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12 Razões para Apostar na Construção Modular no Brasil

Por Paulo Oliveira, CEO da ARATAU Construção Modular

ENGENHEIRO PAULO OLIVEIRA FALOU SOBRE A CONSTRUÇÃO MODULAR NA “AECWEB CONFERENCE”. ASSISTA À GRAVAÇÃO DO EVENTO.


Construção Modular no Brasil
Fonte: RNZ / Wikicommons

A transformação digital tem aberto espaço, no mundo todo, para o crescimento da construção off-site e da construção modular. A necessidade de redução do desperdício, o consumo intenso de mão de obra direta e a falta de previsibilidade no cumprimento de custos e prazos, características da construção tradicional, justificam a mudança.

O relatório “Reinventing Construction: a Route to Higher Productivity”, produzido pela McKinsey, em 2017, destaca que a construção civil permanece na rabeira da produtividade global, puxando para baixo os índices da indústria! Desde 1945, a produtividade nos setores de manufatura, varejo e agricultura nos EUA cresceu 1.500%. Por outro lado, na indústria da construção, pouco aumentou. Isso é um enorme incômodo para o setor e tem custado muito caro para a economia mundial.

Como resposta direta à necessidade de aceleração da industrialização da construção, buscando eficácia, qualidade, ganhos expressivos de produtividade e maior controle de custos e prazos, a construção modular tem conquistado um espaço de destaque, com concentração das atividades em um ambiente industrial (off-site), mediante processos padronizados, realizando depois o trabalho de montagem na obra (on-site), de forma semelhante ao encaixe de blocos de Lego.

A construção modular explora a pré-construção, o projeto integrado e colaborativo em BIM e, ainda, técnicas utilizadas em fast-track construction, como a execução simultânea de atividades on-site e off-site. Um exemplo é a execução da infraestrutura e das fundações no local da obra, enquanto módulos volumétricos (3D), como banheiros prontos, painéis de fechamento (2D) e outros componentes industrializados são produzidos na fábrica.

A construção modular vem entregando em prazos que chegam a ser 50% menores do que o consumido na construção tradicional, em casas, prédios de apartamentos, hotéis, hospitais, edificações comerciais, industriais e institucionais. Conforme a tipologia da edificação e a escala, ganhos de prazo e de custo muito mais relevantes podem ser obtidos, permitindo a fabricação e montagem de uma casa em poucas semanas ou até mesmo em alguns dias. Destacam-se as “fábricas de casas” japonesas que confeccionam uma unidade em horas, obviamente numa escala de produção considerável.

Cuidados importantes 

Apesar dos benefícios, para a maximização de resultados, a construção requer um outro nível de projeto e controle. Por exemplo, os sistemas de instalações prediais – geralmente especiais e de montagem rápida – são inseridos concomitantemente à produção dos painéis de fechamento. Uma edificação modular possui nichos, shafts, bandejas e canaletas específicas para que os componentes hidrossanitários, elétricos, itens do sistema de ar-condicionado, bem como os referentes às instalações especiais sejam encaixados nos painéis, durante a sua produção, na fábrica.

Cada componente precisa ser estudado, planejado e projetado conforme padrões rigorosos, de forma que os encaixes sejam perfeitos e que sejam obedecidos os níveis de segurança, conforto termoacústico, durabilidade e de resistência estabelecidos pela Norma de Desempenho (NBR 15575, 2013), que abrange os principais sistemas de uma edificação: estrutura, pisos, vedações, cobertura e instalações.

Listo, a seguir, 12 razões para se investir na construção modular no Brasil:

1) Alta velocidade de produção (off-site)

Técnicas de planejamento e de logística industrial, aliadas à redução de grande volume de trabalho de construção on site e o uso de componentes industrializados e de módulos que se encaixam, geram produtos uniformes, com alta produtividade na montagem e baixo consumo de mão de obra direta e indireta. Os componentes e módulos são produzidos off-site em uma linha de montagem, em operação contínua, automatizando e mecanizando tarefas repetitivas e, muitas vezes, usando soldagem robótica, de forma análoga à montagem automotiva. Esta operação é feita conforme padrões rigorosos, gerando economia de escala.

2) Montagem rápida e compactação do tempo de construção

Os módulos são transportados para o local da obra em painéis compactos, com base em logística just-in-time e gestão eficaz da cadeia de valor, para que a montagem aconteça no menor prazo possível e de acordo com o planejamento. A montagem é realizada on site por equipes qualificadas, com equipamentos apropriados e atividades mecanizadas. Os profissionais que trabalham nesta operação são responsáveis por uma gama maior de tarefas, gerando alta produtividade com grande economia de tempo.

3) Minimização de atrasos decorrentes de condições climáticas 

Uma vez que boa parte das atividades é realizada dentro uma fábrica (off-site) e que a montagem da edificação no local da obra (on site) também é muito mais rápida, o risco de atrasos de entrega é substancialmente reduzido.

4) Tecnologia e inovação

As edificações modulares geralmente são compostas por ambientes compactos, bem planejados e equipados e incluem aparelhos e acessórios modernos. O projeto é minucioso e preciso. Assim como nos demais projetos de engenharia mecânica, há mais uma etapa além do projeto executivo. Trata-se do projeto de fabricação, rico em detalhes para definir “como fazer”. São muitas as possibilidades de explorar recursos e inserir um pacote substancial de tecnologia embarcada, incluindo automação e segurança, integrando o sistema de inteligência da edificação a aplicativos específicos para a gestão e acionamento de equipamentos e de sistemas eletroeletrônicos, mesmo à distância.

5) Ambiente mais seguro para trabalhar 

A segurança do trabalho sempre é uma grande preocupação para a indústria da construção que, por natureza, concentra algumas atividades de maior risco. O modelo de fabricação e montagem de edificações modulares proporciona um ambiente mais seguro e melhores condições de trabalho, além do menor nível de ruído e de poluição do ar, com impacto direto na diminuição do risco de acidentes.

6) Economia 

A redução de custo obtida em construções modulares é proporcional à escala de produção. Como a maior parte do trabalho de produção e acabamento ocorre off-site, aplica-se simultaneidade na fabricação dos subsistemas dos módulos e componentes. Sem desperdício de tempo e de mão de obra, há reduções consideráveis de custo nesta etapa. Na obra (on site), a velocidade de montagem, com equipamentos precisos e bem dimensionados, conforme sequência planejada, garante a compactação do tempo de construção, com baixo consumo de mão de obra e mínimo desperdício de materiais. O menor tempo de produção e montagem gera menores custos indiretos. Com isso, tem sido comum a transferência para o cliente de uma economia de 10% a 20% em relação a uma construção tradicional, com tamanho, acabamentos e design equivalente.

7) Flexibilidade

Os edifícios modulares são extremamente flexíveis e adaptáveis às necessidades dos clientes e usuários. Isso se viabiliza através de design bem estudado e personalizado. Uma grande vantagem é que funcionalidades ou novos espaços podem ser facilmente agregados a qualquer momento, através da inclusão de novos módulos. O sistema modular permite ainda opções de personalização e escolha de acabamentos, texturas, cores e equipamentos, conforme o padrão ou preferência do cliente, sem impacto na velocidade de produção, desde as decisões de personalização sejam feitas nas fases preliminares do projeto.

8) Qualidade, durabilidade e desempenho 

Uma característica inerente à produção de componentes e módulos em uma fábrica é a qualidade e uniformidade destes elementos, obtidas a partir de processos com tolerâncias rígidas e sob um sistema de garantia da qualidade. De acordo com o ciclo de vida de uma edificação, o projeto e a seleção de materiais e insumos consideram sempre as normas e requisitos mínimos de desempenho aplicáveis. Cuidados especiais são tomados em relação ao conforto termoacústico dos painéis de fechamento e dos pisos e, da mesma forma, na concepção, projeto e execução dos sistemas de proteção contra incêndio.

9) Menor movimentação e geração de ruído e poeira no entorno da obra

A remoção de boa parte da atividade de construção do local onde a obra será executada reduz significativamente os níveis de movimentação de caminhões, bem como de poluição sonora e partículas do ar no local da obra e no seu entorno. Se a edificação em questão for referente à obra de expansão de uma escola ou de um hospital em operação, por exemplo, este benefício tem ainda maior valor, já que propiciará menor nível de desconforto de alunos ou pacientes. Destaca-se ainda o menor potencial de infecção por vírus e bactérias em obras hospitalares em relação às construções tradicionais, na montagem de edificações modulares.

10) Sustentabilidade e benefícios ambientais

Edificações modulares têm sido concebidos com design sustentável. Estes produtos são geralmente projetados com espaços compactos e de acordo com critérios de eficiência energética e de economia de água. A possibilidade do uso de materiais reciclados e de madeira certificada também colocam estes produtos dentro do conceito de ecologicamente corretos. O processo de construção off-site, com fabricação em linha de montagem, permite menor uso de energia do que a construção tradicional, além de gerar baixo desperdício. Edificações modulares também geram menor quantidade das emissões de gases de efeito estufa, de poeira, detritos e resíduos, o que é inerente ao próprio processo de fabricação e montagem, minimizando o impacto ambiental.

11) Menor custo de operação e manutenção

Considerando o processo de produção em ambiente controlado, o uso de componentes de desempenho conhecido e a montagem especializada, as edificações modulares têm qualidade e durabilidade superior, o que implica em menor custo de manutenção ao longo de sua vida útil. A adoção de critérios rigorosos de eficiência energética e de economia de água, bem como o cuidado maior no isolamento termoacústico, geram menor consumo de energia, de água e de ar-condicionado, com impacto positivo e expressivo no custo de operação.

12) Portabilidade

A facilidade de desmontar uma edificação modular e de remontá-la em outro local abre amplas perspectivas no mercado imobiliário. As edificações modulares podem ser utilizadas, portanto, como edifícios temporários ou portáteis, constituindo-se, em situações específicas, como uma alternativa melhor do que a construção convencional. Nestas situações, as construções modulares relocáveis devem ser projetadas considerando que serão reutilizadas e transportadas para diferentes locais várias vezes, de forma que sua estrutura e componentes possuam maior resistência, adequando-as a esta condição.

Conclusão 

O uso crescente da construção modular industrializada é uma resposta inteligente à necessidade de produzir edificações eficazes, de qualidade e desempenho superior, com custos menores e controlados, em prazos muito reduzidos e de forma mais sustentável.

De olho nas tendências e mudanças no cenário mundial, alguns empreendedores e empresários brasileiros já embarcaram no mundo da construção modular, enxergando uma grande gama de aplicações, os benefícios decorrentes de uma operação off-site e on-site bem estruturada e gerenciada e o potencial significativo deste negócio.

Nossa expectativa é que a indústria da construção brasileira e os órgãos que fomentam e incentivam a pesquisa e a inovação abracem esta causa, impulsionando o desenvolvimento da construção industrializada e modular, como forma efetiva de contribuir para o aumento da produtividade, melhora da qualidade redução do desperdício e do custo de operação e manutenção do patrimônio público e privado construído.

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Paulo OliveiraArticulistaPaulo Oliveira

PERFIL

Engenheiro civil, PMP, MBA pela FIA-USP e Mestrando em Inovação na Construção pela Escola Politécnica da USP. É CEO da ARATAU Construção Modular. Dirigiu indústrias de produtos para construção e foi diretor de engenharia, de unidades de negócios e CEO de empresas de engenharia, construção e incorporação.

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