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Madeira laminada colada vence grandes vãos e permite estruturas curvas

Pré-fabricado, material conhecido pela sigla MLC se destaca pela alta capacidade de carga e baixo peso próprio. Pouco usada no Brasil, a solução apresenta custo elevado

Texto: Gabriel Bonafé

A madeira laminada colada, conhecida pela sigla MLC, é um material concebido a partir da técnica de colagem aliada à laminação, no qual as ‘tábuas’ constituem a madeira. Empregada desde o século XIX na construção civil, quando as lamelas ainda eram unidas por ligações mecânicas, a MLC só progrediu em seu campo de aplicação na década de 1940, com o surgimento das colas sintéticas.

Seu uso em estruturas varia de pequenas passarelas, escadas e abrigos até grandes estruturas concebidas sob as mais variadas formas estéticas. O material permite vencer grandes vãos, de até 100 m sem apoio intermediário, desempenho superior ao da madeira maciça.

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Cobertura em estrutura de MLC (Projeto: Casa Baroneza, por Candida Tabet Arquitetura - Foto: Rômulo Fialdini)

PROJETOS COM MLC

A MLC pode ser utilizada em qualquer tipo de construção, como em projetos residenciais, comerciais, industriais, entre outros. Com os devidos tratamentos e proteção contra umidade, o campo de aplicação se estende para vales, praias, entre outros. “Detalhes definidos em projeto, como bases metálicas para afastar a MLC da umidade do solo e distanciamento de encaixes entre peças, para que não acumule água, fazem a diferença para uma maior durabilidade nesses contextos”, conta Paulo Bastos, sócio-diretor da Carpinteria Estruturas de Madeira.

Com o avanço da tecnologia de produção, controle tecnológico, processamento e técnicas construtivas, a MLC tornou-se muito indicada para concepção de estruturas curvas e peças de alta repetibilidade. “As peças precisam de menos encaixes metálicos, menos parafusos e, portanto, podem ser mais interessantes que outras soluções”, aponta Bastos.

MLC NO BRASIL

Embora venha crescendo a cada ano, o uso da MLC no Brasil ainda é considerado baixo em comparação a países do hemisfério norte, que contam com madeira de fácil trabalhabilidade em abundância.

“Competem aos arquitetos, engenheiros, madeireiros e outros que trabalham com a madeira estabelecer o elo que falta entre as tecnologias avançadas no campo da construção e as madeiras cultivadas no Brasil. Essa corrente é que vai determinar realmente a tecnologia e o uso da madeira em todo seu potencial”, estima o engenheiro Carlito Calil Neto, responsável pelos departamentos de produção, controle de qualidade e orçamentos da Rewood.

Leia também: Soluções pré-fabricadas de madeira ainda são pouco exploradas

VANTAGENS E DESVANTAGENS

Além dos benefícios da própria madeira, como valor estético e propriedades termoacústicas, a MLC se destaca pela alta capacidade de carga e baixo peso próprio, permitindo grandes envergaduras e formas mais flexíveis. Além disso, apresenta alta resistência ao fogo e estabilidade dimensional, características decorrentes do seu processo de fabricação.

As peças precisam de menos encaixes metálicos, menos parafusos e, portanto, podem ser mais interessantes que outras soluções
Paulo Bastos

Por sua vez, o processo de fabricação da MLC consome pouca energia em relação aos outros materiais construtivos. “É 24 vezes menor do que o aço; 14 vezes menor do que o vidro; e 5 vezes menor do que o cimento”, compara Calil, acrescentando que o material ainda apresenta baixo nível de perda para sua manufatura e pode ser facilmente obtido de fonte renovável, de florestas plantadas ou manejadas.

Entre outras vantagens, ainda se destacam a resistência a substâncias químicas e agressivas e a baixa necessidade de manutenção e pintura. Por ser industrializada, a MLC evita desperdícios de materiais e agiliza a montagem, acarretando um menor tempo de canteiro de obra.

Já sua desvantagem consiste no preço elevado comparado aos sistemas convencionais, principalmente pela baixa cultura de uso da madeira no Brasil. “O grande obstáculo é identificar os fabricantes e verificar se eles seguem as normas vigentes, já que não existe um selo de qualidade estrutural para a MLC como em outros países”, constata Calil.

PROCESSO DE FABRICAÇÃO

O processo de fabricação da MLC demanda alta precisão em todos os seus estágios, com controle de qualidade para assegurar as propriedades do material quanto à resistência especificada e, ainda, atender aos requisitos previstos em norma.

De acordo com Calil, as espécies de madeira mais recomendadas para o emprego em MLC são as das coníferas e algumas folhosas, como Pinus e Eucalipto. Como todas as madeiras podem ser coladas, não existe restrição para a escolha das espécies, alterando apenas a especificação do tipo de cola para cada opção.

O grande obstáculo é identificar os fabricantes e verificar se eles seguem as normas vigentes, já que não existe um selo de qualidade estrutural para a MLC como em outros países
Carlito Calil Neto

Outro fator que influencia na especificação da cola para fabricação da MLC são as condições a que a estrutura estará submetida. “É preciso levar em consideração se a mesma vai estar abrigada no interior da edificação ou exposta à variação das condições atmosféricas, como alternância de sol e chuva”, afirma Calil.

A MLC é produzida em um grau de umidade no qual o comportamento de contração e inchamento se reduz ao mínimo, garantindo estabilidade dimensional ao material. Por ser ensaiado em laboratórios específicos, o produto apresenta características físico-mecânicas precisas, facilitando o trabalho do calculista de estrutura de madeira.

NORMAS

A norma específica de recomendações para projetos de estrutura de madeira no Brasil é a NBR 7190:1997, da ABNT. “Essa norma está em revisão e, em breve, deve ser lançada uma versão que contemplará a norma de fabricação de MLC no Brasil”, revela Bastos.

Outro documento que serve como referência para fabricação da MLC é a norma americana AITC 115-2009, para controle de qualidade. “Com base nesse programa, é necessária a realização de ensaios diários, sistemas de avaliação em pontos estratégicos da produção e inspeção constante durante o processo de produção com inspetores credenciados”, aponta Calil.

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Colaboração técnica

Carlito Calil Neto – possui mestrado em Ciências e Engenharia de Materiais pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado em Engenharia Civil - Estruturas. Tem especialização em processo de produção de madeira laminada colada, análise em adesivos estruturais de madeira e ligações com parafusos autoatarraxantes. Também participou para a formação da norma NBR para a fabricação de MLC. Na Rewood, é responsável pelos departamentos de produção, controle de qualidade e orçamentos.
Paulo Bastos – sócio-diretor da Carpinteria Estruturas de Madeira LTDA. Trabalha com projetos, montagens e acompanhamento de estruturas de madeira há mais de 30 anos. Foi o principal projetista do SESC Pompéia, nos projetos de estrutura de madeira (portões, janelas, bancos, restaurante e teatro), onde trabalhou com Lina Bo Bardi e Marcelo Ferraz. Executou centenas de projetos de estruturas de coberturas, pergolados, escadas e decks em todo o Brasil, bem como o acompanhamento técnico dos serviços. Executa levantamento técnico estrutural para elaboração de laudos técnicos, notadamente em grandes galpões.
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