Disjuntor protege circuitos elétricos contra sobrecargas e curtos-circuitos

O aparelho deve obedecer às normas de segurança e requer certificação

Publicado em: 27/08/2015Atualizado em: 16/06/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Disjuntores no quadro de distribuiçãoO disjuntor é fundamental para a segurança (Foto: IrynaL/Shutterstock)

O disjuntor é um componente que tem a função de proteger o sistema elétrico. O dispositivo atua em função dos níveis de corrente elétrica que atravessa a instalação, ou seja, em caso de sobrecarga o aparelho desarma e interrompe o funcionamento de toda a rede, impedindo danos ao próprio circuito e aos eletrônicos nele conectados.

“Existem, ainda, os dispositivos de proteção diferencial, chamados de DR e previstos pela ABNT NBR 5410 – Instalações elétricas de baixa tensão, que têm a função de proteger as pessoas”, comenta o engenheiro Antonio Eduardo de Souza, diretor da área de Material Elétrico de Instalação da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).

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Como o disjuntor funciona?

O disjuntor funciona com base em dois sistemas de proteção, um térmico e outro magnético. As sobrecargas nos circuitos são evitadas pela proteção térmica, que atua por meio de um bimetal que desliga os contatos do componente quando a corrente elétrica se mantém em nível acima do ideal por muito tempo.

“Assim, são evitados danos, como o derretimento da fiação”, afirma o engenheiro. Já a proteção magnética visa evitar curtos-circuitos, ou seja, ela desarma o dispositivo quando a corrente, em um espaço curto de tempo, atinge nível muito acima daquele especificado.

“Quando um equipamento de 20 ampères (A) recebe uma descarga de 3 KA em cinco milissegundos, a proteção magnética o desarma”, diz Souza, destacando que os disjuntores comercializados atualmente são termomagnéticos, ou seja, têm a capacidade de oferecer ambas as proteções.

Instalação de disjuntorO disjuntor atua em função dos níveis de corrente elétrica (Foto: Grigvovan/Shutterstock)

Tipos de disjuntor

Atualmente, o mercado oferece diferentes tipos de disjuntores, sendo que cada um desses dispositivos tem a sua própria configuração que atende à determinada aplicação. Os principais tipos de disjuntores são:

  • Disjuntor monopolar
  • Disjuntor bipolar
  • Disjuntor tripolar
  • Disjuntor magnético
  • Disjuntor térmico
  • Disjuntor termomagnético

Disjuntor monopolar

O disjuntor monopolar é indicado para instalações que têm apenas uma fase, como é o caso dos circuitos de iluminação ou de tomadas em sistemas monofásicos

Disjuntor bipolar

Quando a instalação elétrica tem duas fases — como em chuveiros ou equipamentos de ar-condicionado —, o disjuntor bipolar deve ser utilizado.

Disjuntor tripolar

No caso de circuitos com três fases, como acontece nos motores elétricos trifásicos, o profissional responsável tem que especificar um disjuntor tripolar.

Disjuntor magnético

O disjuntor magnético atua quando uma grande corrente elétrica passa pela bobina interna. Esse fenômeno resulta em um campo magnético que atrai o pistão metálico em seu interior e desarma o dispositivo.

Tipos de disjuntoresO mercado oferece diferentes tipos de disjuntores (Foto: Grigvovan/Shutterstock)

Disjuntor térmico

No caso do disjuntor térmico, a ativação acontece quando é detectado um aumento anormal na temperatura. O calor faz com que uma lâmina bimetálica se encurva dentro do equipamento, o que resulta na desativação do circuito elétrico.

Disjuntor termomagnético

O disjuntor termomagnético reúne as características dos dispositivos magnético e térmico em um único componente. Com isso, se transforma na opção mais completa para garantir a total segurança nas instalações elétricas.

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Curvas dos disjuntores

Outra maneira de dividir os disjuntores é pelas curvas (B, C e D). Essa informação indica a aplicação e as cargas que podem ser ligadas no dispositivo. Por exemplo, o disjuntor B aceita correntes de três a cinco vezes maiores em relação à sua corrente nominal. Ou seja, o equipamento de 10 ampères ativará com correntes entre 30 e 50 ampères.

Já o disjuntor C opera com correntes de cinco a 10 vezes maiores do que a sua nominal. Enquanto o disjuntor D só vai ativar quando a corrente elétrica for de 10 a 20 vezes maior do que o valor nominal do dispositivo.

Disjuntor x corrente elétrica

Confira, na tabela abaixo, a relação dos tipos de disjuntores disponíveis no mercado e as suas respectivas correntes nominais.

Tipo de disjuntorCorrente nominal
Monopolar2 ampères
Monopolar4 ampères
Monopolar6 ampères
Monopolar10 ampères
Monopolar20 ampères
Monopolar25 ampères
Bipolar 110 V / 220 V6 ampères
Bipolar 110 V / 220 V10 ampères
Bipolar 110 V / 220 V15 ampères
Bipolar 110 V / 220 V20 ampères
Bipolar 110 V / 220 V25 ampères
Bipolar 110 V / 220 V30 ampères
Bipolar 110 V / 220 V40 ampères
Bipolar 110 V / 220 V50 ampères
Bipolar 110 V / 220 V60 ampères
Bipolar 110 V / 220 V70 ampères
Bipolar 240 V10 ampères
Bipolar 240 V15 ampères
Bipolar 240 V20 ampères
Bipolar 240 V25 ampères
Bipolar 240 V30 ampères
Bipolar 240 V35 ampères
Bipolar 240 V40 ampères
Bipolar 240 V50 ampères
Bipolar 240 V60 ampères
Bipolar 240 V70 ampères
Tripolar (de 240 V a 480 V)15 ampères
Tripolar (de 240 V a 480 V)20 ampères
Tripolar (de 240 V a 480 V)25 ampères
Tripolar (de 240 V a 480 V)30 ampères
Tripolar (de 240 V a 480 V)35 ampères
Tripolar (de 240 V a 480 V)40 ampères
Tripolar (de 240 V a 480 V)70 ampères
Tripolar (de 240 V a 480 V)90 ampères
Tripolar (de 240 V a 480 V)100 ampères

Como dimensionar disjuntor

Para dimensionar o disjuntor adequado é preciso analisar a demanda de corrente do circuito. A escolha do modelo ideal para cada caso acontece mediante a comparação da curva B, C e D com as curvas dos fios e cabos que serão usados. “As normas técnicas preveem, ainda, diferentes graus de aplicação”, destaca o engenheiro.

Mesmo dentro de uma grande fábrica, há diferenças nos equipamentos utilizados, ou seja, os disjuntores dos circuitos que alimentam a área administrativa são diferentes daqueles que estão nas redes que abastecem o maquinário.

Além da análise da corrente, outro estudo a ser realizado é o de poder de interrupção. Circuitos com grande demanda de corrente precisam de maior poder de interrupção. Assim, em uma residência unifamiliar é comum o uso de disjuntores termomagnéticos com poder de interrupção de até 3 KA, enquanto os indicados para indústria chegam a níveis de 25 KA.

“Há, também, a questão econômica: seria caro optar por um disjuntor de 25 KA de poder de interrupção em uma residência”, comenta Souza.

Disjuntores no quadro de distribuiçãoO disjuntor deve atender às normas técnicas (Foto: nelikdulatov/Shutterstock)

Como instalar disjuntor

Os disjuntores, normalmente, ficam localizados dentro do quadro de distribuição e são separados por circuito. “A ABNT NBR 5410 orienta como essa distribuição deve ser efetuada”, lembra o engenheiro. Equipamentos elétricos que apresentam demandas maiores, como a geladeira ou o chuveiro, devem contar com circuitos dedicados e disjuntores específicos para sua proteção.

Muitas vezes, pode ocorrer de instalar mais de um disjuntor no mesmo circuito, com os equipamentos colocados em série. “É bastante normal existir dentro do painel um disjuntor diferencial residual, chamado de cabeça, por ficar na entrada do circuito. Diferentes de outros equipamentos termomagnéticos podem estar ligados a este dispositivo. Se o residual cair, derruba todo o circuito”, detalha Souza.

Norma técnica para disjuntores

Os disjuntores são regidos pela ABNT NBR NM 60898 – Disjuntores para proteção de sobrecorrentes para instalações domésticas e similares. Além dessa norma técnica, a qualidade dos dispositivos é garantida pela ABNT NBR IEC 60947 e pelo RTQ – Regulamento Técnico –, oriundo da antiga ABNT NBR 5361 – Disjuntores de baixa tensão –, cancelada em 2006.

“Uma vez certificados compulsoriamente, os disjuntores são controlados segundo a norma e garantem a proteção e a segurança dos indivíduos submetidos a esse produto”, destaca Souza.

Ao lidar com instalações elétricas, também é importante estar atendo à ABNT NBR 5410 – Instalações elétricas de baixa tensão. Vale lembrar que as normas exigem que o disjuntor continue funcionando após um curto-circuito e, para garantir isso, os equipamentos passam por ensaios laboratoriais.

Uma portaria do Inmetro determina que o fabricante só pode comercializar disjuntores que obedeçam à regulamentação técnica. Para conquistar a acreditação, o dispositivo passa, a cada três anos, por processo de certificação, acompanhamento e renovação do certificado.

“O disjuntor não é como o fusível, que, quando submetido a uma descarga elétrica, se rompe e precisa ser substituído. Ao sofrer uma sobrecarga, ele desarma para desativar o circuito, mas depois é só armá-lo novamente. Entretanto, quando o equipamento de proteção causa o desligamento do circuito, é importante analisar qual foi a causa do problema e solucioná-lo”, diz Souza.

Colaborou para esta matéria

Antonio Eduardo de Souza – graduado em engenharia, ocupa o cargo de diretor da área de Material Elétrico de Instalação da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica). É membro do Cobei (Comitê Brasileiro de Eletricidade, Eletrônica, Iluminação e Telecomunicações) e do Comitê Nacional Brasileiro da IEC – International Electrotechnical Commission.