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Os desafios do setor da construção em 2021

Entrevista com o engenheiro Odair Senra, presidente reeleito do SindusCon-SP para o biênio 2021-2022

Entrevista com o engenheiro Odair Senra, presidente reeleito do SindusCon-SP para o biênio 2021-2022

  Foto: Divulgação SindusCon-SP 
Provavelmente nossa maior conquista ao longo deste biênio foi ter conseguido, junto com o Seconci-SP, implementar rigorosos protocolos sanitários que contiveram e reduziram a níveis ínfimos a contaminação pelo coronavírus nos canteiros de obras

Redação AECweb / e-Construmarket

Quando a construção civil começava a decolar, em 2019, Odair Senra cumpria seu primeiro ano à frente do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo. Logo a pandemia se instalou no país, mas as obras não pararam e a comercialização de imóveis superou as expectativas. Ainda assim, é estimada uma queda de 2,5% da atividade em 2020. Reeleito, ele fala ao Portal AECweb sobre as consequências dos aumentos de preços de praticamente todos os materiais. Também defende ações do governo, como facilitar a importação de itens que tiveram majoração abusiva e maior vigilância de fornecedores oligopolizados pelo CADE.

AECweb – Quais foram os principais desafios e conquistas do seu primeiro mandato?
Odair Senra   O biênio 2019-2020 caracterizou-se por um primeiro ano em que finalmente a indústria da construção começou a sair da recessão em que se encontrava nos cinco anos anteriores, e por um segundo ano em que as expectativas de continuidade deste movimento foram revertidas pela pandemia de Covid-19. De 2014 a 2018, o PIB da construção brasileira caiu mais de 30%. Em 2019, crescemos 1,6%, “puxando” o PIB nacional cuja elevação ficou em 1,1%. Esperávamos crescer 3% em 2020, mas devemos ter fechado o ano passado com uma queda de 2,5%. Ainda assim fomos o setor com o maior saldo positivo entre demissões e contratações no ano: 112 mil novos empregos com carteira assinada. Com uma parte do crescimento assegurado pelos contratos assinados em 2020, esperamos que o PIB do nosso setor se eleve em 3,8% em 2021, zerando as perdas do ano passado e retomando uma trajetória de crescimento que, esperamos, seja sustentada.

AECweb – Houve, também, avanços nas áreas pública e institucional?
Senra   Sim. Destaco, entre outros, o fato de termos conseguido implementar na Prefeitura de São Paulo o Aprova Digital, desburocratizando e agilizando o processo de aprovação de empreendimentos, em conjunto com a Abrainc e o Secovi-SP. O Tribunal de Justiça deu ganho definitivo a nosso mandado de segurança, desobrigando as empresas associadas ao SindusCon-SP de obterem o Certificado de Quitação do ISS, como condição para a concessão do Habite-se nas obras realizadas na cidade de São Paulo. Acabamos de saber que um segundo mandado de segurança que impetramos com o mesmo teor, julgado favoravelmente ao SindusCon-SP, também obteve decisão definitiva, transitada em julgado. Obtivemos a prorrogação, até o final de 2021, da desoneração da folha de pagamentos. Criamos a Cecarbon, uma ferramenta para a aferição das emissões de energia e gás carbônico das obras, um passo a mais nas práticas de sustentabilidade na construção.

AECweb – E como está sendo tratada a saúde do trabalhador diante da pandemia?
Senra   Provavelmente nossa maior conquista ao longo deste biênio foi ter conseguido, junto com o Seconci-SP (Serviço Social da Construção), implementar rigorosos protocolos sanitários que contiveram e reduziram a níveis ínfimos a contaminação pelo coronavírus nos canteiros de obras. Para aferir a eficácia dessas medidas, realizamos uma pesquisa semanal. Na última rodada, concluída em 10 de fevereiro, os casos suspeitos de contaminação pela Covid-19 afetavam apenas 0,32% do número de trabalhadores; e os confirmados, 0,14%. A pesquisa foi feita junto a uma amostra de 42 empresas, responsáveis por 531 obras, envolvendo 34.787 empregos diretos e terceirizados.

AECweb – Quais as demandas imediatas e de longo prazo do setor?
Senra   Nossa maior demanda é a definição de um rumo para a política econômica, orientando-a para o equilíbrio das contas públicas, fundamental para a atração contínua de investimentos que garantam o crescimento sustentado da construção nos próximos anos. Isso inclui a aprovação da reforma administrativa, a redução de gastos do governo, a ampliação dos marcos regulatórios na área de infraestrutura, o prosseguimento das concessões, parcerias público-privadas e privatizações, num ambiente de diálogo, e não de confronto entre os Poderes.

AECweb – Qual a preocupação neste momento?
Senra   De imediato, estamos bastante preocupados em evitar que a reforma tributária venha a elevar injustificadamente os custos da construção. A proposta do governo de fusão do PIS e da Cofins, hoje recolhidas à alíquota de 3,65%, resultando em uma Contribuição sobre Bens e Serviços a uma alíquota de 12%, trará uma elevação da nossa carga tributária. Ora, não interessa nem à construção nem a seus clientes, entre eles o próprio governo, um aumento dos custos e, consequentemente, dos preços das nossas obras. Assim, estamos atuando para que, ou a construção receba um tratamento diferenciado na reforma tributária como acontece em outros países, ou mantenhamos o setor na atual sistemática.

AECweb – Como o SindusCon-SP vem lidando com o aumento dos preços dos materiais de construção?
Senra   Este é outro motivo de grande preocupação. Junto com as demais entidades da construção, já tentamos dialogar com as entidades representativas dos fabricantes, fomos ao Procon, levamos a questão ao Ministério da Economia. Os aumentos continuam e seguiremos buscando soluções em conjunto com as demais entidades da construção.

AECweb – É possível estabelecer um ranking dos itens que registraram os maiores aumentos de preços e seus percentuais?
Senra   No Estado de São Paulo, em 2020, o CUB (Custo Unitário Básico) da construção se elevou em 7,36%, puxado pelos materiais de construção, que subiram em média 15,05%. Dentre estes, os maiores aumentos no acumulado do ano foram fio cobre antichama (+47,37%), cimento CPE-32 (+31,07%), tubo PVC-R rígido p/ esgoto (+23,88%) e vergalhão de aço CA-50 (+22,81%).

AECweb – O que explica esse movimento de majoração iniciado já em 2020 e, agora, ampliado a praticamente todos os itens?
Senra   Setores inteiros da indústria, incluindo o de materiais, reduziram sua capacidade produtiva durante a pandemia. Desde que a construção retomou fortemente sua atividade no segundo semestre de 2020, muitos desses setores ainda não normalizaram sua produção. A escassez impactou nos preços e dilatou prazos de entrega. Outro fator foi a elevação do dólar, pelo qual se precificam alguns de nossos insumos, como o cobre. Agora, é inegável que tanto entre os segmentos da indústria de materiais oligopolizados como entre os não oligopolizados, iniciou-se um movimento de recuperação de margens que, a nosso ver, em alguns casos assumiu aspectos francamente abusivos.

Setores inteiros da indústria, incluindo o de materiais, reduziram sua capacidade produtiva durante a pandemia. Desde que a construção retomou fortemente sua atividade no segundo semestre de 2020, muitos desses setores ainda não normalizaram sua produção

AECweb – O INCC de 2020, de 8,8%, representa a atual realidade de custos da produção de imóveis?
Senra   Levantamentos feitos por nossas construtoras associadas demonstram que o custo da construção acabou sendo um pouco ou muito maior do que a variação do INCC, dependendo do estágio da obra no momento em que se iniciou essa escalada de preços. Nossos associados estão colaborando com um trabalho iniciado pela FGV no ano passado, e que ainda vai se estender durante todo este ano, de revisão da metodologia do índice.

AECweb – As construtoras do setor imobiliário estão conseguindo renegociar os contratos com os incorporadores, para mitigar defasagens?
Senra   As construtoras têm montado planilhas para levantar o impacto dos aumentos de preços dos materiais no equilíbrio econômico-financeiro dos contratos, e certamente neste ano haverá muito diálogo com os contratantes em torno desta questão.

AECweb – Já há elevação nos preços dos imóveis novos devido aos custos com os materiais de construção?
Senra   Os preços dos imóveis novos já tiveram elevações de preços ao longo de 2020. Na cidade de São Paulo, de acordo com o IGMI-R da Abecip, esta elevação chegou a 16%. Isto reflete um aumento saudável da demanda, impulsionado tanto pelos juros reduzidos dos financiamentos imobiliários, como por investidores que estão diversificando investimentos em função da baixa remuneração das aplicações financeiras – o conceito de que imóvel é moeda forte. Novas elevações dos preços dos imóveis, em função da alta dos preços dos materiais, serão inevitáveis. Porém, há um limite, o mercado não sanciona aumentos abusivos. Mais uma vez, vamos enfrentar o desafio de elevar a produtividade.

AECweb – Os construtores de habitação social estão conseguindo entregar as unidades mesmo com o custo real que chega a ser 16% superior ao dos contratos com a Caixa?
Senra   As construtoras têm o máximo interesse em realizar essa entrega, embora esteja cada vez mais difícil, principalmente para aquelas que estimaram um orçamento no ano passado e agora precisam iniciar as obras se confrontando com preços mais elevados. Dependendo do caso, também aqui será preciso reequacionar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. E isso precisa ser feito rapidamente, sob pena de um desinteresse das construtoras em contratos futuros neste segmento, se os aumentos dos preços dos materiais os tornarem inviáveis.

AECweb – Como esperar crescimento do setor imobiliário quando, exceto investidores, poucas categorias profissionais tiveram reajuste salarial – quando não, viram sua renda reduzida?
Senra   Exatamente este é o desafio tanto para construtoras como para as incorporadoras. Nos últimos anos, têm se encontrado formas de edificar imóveis e fazê-los caber no bolso dos consumidores. Contamos com um mercado criativo e esperamos que os preços dos materiais se estabilizem ao longo deste semestre, porque senão os fornecedores também acabarão vendo encolher a sua demanda.

AECweb – Quais políticas econômicas poderiam ser adotadas pelo governo federal para sanear esse quadro?
Senra   A principal política econômica é fomentar o crescimento, sinalizar um rumo atrativo para os investimentos, avançar nos marcos regulatórios, nas concessões e privatizações, gerando emprego. Com aumento do volume de vendas, sacia-se o apetite por recuperação de margens e se cria um horizonte de previsibilidade. Mas medidas pontuais também precisam ser levadas em conta, como facilitar a importação de insumos que estejam impondo aumentos abusivos, e até uma maior vigilância por parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) sobre os fornecedores oligopolizados.

 

Colaboração técnica

Odair Senra – Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia Mauá do Instituo Mauá de Tecnologia, com MBA em Gestão Empresarial pela FIA/FEA-USP, Odair Garcia Senra é presidente do SindusCon-SP e diretor da Brio Investimentos Imobiliários. Até setembro de 2018, foi presidente do Conselho de Administração da Gafisa SA, empresa onde ingressou como estagiário em 1970 e exerceu sucessivamente as funções de Engenheiro de Obra, coordenador de Obras, diretor de Construções, diretor de Incorporações Imobiliárias e diretor de Relações Institucionais. É diretor do Secovi-SP e membro da Comissão de Edificações e Uso do Solo e da Comissão Municipal de Planejamento Urbano da Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo, entre outras atividades. É membro dos Conselhos de Administração da Alphaville Urbanismo e do Instituto Mauá de Tecnologia. Foi membro dos Conselhos de Administração da São Carlos Empreendimentos e do Grupo Lar/Brasil, e da Câmara Técnica de Legislação Urbanística da Secretaria Municipal de Planejamento de São Paulo. Em 2008, conquistou o Prêmio Top Imobiliário do Grupo OESP, na categoria de Executivo do Ano.

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