• Busque fornecedores, produtos e matérias

Produto indisponível

O produto que você buscou se encontra indisponível no momento.

> > > > > Prédios sustentáveis respondem melhor às demandas da pandemia

GBC Brasil

GBC Brasil - Green Building Council Brasil

GBC Brasil

Green Building Council Brasil

EntidadeSão Paulo, SP
Telefone:(11) 4191-7805

Prédios sustentáveis respondem melhor às demandas da pandemia

Entrevista com Felipe Faria, diretor-executivo do Green Building Council Brasil (GBC Brasil)

Entrevista com Felipe Faria, diretor-executivo do Green Building Council Brasil (GBC Brasil)

  Foto: Gustavo Scatena 
Está confirmado: os recursos já foram integralmente alocados e, a partir de 2021, mais de 240 edificações públicas de sete municípios do estado do Paraná serão eficientizadas, sendo que 208 delas serão Zero Energy

Redação AECweb / e-Construmarket

Realizado totalmente online em razão da pandemia, o evento anual Greenbuilding Brasil 2020 foi um sucesso. De acordo com Felipe Faria, diretor-executivo do GBC Brasil, 7 mil profissionais de 35 países assistiram a 60 sessões técnicas. Em entrevista ao Portal AECweb, o profissional fala do programa anunciado pelo governo do Paraná de tornar 240 edificações públicas autossuficientes em energia; reflete sobre impactos ambientais dos incêndios florestais na Amazônia e Pantanal; e destaca o desempenho dos green buildings em meio a pandemia.

AECweb – Qual o balanço que você faz da Greenbuilding Brasil 2020, realizada no final de novembro?
 Felipe Faria    O evento superou nossas expectativas no que se refere à satisfação dos participantes com o conteúdo. Continuamos a receber muita interação através de perguntas, considerações adicionais aos temas apresentados, bem como a celebração em mídias sociais dos participantes. Tudo o que foi discutido e apresentado seguiu o slogan de 2020, a Nova Grande Onda, e a mensagem está mais que evidente, estamos em meio a um processo de transição e o movimento de green building é o caminho.

AECweb – Como foi a experiência de realização da conferência totalmente online?
Faria    Inegável que eventos presenciais, realizados nos locais onde estamos acostumados a organizar, que otimizam suas preocupações com a qualidade interna do ar, qualidade da água, entre outros, fazem falta no quesito networking ou até mesmo motivacional. O contato humano, quando genuinamente fraterno, é insubstituível. Todavia, o GBC Brasil já havia realizado as sessões técnicas online no ano anterior, onde o tema do evento foi Democratizando o Conhecimento.

AECweb – A adesão ao evento foi similar às edições presenciais passadas?
Faria    A adesão foi semelhante ao ano anterior. Mesmo com a concorrência das inúmeras lives e eventos online, tivemos cerca de 7 mil profissionais que assistiram a 60 sessões técnicas e conteúdos complementares. Mantivemos uma semana adicional de plataforma aberta, pois muitos gostariam de assistir a totalidade das sessões. Tivemos participantes de 35 países diferentes, com destaque para os EUA onde os acessos foram de 15 Estados.

AECweb – Qual a visão do GBC sobre o programa de energia limpa em prédios públicos do Paraná, anunciado durante o evento?
Faria    Edificações autossuficientes em energia vêm sendo o principal tema discutido nos corredores das Nações Unidas, quando o assunto é edificações e sua importante contribuição aos desafios climáticos. O programa anunciado é o maior no mundo no âmbito do poder público e envolvimento direto de um Green Building Council. Está confirmado: os recursos já foram integralmente alocados e, a partir de 2021, mais de 240 edificações públicas de sete municípios do estado do Paraná serão eficientizadas, sendo que 208 delas serão Zero Energy (autossuficientes em energia). Estrategicamente, o GBC Brasil intensificará parcerias semelhantes com o poder público, como forma de alavancar exponencialmente o impacto de nossas atividades de conscientização e transformação de mercado.

AECweb – Em meio à Amazônia em chamas, veio de lá a certificação O+M V4 de um porto – única no mundo. Comente sobre esse case?
Faria    Trata-se de um porto certificado às margens do Rio Tapajós na modalidade LEED para operação e manutenção. O porto contém várias edificações dentro do seu site e conseguimos avaliar o desempenho comum a todas elas em relação ao uso eficiente dos recursos naturais como água e energia, políticas de gerenciamento e melhoria do site, materiais e recursos de baixo impacto. Enfim, acreditamos que essa certificação, em um momento que tramita nos ministérios um plano de investimento em obras de infraestrutura e se menciona a expressão de “infraestrutura verde”, chega em boa hora e faz com que o GBC passe a discutir com parceiros como colaborar, direta ou indiretamente, no assunto de infraestrutura verde. Logicamente não influenciamos em aspectos que devem ser analisados pelas autoridades competentes, em relação aos impactos ambientais (EIA-RIMA), mas temos muito a adicionar nas diversas características analisadas ou não no processo de licenciamento.

Em relação aos interessados nas certificações do GBC Brasil, observamos o aumento da procura pelas grandes marcas do varejo, edificações institucionais e o residencial despontando de forma promissora

AECweb – Como o GBC reflete sobre os impactos ambientais dos incêndios florestais?
Faria    Eventos que provavelmente são agravados por questões climáticas como o fogo na Amazônia e Pantanal, a estiagem no Estado do Paraná, a própria pandemia que comprovou o quanto estamos presos a uma relação de causa e consequência, pois os impactos no Sul são sentidos ao Norte, Leste e Oeste, quase que instantaneamente. Acredito que tais eventos reforçam que, no mundo corporativo, somente haverá espaço a uma visão sistêmica. Na construção civil não vemos espaço para projetos que não considerem um prazo coerente de operação e manutenção da edificação durante a decisão da melhor opção, ainda em fase de projeto. E visão sistêmica exigirá investimento em projetos multidisciplinares e liderança interdependente.

AECweb – A pandemia impactou a inscrição de projetos para certificação LEED?
Faria    Com certeza houve impactos em termos de inscrição de novos projetos, pois muitos incorporadores e investidores postergaram o andamento ou lançamento de empreendimentos. Todavia, em termos de novos projetos registrados, o ano de 2020 está com o desempenho semelhante a 2019, ano que crescemos 45% comparado ao ano anterior.

AECweb – Em quais aspectos a pandemia sinaliza para a necessidade de uma construção mais sustentável?
Faria    Os eventos que ocorreram diante da pandemia evidenciaram outros aspectos presentes no termo conhecido como construção sustentável. Nesse guarda-chuva, inserimos o conceito de edifícios inteligentes, resilientes, saudáveis e eficientes. Não à toa despontam como o melhor modelo de negócio do mercado imobiliário. Os green buildings enfrentam uma pandemia como a Covid-19 com ajuste imediato da operação com base na ocupação; atenção à qualidade da água armazenada por períodos maiores que os habituais; sistema de controle da qualidade interna do ar com taxas de troca de ar que oferecem maior segurança aos ocupantes; controle de CO2; e tecnologias de inativação do vírus, entre outros recursos. Os green buildings estavam melhor preparados no momento inicial da pandemia e estão prontos para a retomada. Seguramente manterão resiliência aos próximos desafios que provavelmente virão.

AECweb – Como o GBC avalia o futuro dos edifícios corporativos, bastante atingidos pela crise e principais interessados no LEED?
Faria    Acreditamos que as grandes empresas, embora venham implementar políticas mais flexíveis a seus funcionários, continuarão optando por localizações privilegiadas, edificações confortáveis, saudáveis e eficientes. Em relação aos interessados nas certificações do GBC Brasil, observamos o aumento da procura pelas grandes marcas do varejo, edificações institucionais e o residencial despontando de forma promissora.

AECweb – Diante da pandemia, as edificações residenciais estariam mais sensíveis à sustentabilidade e ao LEED?
Faria    No setor residencial temos a certificação GBC CASA&CONDOMÍNIO, atualmente com 91 projetos. Dentre os principais pontos da certificação destacamos a categoria de conforto, saúde e bem-estar, que foi muito bem compreendida na cidade de Curitiba, onde temos registrados praticamente todos os novos lançamentos de alto padrão. A ferramenta de certificação sobre interior residencial é o início da construção de uma ponte de comunicação entre o nosso movimento e a sociedade civil, onde compartilharemos os benefícios das práticas de green building e temos certeza de que, brevemente, as pessoas estarão mais atentas aos aspectos comprovados de conforto, eficiência e sustentabilidade em suas novas opções de consumo.

 

Colaboração técnica

Felipe Faria – Advogado com especialização em Direito da Economia e da Empresa pela Fundação Getúlio Vargas, há 13 anos no Green Building Council Brasil, é o responsável por dirigir e executar as atividades da organização que compreendem as áreas de capacitação profissional, disseminação da informação, relação governamental e promoção de certificações para edificações verdes. Atuou por quatro anos no LEED Steering Committee do USGBC, órgão deliberativo e consultivo responsável por manter o LEED como ferramenta líder no mundo, participando do desenvolvimento da sua versão (LEED v4) e das discussões iniciais para a criação do sistema internacional de benchmark em edificações, hoje conhecido como plataforma ARC SKORU. Atualmente, faz parte do Conselho de Diretores do World Green Building Council, organização supranacional que coordena e estimula o desenvolvimento de suas atividades em 80 países. É diretor-executivo do Green Building Council Brasil (GBC Brasil).

Notícias

    Complete seu cadastro