial e os outros usos são diferentes. Exemplo claro é o conceito de galerias que, nos empreendimentos de hoje, foram substituídas por um layout mais aberto, no formato praças.
João Crestana - As grandes cidades do mundo adotaram esse conceito de empreendimento de uso misto, onde é possível morar, trabalhar e se divertir, privilegiando o passeio público, em detrimento do uso de automóveis. A cidade de São Paulo, por sua extensão territorial e grande volume de carros nas ruas, tem sofrido imensamente com a mobilidade urbana. Ao defender esse tipo de empreendimento, o Secovi-SP pretende levar moradia onde há alta concentração de escritórios e vice-versa. Com a criação de polos autossustentáveis, ou seja, das ‘cidades dentro das cidades’, o tempo de deslocamento dentro da Capital diminui, gerando mais qualidade de vida.

AECweb - Podemos dizer que já é uma tendência?
Crestana - É uma tendência, mas que ainda está se iniciando.
Laham - Um modelo recente que nós desenvolvemos há uns dez anos é o Brascan Century Plaza, no Itaim, entre as ruas Joaquim Floriano e Bandeira Paulista. Lá funcionava a fábrica da Kopenhagen. Por ser um terreno muito grande seria arriscado, por questões de estratégia, apostar somente em um produto residencial, por exemplo, pois o número de unidades seria muito grande. Foi aí que percebemos que caberia mais de um produto. A solução que encontramos foi enviar profissionais para Alemanha com o objetivo de analisarem o melhor empreendimento de uso misto que existia lá. Eles passaram uma semana observando o comportamento e a rotina das pessoas. Fizeram uma imersão para ver qual o impacto não só na vida dos usuários, mas também na convivência deles com a cidade.

AECweb – E qual foi o resultado?
Laham
- Construímos em São Paulo, o BCP – Brascan Century Plaza (em celebração aos 100 anos da Brascan no Brasil). Foi um desafio, porque era uma inovação construir, no mesmo lugar, hotel, escritórios, prédios corporativos e open mall. Isso foi um marco e antecipou uma tendência que é hoje verificada em todas as grandes cidades do mundo. A principal dificuldade na cidade de São Paulo hoje é a mobilidade e isso significa perda de tempo e de economia. Em média, se gasta 2 horas por dia no trânsito e se perde no trabalho e no lazer.
AECweb – Qual seria público alvo desses empreendimentos?
Crestana – O cidadão comum das cidades, que preza pela qualidade de vida.
Laham - Ter mais de um produto no mesmo lugar acaba trazendo um valor agregado muito grande para o projeto em si e para o usuário final. Quem não gostaria de trabalhar em um escritório onde, embaixo, há um shopping para almoçar? Ou comprar um presente e ir à academia sem ter que pegar o carro?

AECweb – Qual o perfil de quem compra ou aluga?
Crestana – Nós, no Secovi, ainda não conseguimos traçar esse perfil, pois esse tipo de empreendimento é muito recente.
Laham – O perfil depende muito do bairro. Em um investimento no centro lançado recentemente, o Ca´d´oro, por exemplo, o hotel foi 100% vendido para investidores. Já os escritórios foram 50% para investidor e 50% para usuário final, enquanto as vendas do prédio residencial foram de 2/3 para usuário final e 1/3 para investidor.

Empreendimentos mistos ganham espaço
João Crestana, presidente do Secovi, e Ricardo Laham, diretor de Incorporação da Brookfield.

AECweb -  O custo dos prédios mistos ainda é elevado. Existem propostas de empreendimento misto para a classe média também?
Crestana - Essa questão dos custos, de condomínios principalmente, ainda tem que ser aprimorada. A intenção é que os empreendimentos mistos atendam ao maior número de moradores da cidade, inclusive da classe média e média baixa.
Laham - Depende muito do bairro onde o empreendimento será construído. O metro quadrado construído no Tatuapé, por exemplo, pode custar R$ 6 mil e na Vila Nova vai custar R$ 13 mil. O paulistano do Itaim não é diferente do paulistano do Tatuapé, tudo mundo vive numa mesma metrópole e a questão de mobilidade está em todo lugar. A demanda por esse tipo de produto é universal.

AECweb – Mas como fica a questão de falta de terrenos em certas regiões da capital?
Laham - Como hoje os terrenos estão muito escassos, principalmente nas regiões mais centrais, as áreas que antes eram usadas por indústrias, galpões ou armazéns se tornaram áreas propensas a esse tipo de produto. Já realizamos construções mistas na Vila Leopoldina e no Centro. É uma tendência que não tem volta, vai acontecer, já está acontecendo. Além disso, esses produtos têm maior valor agregado. O cliente e o usuário final, ou o cliente e o investidor, vão ter muito mais oportunidade nesses empreendimentos do que nos tradicionais. Eles preferem investir e até pagar mais para estarem num lugar pelo qual sempre haverá interesse mercadológico, além de preservar a integração com a cidade. É um produto vencedor.

Redação AECweb

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