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Prioridade do CAU Brasil é a democratização dos serviços de arquitetura

Entrevista com Nadia Somekh, eleita presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU Brasil) para o triênio 2021-2023

Entrevista com Nadia Somekh, eleita presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU Brasil) para o triênio 2021-2023

  Foto: Divulgação CAU/BR 
No Plano dos 100 dias, assumimos o compromisso de criar uma plataforma que possa ouvir a todos os arquitetos e urbanistas, visando justamente uma maior aproximação com a sociedade

Redação AECweb / e-Construmarket

A primeira mulher a assumir a presidência do CAU Brasil já avança na concretização das pautas que a elegeram. Em entrevista ao Portal AECweb, Nadia Somekh detalha políticas essenciais como popularizar o papel dos arquitetos e urbanistas junto à sociedade, com campanha institucional e o programa “Mais Arquitetos”, além de iniciativas para promover a equidade de gêneros na estrutura do organismo e nos escritórios. Ela aborda, ainda, as iniciativas para mitigar o impacto da recessão econômica entre os profissionais.

AECweb – Qual o maior desafio que se apresenta neste início da sua gestão?
Nadia Somekh   O maior desafio de quem assume o CAU Brasil é representar e atender todos os 200 mil arquitetas e arquitetos e suas necessidades de maneira remota, em razão do isolamento imposto pela pandemia, o que dificulta ainda mais a nossa tarefa. A primeira iniciativa da nova gestão foi construir, em consenso, as prioridades dos primeiros 100 dias. Esse planejamento foi elaborado em conjunto por conselheiros do CAU Brasil e por presidentes dos CAU/UF em sete oficinas, realizadas em formato híbrido, presencial e virtualmente. Foram elencadas 78 ações, sendo 21 delas emergenciais.

AECweb – E qual foi a prioritária?
Somekh   A resolução dos problemas emergenciais do SICCAU (Sistema de Informação e Comunicação do CAU), decorrentes da desatualização do sistema, foi considerada ‘prioridade zero’. Foi criada uma força-tarefa para solucionar os problemas na emissão de Registro de Responsabilidade Técnica (RRT). Mapeamos 77 pontos e já avançamos muito, pois 59 correções foram realizadas até o dia 10 de março.

AECweb – Quais os mecanismos que o conselho deve empregar para aproximar os arquitetos e urbanistas da sociedade, valorizando o seu papel social?
Somekh   No Plano dos 100 dias, assumimos o compromisso de criar uma plataforma que possa ouvir a todos os arquitetos e urbanistas, visando justamente uma maior aproximação com a sociedade. Com a mesma perspectiva, também assumimos o desafio de popularizar e democratizar os serviços de Arquitetura e Urbanismo, mostrar para a população que nossos serviços são necessários para dar segurança, conforto e sobretudo salubridade para as moradias, algo fundamental como temos constatado em meio ao flagelo da pandemia da Covid-19.

A tarefa do CAU é justamente ampliar a demanda por nossos serviços, conscientizando a sociedade sobre nosso papel, de forma a aumentar o número de projetos e ajudar a melhoria da qualidade do ambiente construído

AECweb – Como será feita, na prática, essa popularização?
Somekh   Atuaremos em diversas frentes. De imediato, com uma campanha institucional para ir aonde o povo está e sensibilizar a população da importância de nosso ofício para a melhoria da vida das pessoas. Eu não me canso de repetir: quem não conhece não valoriza. O povo reconhece o valor dos médicos porque precisa deles. O dos advogados porque tem defensoria pública. E não vemos o reconhecimento da arquitetura, que pode melhorar as condições de habitabilidade em um país onde, segundo estudos recém-divulgados pela Fundação João Pinheiro, cerca 25 milhões de moradias (1/3 do total) são inadequadas.

AECweb – Quais serão as outras frentes?
Somekh   Queremos aproveitar a oportunidade que o 27º Congresso Mundial de Arquitetos (UIA2021RIO) nos oferece. Entendemos que o Congresso, além de apresentar nossa belíssima arquitetura para o mundo, deve mostrar para os gestores públicos e para a sociedade o quanto a arquitetura é importante para garantir a saúde da população. Acreditamos mesmo que esse será o maior legado do UIA2021RIO para o Brasil. O programa ‘Mais Arquitetos’ será a terceira e última frente, que complementará e consolidará a logo prazo as duas primeiras.

AECweb – No que consiste o programa “Mais Arquitetos”?
Somekh   A nova gestão do CAU Brasil tem a perspectiva de fortalecer, nacionalmente, as ações que os CAU dos Estados e do Distrito Federal já promovem em termos de assistência técnica em habitação de interesse social. Queremos ampliar e redistribuir recursos para que isso seja possível, a partir da parceria com órgãos públicos, lideranças esclarecidas da sociedade civil, empresas, instituições financeiras, movimentos sociais e o decisivo apoio da rede dos CAUs. O ‘Mais Arquitetos’ abrange essas ações e outras mais, que buscarão popularizar a arquitetura junto a outras classes sociais, mostrar que ela é acessível e valorizar nosso ofício junto à sociedade.

AECweb – Quais as ações que o CAU poderá adotar para mitigar os efeitos da crise econômica entre os profissionais?
Somekh   Hoje, como demonstrou a pesquisa DataFolha/CAU Brasil, 85% da população não utiliza serviços de arquitetos e nem de engenheiros ao construir ou reformar suas moradias. Por outro lado, há estudo que mostra que, na próxima década, 40 milhões de novas moradias serão edificadas com ou sem arquitetos. A tarefa do CAU é justamente ampliar a demanda por nossos serviços, conscientizando a sociedade sobre nosso papel, de forma a aumentar o número de projetos e ajudar a melhoria da qualidade do ambiente construído. Na mesma linha, no âmbito das obras públicas, é preciso ampliar fortemente a atuação do Conselho no sentido de esclarecer a sociedade da importância do projeto de arquitetura e urbanismo e, em especial, do projeto executivo, como instrumento fundamental para a obtenção de qualidade, prazo, preço, eficiência e transparência.

O CAU Brasil assumiu publicamente, há dois anos, o compromisso de promover a equidade de gênero em suas instâncias organizacionais, na profissão e no relacionamento com a sociedade, com ações detalhadas no hotsite Mulheres na Arquitetura e nas Cidades

AECweb – Até que ponto os debates acadêmicos de arquitetura e urbanismo são, de fato, aproveitados nos programas brasileiros de políticas públicas?
Somekh   É muito importante a opinião pública e a construção e legitimação de instrumentos de regulação urbanística. O debate que as entidades de Arquitetura e Urbanismo tem feito, historicamente, com a população, com apoio das pesquisas acadêmicas, é essencial para transformar e dar consciência às políticas públicas na área. São exemplos o Estatuto da Cidade, a lei da Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS) e as revisões dos Planos Diretores, como o de São Paulo, envolvendo as universidades.

AECweb – Quais os prejuízos para a profissão e a sociedade dos cursos de arquitetura e urbanismo na modalidade EAD?
Somekh   A tecnologia é um instrumento muito importante para disseminar a formação pelo território nacional, que é imenso, não existindo escolas distribuídas de forma adequada. Por outro lado, os cursos de Arquitetura e Urbanismo precisam ter qualidade, uma vez que nosso ofício tem impactos diretos sobre a saúde e o bem-estar do indivíduo e da coletividade. Dessa forma, o CAU combate a formação em Arquitetura e Urbanismo 100% a distância, substituindo integralmente o ensino presencial, o que é bem diferente do ensino remoto em voga, temporária e emergencialmente, em razão da pandemia da Covid-19. E mesmo essa experiência tem provado o quanto é difícil passar conhecimento, quanto mais no EaD, que são tutoriais e formas de capacitação técnica não aprofundada, que não correspondem ao que o ensino de Arquitetura e Urbanismo requer.

AECweb – Como explicar que, apesar de maioria entre os profissionais, as arquitetas ainda ocupam menor número das presidências nos conselhos estaduais?
Somekh  

O CAU Brasil assumiu publicamente, há dois anos, o compromisso de promover a equidade de gênero em suas instâncias organizacionais, na profissão e no relacionamento com a sociedade, com ações detalhadas no hotsite Mulheres na Arquitetura e nas Cidades (www.caubr.gov.br/equidade), que estreamos em 8 de março e convido para conhecerem. Uma das ações foi um Ciclo de Debates que neste mês de março terá sua segunda edição. No Ciclo, vários depoimentos mostraram como as mulheres são importantes no desenvolvimento dos trabalhos dos escritórios, mas o protagonismo das equipes fica com os homens. Chegou a hora de se dar crédito a quem realiza o trabalho e não só àquele profissional que é a aparente liderança. Isso ocorre não só aqui, mas em todo o mundo. Há vários exemplos de arquitetos que receberam, por exemplo, o prêmio Pritzker, e as arquitetas que trabalharam em conjunto com eles, algumas inclusive esposas, não foram reconhecidas.

AECweb – Qual a expectativa de mudança desse cenário?
Somekh   No CAU, as presidências dos Conselhos Estaduais tiveram até agora muito mais uma perspectiva masculina de representatividade. Na última eleição, tivemos chapas inteiramente femininas, como a de São Paulo, com 156 mulheres, que se prepararam e discutiram uma plataforma para mudar essa realidade, não para excluir os homens, mas para ampliar a representatividade da mulher. Quem iniciou isso foi o CAU de Santa Catarina, na eleição passada, um exemplo inspirador para as arquitetas, resultando que, na gestão 2021-2023, 51% da titularidade e suplência dos Plenários são mulheres. Um avanço enorme que pode se ampliar nas próximas eleições para as presidências. É importante que os homens percebam que não queremos excluí-los. A gente quer ser incluída.

AECweb – Quais as contribuições que uma mulher, diferentemente do homem, aporta em cargos de poder?
Somekh   A gestão feminina traz outra forma de resultado. As mulheres cuidam, temos mais facilidade para compartilhar, damos crédito umas às outras, zelamos para garantir o espaço para todo mundo, trabalhamos horizontalmente. A gestão compartilhada é muito mais uma característica da mulher do que do homem, que tem como metáfora o protagonismo. Enfim, o homem foi criado para ter protagonismo, mas isso está mudando. O protagonismo agora é de homens e mulheres. Essa é nossa visão quando defendemos a liderança feminina.

 

Colaboração técnica

Nadia Somekh – Doutora em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP, é a primeira mulher a ocupar a presidência do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. É professora emérita da Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo), onde dirigiu o curso de graduação e estruturou o curso de pós-graduação de Arquitetura e Urbanismo. Foi conselheira do Instituto dos Arquitetos do Brasil e da União Internacional de Arquitetos. Ganhou do governo francês a Palma Acadêmica (2018) e é professora convidada do Instituto de Urbanismo de Paris/França. Na cidade de São Paulo, presidiu a Empresa Municipal de Urbanização e foi diretora do Departamento de Patrimônio Histórico. No CAU Brasil, coordenou a Comissão de Equidade de Gênero, responsável pela elaboração do 1º Diagnóstico de Gênero na Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Em 2020, liderou a chapa vencedora da eleição para o CAU São Paulo composta por 156 mulheres.

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