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Madeira de demolição confere estética e sustentabilidade a ambientes internos

Resistente a cupins e intempéries, pode ser usada em projetos arquitetônicos e no mobiliário

Por Tatiana Arcolini e Paula Barradas

A sustentabilidade e o reaproveitamento de materiais são, sem dúvidas, as grandes tendências mundiais. Na decoração, esse apelo à economia pode ser visto por meio da utilização de materiais reciclados. E nesse quesito, a madeira de demolição é uma forte realidade.

Presente tanto em projetos arquitetônicos quanto no mobiliário, a madeira de demolição nada mais é do que o acabamento proveniente do garimpo de madeiras nobres retiradas de antigas construções. A designer de interiores Daniela Colnaghi explica que a matéria-prima pode ser comprada diretamente de demolidoras que, ao reformarem ou demolirem antigas construções, a retiram para reúso. “Oriunda de antigos casarões, galpões, fazendas, tulhas, fábricas e ferrovias, a madeira de demolição ganhou status. Hoje é um nobre elemento em construções e até mesmo na criação de portas, deques, janelas, mesas, cadeiras, pisos e móveis.”

Porém, sua aquisição pede alguns cuidados: “Com a alta procura pelo material, já há ‘falsificações’. Muitas empresas estão vendendo madeiras novas apenas com aparência de desgastadas, ou seja, sem o conceito sustentável”, explica Daniela.

Vinícius Zanutto, da empresa Madeira de Demolição, alerta que, por não existirem normas sobre a aquisição de madeira de demolição, é preciso redobrar a atenção quanto à procedência do material.

A madeira de demolição se transformou em um material de luxo, usado em projetos e móveis com alto valor agregado

Os tipos

Normalmente a madeira de demolição é feita de material nobre, como pinho de riga, perobinha do campo, peroba rosa, cerejeira e braúna. A mais encontrada e, consequentemente, mais comercializada é a peroba rosa de demolição, uma matéria-prima proveniente da região sul do país, onde se fazia uso em massa desse material na Construção Civil (tanto na estruturação quanto nos revestimentos e no fechamento de paredes internas e externas).

No entanto, há outra matéria-prima bastante usada: “a proveniente de dormentes retirados de linhas ferroviárias que, ao serem substituídos por peças novas, são reaproveitados no mercado de decoração”, conta Vinícius Zanutto.

Existem, por fim, as cruzetas de madeira, que são perfis usados em postes de energia elétrica de todo o Brasil para dar sustentação aos fios de energia. As cruzetas, assim como os dormentes, são confeccionados com madeira de lei, peroba, ipê, jacarandá, carvalho, angelim, entre outras, para que seu tempo de uso seja o maior possível.

Consumo e restauro

Quanto mais velha, melhor é a madeira de demolição. Isso porque é com o tempo que ela deixa de ressecar, empenar e envergar. No entanto, isso não a exime de alguns cuidados. Como são peças antigas, podem chegar até o mercado com muitos furos de pregos, ranhuras e bitolas diferentes. Por isso, é mais seguro adquirir o material de empresas que o preparam para a nova utilização.

Há, no entanto, quem prefira arrematar o lote fechado de depósitos de demolições. Nesse caso, deve-se ter em mente que haverá uma perda entre 15% e 30% por conta de peças deterioradas, que acabam sendo inutilizadas na construção e decoração.

O restauro começa pela limpeza, feita preferencialmente com máquinas de água de alta pressão, em vez de substâncias químicas corrosivas, que poderiam danificar a madeira. Uma vez secas, as réguas precisam ser aplainadas para ficar com a mesma espessura. Só então são cortadas na lateral para ganhar encaixes do tipo macho e fêmea (o mais comum) ou empena (espécie de chanfrado). Se planejadas como junta seca, elas ficarão lado a lado, sem encaixes, portanto, com efeito mais rústico. “Nesse caso, costuma-se dispensar posteriormente a massa de calafetação (aplicada no encontro das réguas) e adotar a cera no acabamento”, explica Daniela Colnaghi.

Para proteger a madeira, os profissionais indicam resina à base de água, que possui o toque aveludado da cera, é inodora, não mancha em contato com a água e dispensa o uso de enceradeira. A versão fosca é a que menos altera o aspecto natural da madeira.

Onde usar

Se planejadas como junta seca costuma-se dispensar a massa de calafetação e adotar a cera no acabamento

A madeira de demolição se transformou em um material de luxo, usado em projetos e móveis com alto valor agregado”, relata a arquiteta Leila Dionizios. O acabamento está muito presente em revestimentos de parede e piso, mesas, painéis para televisão e lareira. Há, também, a possibilidade de agregá-lo como moldura de janelas e tampos para mesas, preservando o desenho da peça original. “A utilização da madeira de demolição pode ser infinita, dependendo apenas da imaginação do arquiteto ou do designer”, pontua a profissional.

Entre as vantagens do uso desse material está a resistência a cupins e intempéries, além da valorização do local em que está aplicado. Entretanto, como tudo, há uma desvantagem: seu valor ainda é alto, chegando a custar o dobro da madeira comum.


COLABORARAM PARA ESTA MATÉRIA

Daniela Colnaghi – Designer de interiores pela Escola Panamericana de Arte. Atualmente faz parte do corpo docente administrativo da Associação de Decoradores do Estado de São Paulo (ADESP). Estudou Administração na Universidade de Miami e na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

Leila Dionizios – Arquiteta. Em seu currículo constam mais de 70 projetos, entre residenciais, comerciais e corporativos, no Brasil e no exterior (Chile e Angola). Especialista em luminotécnica, Leila prioriza o consumo inteligente de energia. Além do escritório de arquitetura, Leila, junto com a irmã, Andreia Dionizios, é idealizadora da Green Equilibrium. Uma empresa de soluções ambientais que disponibiliza medidas de reciclagem aos clientes.

Vinícius Zanutto: Diretor da empresa Madeira de Demolição.

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