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Empreendimentos de uso misto são solução para problemas de mobilidade urbana

Projetos devem atingir a todos, de bairros nobres à periferia, e prometem oferecer qualidade de vida a moradores de grandes cidades

Redação AECweb / e-Construmarket

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Projeto Brascan Century Plaza, do escritório Königsberger Vannucchi (Foto: Nelson Kon)

Projetos de uso misto (ou mixed use, em inglês) vêm se revelando uma forte tendência no mundo todo e contrariam o propósito do planejamento urbano segmentado, que durante muito tempo buscou separar áreas residenciais, comerciais e hospitalares, por exemplo.

Ao combinar no mesmo empreendimento ou na mesma região do bairro escritórios, lojas, áreas de entretenimento, residências e até hospitais, os projetos de uso misto atendem às cinco funções urbanas principais: morar, se locomover, produzir, trocar e se entreter/divertir.

Esse movimento é ainda maior nas grandes cidades, em resposta à necessidade de os moradores evitarem longos percursos entre a casa e o trabalho, escola ou lazer. É o conceito de cidades compactas dentro de uma metrópole, criando novas centralidades. Assim, os projetos se destacam nas cidades brasileiras que se mostram mais hostis ao pedestre, vulnerável ao intenso tráfego de veículos, e ao motorista, que chega a gastar horas no trânsito.

Projetos [de uso misto] abrigam, em um espaço de uso público e de gerenciamento privado, condições próximas ao ideal do que se deveria ter nas ruas dos centros urbanos civilizados desse planeta
Jorge Königsberger

“Há uma grande ressonância, pois esses projetos abrigam, em um espaço de uso público e de gerenciamento privado, condições próximas ao ideal do que se deveria ter nas ruas dos centros urbanos civilizados desse planeta”, afirma o arquiteto Jorge Königsberger, titular do escritório Königsberger Vanuchi Arquitetos Associados.

A solução responde a demandas urbanísticas e conta com o apoio da legislação urbana, que, atualmente, estimula a construção de empreendimentos de uso misto, diferentemente do que acontecia no passado. É o caso da recente atualização do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento da capital paulista, que privilegia a construção de residências próximas aos eixos de transportes que estão melhor estruturados.

Para Königsberger, o uso misto é uma maneira natural de desenvolvimento das relações urbanas. “Em teoria, a solução expressa o que é a própria razão de ser das cidades e aglomerações urbanas. É uma naturalidade e não uma excepcionalidade”, fala. Segundo o arquiteto, a antecipação de demanda por esse tipo de projeto em determinadas circunstâncias das cidades é papel dos desenvolvedores e criadores de novos desenhos urbanos e produtos mistos.

PARA TODA A CIDADE

Empreendimentos de uso misto não estão restritos aos bairros de alto padrão e podem estar nas periferias das cidades. Devem contemplar moradores de qualquer nível socioeconômico. Quando acontece um desequilíbrio entre o que a cidade oferta e o que ela demanda, acabam surgindo naturalmente equipamentos como escolas e hospitais, para preencher tal lacuna, seja nas regiões centrais ou mais afastadas. “Se esse tipo de empreendimento vai acabar surgindo com o passar do tempo, em determinado local, seria melhor prevê-lo antecipadamente”, completa.

O arquiteto deve ter sensibilidade em relação ao dimensionamento do produto, além da habilidade de transformar os empreendimentos de uso misto em espaços físicos agradáveis, palatáveis, atraentes e que estimulem a permanência e o usufruto
Jorge Königsberger

Para trazer benefícios à população e à cidade, os projetos de mixed use precisam ser bem planejados. Não adianta, por exemplo, mesclar em uma mesma região edifícios residenciais, comerciais e hotéis, sendo que nessa área não existe demanda para o serviço hoteleiro. “Não se trata de uma questão de natureza urbanística-legal, mas sim de uma decisão de escolha de produto”, comenta o arquiteto.

VANTAGENS QUE SE ESTENDEM

Uma característica interessante do projeto de uso misto é que ele deve servir para agregar valor ao produto vizinho – um edifício residencial próximo a um pequeno shopping é benéfico tanto para os moradores quanto para os comerciantes. Faz parte do papel do arquiteto criar condições para que os projetos se equilibrem.

“O arquiteto deve ter sensibilidade em relação ao dimensionamento do produto, além da habilidade de transformar os empreendimentos de uso misto em espaços físicos agradáveis, palatáveis, atraentes e que estimulem a permanência e o usufruto”, finaliza Königsberger.

UMA PREOCUPAÇÃO ANTIGA

Morar próximo ao local de trabalho e evitar grandes deslocamentos diários não são preocupações tão modernas. O arquiteto Jorge Königsberger conta que, na Europa medieval, a população rural que se deslocava para a missa aos domingos, no interior do feudo, aproveitava para vender ali seus produtos agrícolas. Com o passar do tempo, cansados de transportar semanalmente a mercadoria, parte das famílias passaram a morar nas lojas que foram instalando. “Essa ideia resolveu a questão da mobilidade, do comércio e também da moradia”, comenta.

Veja empreendimentos de uso misto na Galeria da Arquitetura:

Universe Life Square, do escritório Königsberger Vannucchi
Brascan Century Plaza, do escritório Königsberger Vannucchi
Canoas Business Center, do escritório Oscar Escher Arquitetura, Paisagismo e Urbanismo

Colaboração técnica

Jorge Königsberger – Arquiteto e Urbanista formado pela Universidade
Mackenzie (1971), em São Paulo. Desde então, desenvolveu com Gianfranco Vannucchi centenas de projetos de arquitetura. Tem seus textos e projetos publicados em jornais, revistas e livros no Brasil e em vários países. É palestrante e autor do livro “O Arquiteto e as Leis”. Foi professor de projeto da Fundação Armando Alvares Penteado e da Faculdade de Arquitetura Mackenzie, em São Paulo. Foi Diretor do Instituto de Arquitetos do Brasil.
Exerceu até 2006 a presidência da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA). Foi também coordenador do Colégio de Presidentes das Entidades do Colégio Brasileiro de Arquitetos (CBA).
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