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SINAENCO - Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva

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Grandes eventos deixam seu legado

Em entrevista ao AECweb, o Presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) aborda as dificuldades enfrentadas pelo setor da Construção Civil

Entrevista: João Alberto Viol - Presidente do Sinaenco

Redação AECweb / e-Construmarket

Em 2005 o Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) lançou em São Paulo, e depois em todo o país, a Campanha pela Manutenção do Ambiente Construído, também chamada de campanha do Prazo de Validade Vencido. Como resultado, segundo o presidente nacional do sindicato, João Alberto Viol, algumas capitais, a exemplo de São Paulo, criaram programas permanentes de manutenção em pontes e viadutos. Agora, ao completar 25 anos, o Sinaenco lança uma nova campanha intitulada ‘Olho no Futuro’, que pretende estimular a população de grandes centros urbanos a pensar e planejar as cidades para as próximas duas décadas.

Nesta entrevista ao AECweb, Viol fala da importância do planejamento e do projeto ao tecer comentários sobre esta campanha, as dificuldades enfrentadas atualmente pelo setor da Construção Civil e sobre o legado positivo que a Copa do Mundo e as Olimpíadas deixarão ao País.

AECweb - O que o Sinaenco comemora ao completar 25 anos?
João Alberto Viol – Comemoramos, principalmente, nossas ações junto à sociedade visando valorizar a engenharia, o planejamento e o projeto como forma de contribuir com o desenvolvimento do País. Não olhamos apenas nossos feitos, mas também nos preocupamos com a implantação de melhorias para os próximos 25 anos. Comemoramos as conquistas e planejamos o futuro.

AECweb
– Qual feito do Sinaenco pode ser destacado nesses 25 anos?
J.A.V. – Temos algumas campanhas de sucesso, como a do Prazo de Validade Vencido, voltada para a recuperação de pontes, viadutos e estradas. Fizemos o alerta da necessidade de manutenção permanente da infraestrutura pública, pois ela se deteriora caso não seja constantemente recuperada. Esse movimento foi realizado em todas as capitais brasileiras e resultou em programas para o ambiente construído. São Paulo foi uma das capitais que passou a manter um programa permanente de recuperação da infraestrutura pública. Outra campanha que levamos a efeito, esta mais recente, foi em relação à Copa do Mundo de 2014, visando alertar a sociedade de que é preciso planejar e projetar os eventos de modo correto para impulsionar a economia do País. Lançamos, inclusive, o Portal 2014, que leva essa mensagem à população e já conta com alguns milhões de visitantes.

AECweb - Como os eventos Copa do Mundo e Olimpíadas podem ajudar no desenvolvimento do País?
J.A.V. - Os grandes eventos podem colaborar à medida que estejam dentro de um plano que priorize obras de infraestrutura, melhorando a qualidade da mobilidade urbana, modernizando portos e aeroportos. Os próprios estádios, que têm características de arenas multiuso, depois dos jogos servirão para receber eventos de interesse social. Portanto, deveria ter sido feito um planejamento global para cada estádio, determinando como será seu uso após os jogos da Copa. Sabemos que algumas capitais, como Cuiabá e Natal, não têm tradição esportiva. Organizar shows e eventos é uma atividade cara e, se não houver planejamento, existe a possibilidade de algumas arenas se tornarem ‘elefantes brancos’. Corremos esse risco.

AEweb - Qual o legado que a Copa deixará aos brasileiros?
J.A.V. – A Copa do Mundo e as Olimpíadas deixarão para o país o legado físico, socioeconômico e institucional. Como físico podemos citar as instalações de novos equipamentos de infraestrutura urbana, sistemas de transportes, a construção dos estádios, de hotéis, a modernização dos portos e aeroportos. Na área socioeconômica teremos a geração de empregos, com o treinamento de inúmeras pessoas. Elas serão treinadas para receber os turistas e capacitadas a participar da organização de eventos. Temos, ainda, o legado institucional para o país, representado pelo ganho de experiência em organizar, realizar e fazer a gestão de grandes eventos.

AECweb – O saldo será positivo?
J.A.V. - Podemos dizer que o país irá auferir ganhos com a realização da Copa do Mundo de 2014 e com as Olimpíadas em 2016. Entretanto, o resultado será aquém do que poderíamos obter se as ações tivessem sido bem planejadas. Eventos como estes sempre devem ser encarados como um desafio ao desenvolvimento.

AECweb - Há quem diga que o Brasil terá prejuízos com a Copa do Mundo. O senhor também tem essa opinião?
J.A.V. - Não diria que teremos prejuízos, pois é bem possível termos algum saldo positivo. Entretanto, reforço meu alerta de que temos arenas em cidades sem tradição esportiva e as obras de mobilidade urbana nesses municípios podem ter sido mal planejadas, superdimensionadas... Mas isso só o tempo dirá.

AECweb – As obras para esses eventos geraram demanda para a Construção Civil. Qual o balanço que o senhor faz do setor?
J.A.V. – Nós tivemos um grande desenvolvimento a partir de 2008, impulsionado pelo momento favorável da economia na época. Mas, de 2010 para cá, sofremos uma queda e isso se reflete na iniciativa privada, na área imobiliária e começa a ter impactos, também, no setor público. Vivemos um momento de incertezas, a economia não cresce como deveria e a inflação começa a assustar. O governo federal precisa mudar os rumos da política econômica para que tudo volte a funcionar como antes.

AECweb – Qual é a perspectiva que o Sinaenco tem para o setor?
J.A.V. – Nos temos a obrigação de ser otimistas, portanto, esperamos crescimento para os próximos anos. Em 2013 chegamos a um patamar mínimo de atividade. A área pública está parada. Diante disso acreditamos que o ano que vem será melhor. A afirmação do ministro dos Transportes, Cesar Borges, de que o governo publicará os editais para licitações para contratar obras em rodovias federais ao longo do segundo semestre deste ano vem em boa hora. A construção em estradas movimenta grande parte das empresas de engenharia. Essa área é a que mais investe, e o processo de licitação pode reanimar o setor. É um sinal positivo.

AECweb – Como parte das comemorações de seus 25 anos o Sinaenco lançou a campanha Olho no Futuro. Qual o objetivo?
J.A.V. – Nossa proposta é mostrar à população a necessidade do país pensar e planejar o seu futuro. O grande mote é tentar fazer o cidadão imaginar sua cidade nos próximos 25 anos. Tomamos como exemplo a cidade de Londres que, em 2005, quando foi indicada para receber as Olimpíadas de 2012, levou três anos planejando e projetando o evento. Esse planejamento ultrapassou a data da competição por mais de 12 anos. Nós estamos projetando o país para os próximos 25 anos, estimulando o cidadão a pensar e planejar os grandes centros urbanos, tendo como horizonte o ano de 2038.

AECweb - Quando serão realizados os concursos de ideias com a participação da sociedade previstos na campanha?
J.A.V. – Já estamos recebendo sugestões pelo site www.olhonofuturo.org.br Por enquanto estão chegando as propostas da cidade de Belo Horizonte, mas a expectativa é que os moradores das demais capitais do país também participem.

AECweb – E os eventos técnicos previstos para as capitais, já estão sendo realizados?
J.A.V. – Sim. O primeiro foi realizado em Belo Horizonte, no último dia 22 de maio. O próximo será em julho, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A cidade de São Paulo deve sediar o último seminário da campanha. Embora os encontros técnicos ocorram em 2013, o objetivo é que as discussões e propostas continuem nos próximos anos. No próximo dia 5 de dezembro, durante a posse da nova diretoria, lançaremos o livro sobre os 25 anos do Sinaenco e também o balanço das propostas apresentadas pelas capitais.

AECweb – O Sinaenco também apresentará suas sugestões?
J.A.V. - O sindicato não pretende apresentar nenhuma ideia para não haver direcionamento. O objetivo é colher o que surgir no seio da sociedade, pois cada centro urbano tem as suas características e esperamos propostas inovadoras. Quero enfatizar que o papel do Sinaenco é mostrar a importância do planejamento e do bom projeto para a melhoria da qualidade de vida nas grandes cidades. Acreditamos ser isso o que mais interessa à população.


COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

João Alberto Viol – Engenheiro Civil formado pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) em 1975. Foi assistente de diretoria do Departamento de Água e Esgoto de São Bernardo do Campo; diretor técnico da Companhia de Construções Escolares do Estado de São Paulo; diretor técnico da Superintendência de Desenvolvimento do Litoral Paulista; diretor de obras e diretor executivo da Fundação para o Desenvolvimento da Educação; diretor de engenharia da SABESP; presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES); e presidente da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente (APECS). Atualmente é diretor da JHE Consultores Associados, membro permanente do Conselho Diretor da ABES e Presidente Nacional do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco).

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