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ABECE

ABECE - Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural

ABECE

Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural

EntidadeSão Paulo, SP
Telefone:(11) 3097-8591

ABECE investe na formação do engenheiro estrutural

Entrevista: Jefferson Dias de Souza Junior, presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE)

Entrevista: Jefferson Dias de Souza Junior, presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE)

Abece
Devido à grande evolução das últimas décadas, o volume de conhecimento a ser passado para o aluno de engenharia aumentou consideravelmente, ao passo que a carga horária dos cursos de graduação foi no sentido inverso, diminuindo drasticamente.

Redação AECweb / e-Construmarket

Para Jefferson Dias de Souza Junior, recém-empossado presidente da Abece, a engenharia brasileira se mantém no ranking das melhores do mundo. Porém, diante da evolução tecnológica dos últimos anos, é preciso melhorar o conteúdo e a forma de ensino nas universidades. O mais grave é que esses cursos não formam o projetista estrutural, que é obrigado a cumprir o que Souza Junior chama de ‘residência’ em escritórios especializados. Na entrevista a seguir, ele chama a atenção, ainda, para a importância de contratação da Avaliação Técnica de Projeto (ATP), que pode evitar falhas estruturais, muitas vezes sérias.

AECweb - Quais os principais desafios da gestão que se inicia à frente da ABECE?
Jefferson Dias de Souza Junior - Cada gestão tem um novo desafio e, também, muitas ações em andamento. Nesse momento político e econômico complicado que estamos atravessando, houve uma redução considerável de projetos na construção civil, e muitos escritórios tiveram que enxugar suas equipes. Aproveitaremos esse período em que os profissionais possam estar dispondo de mais tempo para oferecer cursos de extensão a todos os participantes da cadeia de Projetos Estruturais – esta é uma oportunidade também aos jovens engenheiros que estão se formando.

AECweb - A ABECE também participa da produção de normas técnicas?
Souza Junior - Sim, a ABECE tem como prerrogativa participar ativamente das revisões das normas, como a de Cargas nas Edificações, com última emissão em 1980. Neste mês, foi instalada a Comissão de Revisão da Norma de Vento (NBR 6123), de 1988. Para esses trabalhos voluntários, necessitamos de profissionais altamente capacitados e com disposição para enfrentar o desafio. Outra meta da nova diretoria é estreitar o relacionamento que mantém com as entidades correlatas, de modo a contribuir com um novo futuro da arte do projeto pela tecnologia BIM (Building Information Modeling, ou Modelagem de Informações da Construção). Estamos engatinhando na troca de informações com a cadeia produtiva desse novo modelo de interação entre os profissionais.

AECweb - Estruturas metálicas e de concreto: qual evolui mais rapidamente e é melhor aproveitada pela construção civil?
Souza Junior - As duas alternativas já consagradas estão em constante evolução. A solução em estrutura metálica em geral atende à solicitação do arquiteto, em função do resultado final imaginado; à velocidade maior da obra requerida pelo tipo de empreendimento; e a outros diversos argumentos. No Brasil, a estrutura de concreto moldada in loco, sem dúvida, representa o maior percentual de obras em desenvolvimento. Há, porém, bastante espaço para o crescimento das soluções em metálica e em pré-fabricado de concreto.

AECweb - O Brasil tem registrado graves acidentes envolvendo estruturas importantes e, em geral, a apuração culpa o engenheiro. Por quê?
Souza Junior - Nos acidentes registrados, a culpa é do ser humano, pois ele é o responsável pelo processo construtivo. A ABECE tem se posicionado e se colocado ao lado dos órgãos públicos para avaliar e acompanhar as respectivas investigações, dando suporte técnico. Ao mesmo tempo, identificamos preciosas informações que são repassadas a toda a cadeia de engenheiros estruturais, para que casos semelhantes não venham a se repetir. Cito a Avaliação Técnica de Projeto (ATP), que é a contratação de outro profissional ou escritório para acompanhar o desenvolvimento de um determinado projeto. Na maioria dos casos em que há constatação de falhas de projeto, se tivesse sido contratada a ATP, dificilmente teriam acontecido, pois o seu conceito é assegurar à estrutura condições de se buscar o melhor desempenho.

AECweb - A engenharia brasileira ainda é considerada uma das melhores do mundo?
Souza Junior - Sim, temos uma equipe de profissionais que tem a mesma qualificação e, em alguns casos, até maior que engenheiros de outros países. O que temos de melhorar é o ensino da engenharia civil nas escolas. Devido à grande evolução das últimas décadas, o volume de conhecimento a ser passado para o aluno aumentou consideravelmente, ao passo que a carga horária dos cursos de graduação foi no sentido inverso, diminuindo drasticamente. Temos, ainda, que discutir como ensinar. Atualmente, a evolução tecnológica dos computadores e programas é muito rápida, seja para se adequar a novas prescrições normativas, seja para agregar novas configurações. Neste sentido, a ABECE está estudando a retomada do curso de pós-graduação, com o intuito de formar profissionais que pretendam trabalhar na área estrutural.

A ABECE está estudando a retomada do curso de pós-graduação, com o intuito de formar profissionais que pretendam trabalhar na área estrutural.

AECweb - A formação dos engenheiros de estruturas corresponde ao que há de melhor internacionalmente?
Souza Junior - Não. Atualmente, as escolas de engenharia não formam no curso superior especialistas na área estrutural. Para a formação destes engenheiros, há necessidade de fazer uma espécie de ‘residência’ em escritórios especializados, para que possam se aprimorar em áreas de tanta responsabilidade. Consideramos muito temerário que um recém-formado esteja tecnicamente habilitado a ser contratado para desenvolver qualquer tipo de estrutura, independente de seu porte, sem o acompanhamento de um profissional com mais experiência e conhecimento técnico. Para não ficar desatualizado, todo profissional deve, independentemente de seu tempo de atuação na área, participar de cursos que aprimorem e agreguem conhecimento. Por exemplo, no mês de julho, a ABECE promoveu um curso internacional com os professores Aurelio Muttoni, da Escola Politécnica de Lausanne, e Miguel Fernández Ruiz sobre os modelos de bielas e tirantes e de campos de tensão.

AECweb - A engenharia estrutural é valorizada no país, inclusive sua remuneração? O que falta?
Souza Junior - O intuito da ABECE é que haja a valorização do profissional. Temos trabalhado desde a fundação da entidade, em 1994, com a cadeia produtiva para mostrar que bons projetos devem ser bem remunerados, pois resultam em economia significativa na construção e, consequentemente, na redução de custos para o cliente. De qualquer maneira, somos pouco conhecidos fora do meio técnico. Quando há algum acidente em uma edificação de grande porte, somos chamados. Mas quase ninguém, ao comprar um apartamento, pergunta: “De quem é o Projeto Estrutural?” ou “Quem é o Calculista?”.

AECweb - Qual é o setor, na sua opinião, que melhor reconhece o trabalho dos projetistas, o privado ou o público?
Souza Junior - Os dois mercados reconhecem o trabalho dos projetistas. Logicamente, obras públicas que são emblemáticas e se tornaram ícones, como a Ponte Estaiada da Avenida Roberto Marinho (São Paulo/SP), ou obras como as desenvolvidas para as Olimpíadas (Rio de Janeiro/RJ), têm uma visibilidade maior e, consequentemente, um reconhecimento maior de quem as desenvolveu. No setor privado, o reconhecimento já não tem a mesma visibilidade da mídia, mas, sem dúvida, o trabalho da ABECE tem ajudado nesse difícil caminho de tornar conhecido o projetista estrutural.

AECweb - Qual é o impacto da paralisação de grandes obras de infraestrutura no país?
Souza Junior - Há uma redução da velocidade nas obras de infraestrutura e, na realidade, muitas estão paralisadas. Pensando-se apenas na obra em si, já teremos um grande prejuízo, pois o custo final dessa obra parada ou com velocidade reduzida é muito maior. Mas o pior efeito é a falta dessa obra pronta. Na área de saneamento, isso custa vidas, e, na área viária, aumenta o custo final dos produtos em geral. Isso só para citar dois exemplos.

AECweb - Qual é a avaliação da ABECE sobre o projeto de Lei das Licitações, que estabelece contratação apenas com base em anteprojeto de engenharia?
Souza Junior - Este é um assunto delicado. Projetos executivos têm um tempo maior de maturação e exigem um volume de informações muito superior ao do anteprojeto. Imagine o projeto executivo de duplicação de uma rodovia com várias obras de arte, drenagem, galerias, túneis etc. Em paralelo a isso, tivemos vários acidentes recentes de obras contratadas apenas segundo a avaliação do projeto básico. O assunto é polêmico e está longe de se encontrar um ponto de equilíbrio.

Colaboração técnica

ABECE
Jefferson Dias de Souza Junior– Formado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia de Piracicaba / Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba/SP (EEP-FUMEP), concluiu os cursos Projetos de Edifícios Altos em Concreto Armado e Projeto de Estruturas - Hiperestáticas Esbeltas de Concreto Armado pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (FDTE-EPUSP). É conselheiro do Clube dos Empreiteiros e sócio-diretor da JDS Projetos S/C Ltda. É um dos sócios-fundadores da ABECE e, além de membro da diretoria em diversas gestões, foi vice-presidente de relacionamento no período de 2014 a 2016.

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