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Facility management, profissão de hoje e do futuro

Presidente da ABRAFAC, Francisco Abrates comenta a atuação do profissional de facility management

Entrevista: Francisco Abrantes

Facility management, profissão de hoje e do futuro

A atuação do profissional de facility management no mercado brasileiro cresce, assim como sua especialização e amplitude de atuação. Francisco Abrantes, presidente da Abrafac – Associcação Brasileira de Facilities, revela em entrevista ao AECweb que esses profissionais movimentam em torno de R$ 100 bilhões por ano no universo constituído por milhares de edifícios, condomínios e empresas no país. Sob o ‘guarda-chuva’ da área de facilities estão os departamentos e atividades chamadas de back office e de infraestrutura, que podem ter seus custos operacionais reduzidos em até 20%.

Redação AECweb

AECweb – Quem é o profissional de facility management?
Abrantes -
É o profissional que cuida das áreas de operações, estrutura e administração das empresas, desde um edifício corporativo a um shopping center, hospital, condomínio residencial, passando por cidades privadas. É uma reconfiguração profissional do antigo gerente de serviços gerais, gerente de manutenção, gerente de arquitetura e gerente administrativo. Cabe ao facility gerenciar as operações de back office e infraestrutura voltadas para os sistemas prediais e para o dia-a-dia da empresa.

AECweb – O profissional de facility atua em empresas administradoras ou diretamente nos empreendimentos?
Abrantes -
Tanto em grandes empresas administradoras, geralmente estrangeiras, como ‘in house’, principalmente nos edifícios corporativos. Neste último caso, segundo as pesquisas da Abrafac, encontram-se as mais diversas acepções para essa profissão, desde gerente de serviços gerais, gerente de administração, gerente de infraestrutura até gerente de manutenção e obras, e gerente de suprimentos e manutenção. Outras empresas já assumiram o novo conceito e entendem esse profissional como um grande gerenciador de facilidades.

AECweb - Qual é o perfil desse profissional?
Abrantes -
Tem que falar inglês e ter nível superior. Sua formação predominante é engenharia, depois vêm outras como administração de empresas, arquitetura e direito. Entre suas características está a multidisciplinaridade e a facilidade para o relacionamento interpessoal, pois ele lida com os vários níveis hierárquicos da empresa. É uma profissão de futuro, especialmente desse futuro para o qual o Brasil se prepara e que passa pela Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas 2016. O profissional de Facility Management está saindo um pouco da operação e tomando acento na parte tática e estratégica de muitas empresas. Nos grandes centros brasileiros, esse profissional movimenta algo em torno de R$ 100 bilhões por ano em aproximadamente 30 mil prédios, 9 mil hospitais e outros tantos números. É uma área enorme, com possibilidade absoluta de crescer.

AECweb – O custo de operação de um edifício é bastante elevado?
Abrantes -
Dados da BOMA - Building Owners and Managers Association International – mostram que do total investido num prédio ao longo de seus 50 anos de vida útil, 2% se referem à concepção e ao projeto; entre 10% e 15 % são consumidos na fase de construção; e o restante na manutenção e operação do empreendimento.

AECweb – O empreendimento gerenciado por um profissional de facility reduz seus custos operacionais?


Abrantes -
A Abrafac apurou em pesquisas realizadas no mercado que a presença de um profissional de facility pode reduzir em até 20% o custo de operação das empresas. Isto é possível quando se cria um grande ‘guarda-chuva’ e, sob ele, são consolidadas áreas até então espalhadas dentro da empresa, principalmente de RH, Operações e Finanças. Isto propicia ao facility a aplicação de todas as ferramentas de gestão, atingindo, conseqüentemente, a otimização dos processos, maximização dos recursos e elevação do padrão da qualidade desses serviços.

AECweb – Ou seja, a idéia é reunir essas atividades num único departamento?
Abrantes -
Sim, porque todas essas atividades centralizadas permitem uma visão abrangente. Quando estão pulverizadas em vários departamentos impedem a percepção do valor e do nível dos serviços prestados e da demanda da empresa. Um exemplo disso é a central de office boy: quando a empresa tem office boys alocados em cada diretoria, cada gerencia, cada departamento, é impossível dimensionar esse serviço. Ao serem reunidos numa central, se tem uma visão clara do conjunto, o que permite maximizar esse recurso. De imediato, é possível economizar, sem reduzir o nível de serviço e com a criação de padrões e de SLA - contrato de nível de serviço.

AECwebÉ possível, também, baixar o custo do condomínio residencial?
Abrantes - 
Sem dúvida nenhuma, a área de Facility Management está sendo apresentada pelo mercado imobiliário como um plus para os potenciais compradores dos empreendimentos lançados. Hoje, muitos condomínios contam com um profissional capacitado e, certamente, com um serviço e recursos de qualidade. Procuramos imprimir nos condomínios residenciais, assim como nos comerciais, uma gestão adequada das utilidades que são, basicamente,  energia elétrica, água e gás.

AECweb – Quais as ações para reduzir custos com energia e água?
Abrantes -
Em energia elétrica é preciso ter todo o cuidado para a contratação dentro dos parâmetros que o mercado possibilita. Ou seja, dependendo do volume utilizado pode ser adquirida no mercado aberto de energia e não, necessariamente, das concessionárias. Podem ser utilizados recursos para reduzir o custo com a água, através de sistemas de tratamento e reuso de água de chuva e de águas cinzas. A implantação de programas de coleta seletiva de resíduos chega a gerar receitas para o condomínio, ao vender o material pré selecionado para empresas recicladoras. Em contrapartida, fica reduzido o volume de lixo orgânico que o condomínio paga para ser coletado.

AECweb – Cabe ao facility sugerir e implementar práticas e tecnologias sustentáveis?
Abrantes -
Sem dúvida, é o facility quem vai sugerir. Mas, a decisão geralmente não cabe a nós, pois estamos num nível intermediário, principalmente quando essa ação exige investimentos significativos. Desenvolvemos o estudo de viabilidade técnica, econômica e financeira, inclusive do payback desse investimento. Nós, da Abrafac, procuramos alertar os profissionais de facility para evitar ações de ‘greenwash’, ou seja, de adotar medidas do tipo ‘lavada verde’ nos prédios e nas empresas, sem implementar uma cultura de sustentabilidade, sem mudar hábitos. Um exemplo bem simples é quando se implanta a coleta seletiva de lixo apenas colocando no condomínio os coletores coloridos: é preciso dar um destino adequado a esse resíduo e comprometer os condôminos.

AECweb – A terceirização da mão de obra é uma solução?
Abrantes -
É preciso aplicar no condomínio as práticas de gestão para orientar os serviços terceirizados, a começar pela contratação adequada. Isto significa deixar de contratar mão de obra e passar a contratar nível de serviços: eu não vou contratar pessoas para limpar o condomínio, mas uma empresa para manter o meu condomínio limpo. Parece que é uma questão de abordagem, mas tem grande amplitude porque vou deixar de controlar quantas pessoas estarão ali trabalhando e passar a exigir da empresa que o condomínio esteja limpo. E qualquer variação de indicador de performance equivale a uma penalidade.

AECweb - Os hospitais também terceirizam os serviços?
Abrantes -
Cultural e tradicionalmente, a área hospitalar não acompanha o movimento de terceirização das áreas de performance, por entender que tem que manter uma equipe interna. Os próprios hospitais qualificam essas equipes sobre as quais têm 100% de controle. Já trabalhei na área e entendo que essa postura é meramente cultural, pois tem empresas no mercado especializadas nesse segmento e prestam um serviço adequado.

AECweb - A inspiração do facitily é americana?
Abrantes -
Predominantemente americana. Porém, o conceito de um guarda chuva sob o qual funcionam várias atividades do empreendimento é mais brasileiro. Nos Estados Unidos, o facility management é voltado para limpeza, manutenção e algumas áreas correlatas. Tropicalizamos muita coisa e avançamos para um modelo brasileiro que criou, inclusive, outras concepções administrativas como os denominados centros de serviços compartilhados dentro das empresas. Tudo estruturado, alinhando e organizado para prestar serviços para uma empresa ou para um pool de empresas. Há muitos casos no Brasil de holdings que retiraram toda a área de back office das suas várias empresas e as organizaram num só modelo, que passou a prestar serviços para suas unidades de negócios. Surge aí o ‘negócio atrás do negócio’, pois há empresas com uma massa crítica tão grande que já estão prestando serviços para o mercado, são administradoras de serviços.

Redação AECweb

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