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Indústria de materiais se prepara para a retomada da economia

Entrevista com Rodrigo Navarro, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat)

Entrevista com Rodrigo Navarro, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat)

As vendas para o varejo continuam, desde o final de 2017, puxando o faturamento da indústria de materiais de construção. No segundo semestre de 2018, esperamos uma contribuição maior das vendas para as construções imobiliárias residencial e comercial

Redação AECweb / e-Construmarket

Em fevereiro, Rodrigo Navarro assumiu a presidência executiva da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), sucedendo Walter Cover, que esteve à frente da associação por quase sete anos. Com vasta experiência acadêmica no Brasil e no exterior e atuação em setores diversos, como o automobilístico e o de telefonia, Navarro identifica uma série de oportunidades para a evolução da indústria de materiais. Em entrevista ao Portal AECweb, ele fala da importância do setor, da forte queda no faturamento das empresas em 2015 e da fase atual, na qual estão se organizando para o momento em que o país retomar seu crescimento.

AECweb – Qual a sua avaliação do setor da construção civil, mais especificamente da indústria de materiais?
Rodrigo Navarro – O setor da construção civil é um dos mais importantes do país, dada a sua sinergia com a economia, a capacidade de geração de empregos, a atração e promoção de investimentos e o fomento à inovação. A cadeia produtiva da construção representa 7,5% do PIB brasileiro. Desse percentual, a indústria de materiais detém aproximadamente 11%, algo como R$ 55 bilhões (dados da Fundação Getulio Vargas [FGV], de 2016). É também um setor com alto potencial de melhoria da competitividade e produtividade em termos globais, conforme indicam vários estudos, como os da Mckinsey, do World Economic Forum e da FGV.

AECweb – Essa tendência também se estende ao setor no Brasil?
Navarro – Sim, porque há muito a ser feito. Essas melhorias, em linha com o que ocorre em outros setores, têm estreita ligação com os avanços tecnológicos. No caso específico do setor de materiais de construção, temos bons exemplos, como as smart cities e a Estratégia Nacional de Disseminação do BIM (Building Information Modelling), recentemente aprovada pelo governo federal, que contou com nossa contribuição em grupos de trabalho, juntamente com nove ministérios e outras instituições.

AECweb – O processo de desindustrialização do país também atinge o setor de materiais de construção?
Navarro – Segundo nossos levantamentos, 65% das empresas indicam a realização de investimentos nos próximos 12 meses, porém, mais voltados à modernização do parque industrial do que à expansão da capacidade produtiva. Isso ocorre principalmente em função da diminuição da demanda nos últimos anos. Com a recuperação da economia, as empresas estarão prontas para esse cenário do ponto de vista de processos e tecnologias, podendo ajustar sua produção, quando necessário, para atender a uma demanda crescente.

AECweb – Como a cadeia da construção civil brasileira é impactada por esse processo?
Navarro – É um processo de adequação. Esse equilíbrio entre maximização do uso da capacidade instalada e a modernização das instalações é buscado por todos. No caso da indústria de materiais, nossos dados indicam que o nível de utilização da capacidade instalada foi de aproximadamente 70% no último ano.

Nossa expectativa é de fechar 2018 com um número positivo. Desde o início do ano temos mantido essa previsão em +1,5%, ressaltando sempre que fatores externos podem provocar solavancos nesse processo.

AECweb – Qual é a atual conjuntura do setor de materiais? O mercado “formiga” continua puxando o faturamento dessas indústrias?
Navarro – As vendas para o varejo continuam, desde o final de 2017, puxando o faturamento da indústria de materiais de construção. No segundo semestre de 2018, esperamos uma contribuição maior das vendas para as construções imobiliárias residencial e comercial. Já no caso das vendas para obras de infraestrutura é aguardada uma recuperação somente em 2019, já com o novo governo.

AECweb – Quais as políticas e ações serão desenvolvidas em sua gestão na Abramat?
Navarro – Estamos trabalhando em duas frentes. A primeira, cuidando do que está na base: conformidade técnica, conformidade fiscal e capacitação. São três pilares essenciais e, sem eles, não há como avançar. Precisamos cuidar muito disso ainda. Por exemplo, há problemas como fabricantes produzindo ou importando materiais não conformes, revendedoras comercializando produtos não conformes e consumidores adquirindo materiais não conformes.

AECweb – Há outras preocupações?
Navarro – Ao mesmo tempo em que cuidamos dessa base, temos de nos preocupar com o fomento de demanda e estímulo à inovação. Nesse âmbito, estamos trabalhando para a efetiva inclusão do setor nas iniciativas envolvendo Indústria 4.0 e um ambiente regulatório adequado para isso. Um exemplo são as iniciativas envolvendo o que chamamos de “Canteiro 4.0” ou construção industrializada. Já temos um grupo de trabalho que reúne vários associados, para fazer diagnósticos e buscar dados, informações e benchmarks que apoiem as conclusões obtidas. E, sobretudo, para oferecer propostas concretas para resolver as questões identificadas.

AECweb – O que o setor espera para a economia no restante do ano?
Navarro – Esperamos que 2018 seja um ano de preparação para uma recuperação. Estamos vindo de quedas no faturamento deflacionado acumulado, comparado com o mesmo período do ano anterior, de -7,2% em 2015, -13,5% em 2016 e -3,2% em 2017. Nossa expectativa é de fechar 2018 com um número positivo. Desde o início do ano temos mantido essa previsão em +1,5%, ressaltando sempre que fatores externos podem provocar solavancos nesse processo. A recente greve dos caminhoneiros, o patamar mais alto do dólar e o processo eleitoral são alguns exemplos. Ainda assim, independentemente de ‘ficar na torcida’, estamos trabalhando muito para que a economia tenha um crescimento sustentável e, por conseguinte, o nosso setor também.

 

Colaboração técnica

Rodrigo Navarro – É presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) e tem 28 anos de experiência como executivo, consultor e acadêmico. Desenvolveu a carreira em múltiplos setores, atuando em empresas como BMW, Xerox, Nokia, Philip Morris, Telemar, Copersucar, Syngenta, Abraciclo e Fundação Getulio Vargas (FGV). Engenheiro de produção graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com master pela FDC/Insead e MBA pela Coppead, está concluindo o doutorado pela École Superieure de Commerce de Rennes, na França. É autor de artigos publicados Brasil e no exterior, além de livros sobre estratégia e relações governamentais, e professor em vários MBAs da FGV desde 2000, sendo idealizador e coordenador do primeiro MBA em Relações Governamentais do Brasil nas unidades da FGV em Brasília e no Rio de Janeiro.

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