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Consumo de Água na Construção Sustentável

Artigo de Eduardo Straub, engenheiro civil e proprietário da Straub, empresa que presta consultoria em sustentabilidade para Greenbuildings e toda a cadeia da construção civil

Com 12% dos 3% de toda água doce disponível no planeta Terra, o Brasil se encontra numa posição bem privilegiada se comparado a tantos outros países. E isso não é para menos, além de seus enormes e longos rios, o Brasil conta com os dois maiores aquíferos do mundo: O aquífero Guarani, com seus 45 mil km3 de água doce abrangendo 8 estados e 4 países, e o aquífero Alter do Chão, com 86 mil km3 de água doce se estendendo por uma área de 437.500 km2 em 545 metros de espessura média. Só o aquífero Alter do Chão seria suficiente para abastecer por 100 vezes toda a população mundial.

Contudo, num país continental, não é fácil trazer toda essa água para os grandes centros urbanos. Segundo a SABESP, a região metropolitana de São Paulo tem seu sistema de abastecimento integrado por 8 complexos e é responsável em atender 39 municípios com a produção de 67 mil litros de água por segundo. Com esse volume de água sendo consumido quase instantaneamente e com a escassez de chuvas, é inevitável que haja racionamento. O sistema Alto Tietê opera hoje com 44,7% de sua capacidade, enquanto que o sistema Cantareira opera com 22,2%. O nível está tão baixo e a situação é tão crítica que a SABESP passou a responsabilidade de consumo para a população. Quem reduzir 20% do seu consumo de água, terá um abatimento de 30% na sua conta de água.

Dentro deste cenário, o US Green Building Council informa que a construção civil consome 21% de toda a água tratada do planeta e que 13,6% é de responsabilidade das edificações. No entanto, os edifícios verdes já vêm implementando certas estratégias economizadoras que podem chegar a 50% de redução no consumo de água potável.

Uma dessas estratégias está na utilização de vegetação nativa para as áreas de jardim. Além de promover a biodiversidade, a vegetação nativa está adaptada para sobreviver nas condições climáticas de seu local de origem. Ou seja, não é necessário irrigação. Porém, se o jardim não contar apenas com vegetação nativa, o sistema de irrigação por gotejamento com sensor de chuva reduz em até 70% o consumo de água.

Sistemas de coleta de água pluvial e de águas cinzas são ótimos para serem utilizados para fins não potáveis como descargas, lavagem de áreas externas e irrigação. No entanto, é necessário orientar as pessoas quanto ao seu uso restrito.

Para as áreas internas da edificação, utiliza-se o sistema dual flux para vasos sanitários, onde o consumo é de 3 litros de água para líquidos e 6 litros para sólidos. Com o sistema dual flux, a economia de água, em relação a sistemas tradicionais, chega a 60%. Para torneiras, utilizam-se arejadores e restritores e, dependendo do uso, podem ser instalados sensores de uso ou sistemas de pressão. Já os chuveiros são instalados com temporizadores, que liberam apenas a quantidade de água necessária para o banho e garantem uma economia de até 70% no consumo de água. Para quem acha ruim tomar banho com contagem regressiva, faz anos que o governo australiano orienta seus cidadãos a não ficarem embaixo do chuveiro por mais de 4 minutos. Quem desrespeita e tem um consumo excessivo recebe uma advertência do departamento de água pelo correio.

Outra estratégia é a instalação de medidores individualizados de consumo de água. Dessa forma, cada um paga pelo seu respectivo consumo e também facilita a identificação de possíveis vazamentos. A SABESP, em seu site, disponibiliza uma lista comparativa entre equipamentos convencionais e equipamentos economizadores.

 

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Eduardo StraubArticulistaEduardo Straub

PERFIL

Eduardo Straub é engenheiro civil e proprietário da Straub, empresa que presta consultoria em sustentabilidade para Greenbuildings e toda a cadeia da construção civil.

Foto: Straub Sustentabilidade

Site: www.straub.eco.br

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