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O valor dos projetos de engenharia

Em entrevista ao Portal AECweb, Suely Bacchereti Bueno ressalta a importância da disseminação de uma cultura de contratação de bons projetos e da fiscalização efetiva para redução dos acidentes em obras

Entrevista: Suely Bacchereti Bueno, presidente da ABECE

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A maioria dos contratantes não enxerga que para receber um bom projeto precisa remunerar adequadamente os projetistas. As pessoas não percebem que não existe milagre; se alguém te oferece um produto por um preço inferior ao mercado, com certeza ele não terá a mesma qualidade

Redação AECweb / e-Construmarket

Os escritórios de projetos de engenharia continuam a todo vapor para atender a demanda da construção civil do país. Mas permanece a questão central da remuneração do projeto, ainda aquém do que o setor considera justo. Em entrevista ao portal AECweb, Suely Bacchereti Bueno, presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE), ressalta a importância da disseminação de uma cultura de contratação de bons projetos e, também, da fiscalização efetiva para a redução dos acidentes em obras, como os verificados nos últimos anos.

AECweb – Qual o balanço que a ABECE faz do desempenho do setor da construção civil brasileira em 2013?
Suely Bacchereti Bueno – É muito difícil para nós pontuarmos o que foi feito em 2013. Os projetos são longos e na maioria das vezes demoram mais de um ano para serem desenvolvidos. Existem várias etapas, cada uma delas com intervalos para validações e aprovações legais, o que tira um pouco a nossa noção de tempo de desenvolvimento do projeto. O que a gente pode sentir é que os escritórios continuam trabalhando muito para atender as demandas do mercado.

AECweb – Há uma evolução da qualidade das obras no país?
Suely
– Acredito que qualquer pessoa perceba a evolução das obras no Brasil. A melhora da qualidade em todas as fases da construção é uma meta que está sendo conquistada aos poucos. No que se refere ao usuário final, acredito que estamos avançando mais rápido e vamos acelerar ainda mais com as exigências da Norma de Desempenho. Ainda temos alguns problemas de qualidade durante a execução, mas na realidade são um prejuízo para o empreendimento em si e não para o consumidor final.

AECweb – Qual a visão da entidade sobre os vários acidentes ocorridos com obras, desde os pequenos prédios que desabaram até situações mais complexas nos estádios da Copa?
Suely
Temos dois mundos na nossa engenharia, separando os empreendimentos em duas categorias bem distintas. A primeira delas abriga os investidores responsáveis que se preocupam com o empreendimento que vão realizar, se cercam de pessoas competentes para representá-los, pois muitas vezes são leigos no assunto. Preocupam-se em executar projetos específicos para todas as atividades, discutindo exaustivamente todas as soluções, de forma a estarem seguros quando da sua execução. Contratam empresas especializadas com responsáveis técnicos e submetem todas as atividades às aprovações legais pertinentes. Porém, temos outra categoria de investidores que não toma todos estes cuidados, achando que tudo é desnecessário: aprovações, projeto, consultorias especializadas, procedimentos executivos, ensaios de comprovação de desempenho, segurança dos trabalhadores, leis sociais, condições de trabalho entre outras coisas. Esta parcela da construção é responsável pela maioria dos acidentes que temos assistido, pois de uma forma ou de outra não cumpre os requisitos básicos para minimização do risco.

AECweb – Qual seria o caminho para mitigar esses acidentes?
Suely
É uma questão de educação e de fiscalização. A atividade da construção é bastante complexa e envolve risco. Se abrirmos mão destas providências que podem minimizar estes riscos, fatalmente vão ocorrer acidentes. Eles ocorrem na construção civil, mas têm sido bastante reduzidos ao longo dos anos, com todas as providências que vêm sendo tomadas. Sei que isto não serve de consolo para quem sofreu um acidente ou perdeu alguém, mas é inegável que, se não tivéssemos evoluído tanto na área de segurança dentro dos nossos canteiros, com o grande volume de obras que estamos desenvolvendo atualmente, os números seriam bem piores.  

AECweb – Nos últimos anos a contratação de projetos estruturais cresceu na mesma proporção do volume de obras públicas e privadas no país?
Suely
Acredito que sim, pois os empreendimentos que estamos realizando são de grande importância e não é possível fazê-los sem projeto. A maioria das obras públicas exige a execução de projetos estruturais. As obras privadas que não são executadas por aventureiros, como citei antes, também cumprem esta exigência. Precisamos permear agora este mercado das obras clandestinas, das residências, dos pequenos estabelecimentos comerciais que muitas vezes são executados por pessoas despreparadas e sem projeto.

As normas estão ficando cada vez mais complexas e queremos ter certeza que todos os nossos associados sabem interpretá-las, aplicá-las adequadamente em cada situação

AECweb – Houve valorização dos projetos de engenharia através da melhor remuneração?

Suely – Esta questão da remuneração é muito delicada. A maioria dos contratantes não enxerga que para receber um bom projeto precisa remunerar adequadamente os projetistas. As pessoas não percebem que não existe milagre; se alguém te oferece um produto por um preço inferior ao mercado, com certeza este produto não terá a mesma qualidade. O contratante, com certeza, perderá muito mais do que ele está economizando na contratação, na execução da obra, pois terá um projeto mal estudado, mal detalhado e mal especificado. Cortar o escopo para diminuir o valor do projeto é, no mínimo, falta de preparo.

AECweb – O BIM já é uma realidade no país?
Suely
O BIM vem avançando na construção e, pelo que tenho conhecimento, todos que resolveram implantar este processo de construção virtual estão muito satisfeitos com os resultados. Tive a oportunidade de utilizar este processo no desenvolvimento de alguns projetos e para mim foi uma grande realização, uma evolução.

AECweb – O segmento de arquitetura convive com a entrada no país de escritórios estrangeiros – independentes ou associados a nacionais. Ocorre o mesmo com a área de engenharia?
Suely
Com a queda da atividade econômica na Europa e nos Estados Unidos houve também um aumento de empresas que estão se estabelecendo no Brasil. Elas estão tentando conquistar nosso mercado, mas acredito que esta tarefa não seja assim tão fácil, devido ao aprendizado de nossas normas técnicas. O Brasil é o único país que tem normas próprias e o único da América Latina que não adotou o ACI, que é a norma americana. Desta forma, para se desenvolver projetos no Brasil é necessário estar familiarizado com nossas normas. Não é possível a utilização de normas estrangeiras para os projetos brasileiros, a menos que seja alguma especialidade para a qual o Brasil ainda não desenvolveu uma norma própria.

AECweb – Quais as principais ‘bandeiras’ da ABECE neste momento?
Suely
A ABECE sempre lutou para a valorização da Engenharia de Estruturas. Nosso trabalho tem sido sempre focado em melhorar a qualidade dos projetos oferecidos, ampliar o número de empreendimentos com projetos específicos de estrutura e aumentar a remuneração destes projetos. No próximo ano, nosso foco será a divulgação e entendimento das normas técnicas vigentes. Vamos promover amplas discussões e gerar recomendações técnicas aos nossos associados. As normas estão ficando cada vez mais complexas e queremos ter certeza que todos os nossos associados sabem interpretá-las, aplicá-las adequadamente em cada situação e também se há necessidade de algum ajuste nos textos em vigor.

AECweb – E as perspectivas para o setor da construção civil em 2014?
Suely
Nós não dispomos de dados que nos deem uma visão de como o setor vai se comportar. Temos muita coisa a ser feita no Brasil na área de infraestrutura e moradia que sem nenhum grande evento já exige uma forte atividade no setor. Isto sem falar da necessidade de crescimento da nossa indústria. Se a atividade na nossa construção civil diminuir, com certeza estaremos destruindo todo crescimento que conquistamos no país nestes últimos anos. Não acredito que o povo brasileiro vá aceitar isso.

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Suely Bacchereti Bueno – Formada em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, iniciou seu desenvolvimento na área de estrutura, em 1973, na empresa Roberto Rossi Zuccolo Engenharia Civil e Estrutural Ltda., atuando em projetos de Edificações e Obras de Arte. Em 1980, começou a trabalhar no Escritório Técnico Julio Kassoy e Mario Franco Engenheiros Civis Ltda., onde, a partir de 1986, passou a integrar esta sociedade, desenvolvendo inúmeros projetos de Edifícios Altos e Obras Especiais. É presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE) e coordenadora da CE 02:124.15 - Comissão de Estudo de Estruturas de Concreto - Projeto e Execução, constituída pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para revisar a NBR 6118 Projeto de estruturas de concreto – Procedimento.

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