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Ambientes corporativos requerem bom projeto luminotécnico

A iluminação adequada está diretamente relacionada ao bem-estar, podendo interferir no desempenho e na produtividade dos funcionários

Mariana de Viveiros

Iluminação corporativa

Foi-se o tempo em que a iluminação de um ambiente, fosse ele corporativo ou residencial, não recebia muita atenção. Hoje, está mais do que provada a sua importância. Em ambientes corporativos, por exemplo, ela está diretamente relacionada ao bem-estar, ao desempenho e à produtividade dos funcionários. “Em ambientes de trabalho, a iluminação adequada torna a execução das tarefas diárias mais prazerosa, aumenta a concentração e, consequentemente, reduz erros, podendo até evitar acidentes”, acredita a arquiteta e sócia da G4 Lighting, Katya Castellini. “A iluminação tem um papel tão fundamental em um edifício que deve ser considerada investimento, não custo. O ideal seria que o empreendedor, ao fazer o planejamento financeiro da obra, destinasse cerca de 5% do valor total investido à iluminação”, opina.

Necessidades interferem no projeto

Para gerar conforto visual aos funcionários, é preciso, primeiramente, entender quais são as suas necessidades e para quais tarefas o espaço será utilizado. Dessa forma, fica mais fácil definir os recursos de iluminação (iluminação geral no teto, iluminação de destaque para quadros ou objetos e iluminação da mesa de trabalho, que é controlada pelo usuário). A instalação desses recursos deve respeitar as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como a NBR 8995/1, que estabelece que o índice de iluminância – quantidade de luz em determinado ambiente – adequado para escritórios é de 500 lux.

Além disso, é preciso levar em consideração fatores como a incidência de luz natural, o pé-direito (alto ou baixo), a existência ou não de cortinas e espelhos, assim como a cor e o material de que são feitos os móveis (cadeiras, mesas, sofás) e piso. O arquiteto e designer de interiores Josivan Benegate, docente do Senac, reforça a importância de o projeto luminotécnico ser feito em parceria com o arquiteto. “Não dá para pensar na iluminação sem conhecer detalhes do layout”, aponta. O arquiteto e lighting designer Carlos Bertolucci, fundador da Companhia da Iluminação, concorda: “É interessante discutir soluções com o arquiteto e chegar a um consenso”.

O que se vê por aí

De dez anos para cá muita coisa mudou em relação à iluminação de ambientes corporativos. A começar pela substituição das lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes e, mais recentemente, pelos leds. Estes últimos consomem cinco vezes menos energia, duram mais (60 mil horas contra as 18 mil das fluorescentes), emitem menos calor, têm temperatura de cor mais estável e demandam menos manutenção. Mas todas essas vantagens têm um preço alto: R$ 70 cada led. “O Brasil ainda está evoluindo em relação a esse tipo de lâmpada. As melhores costumam ser importadas e com alto valor agregado, o que encarece a composição da luminária”, afirma Bertolucci. Benegate observa que, como ainda não há regulamentação para a produção de leds no Brasil, o que dificulta a manutenção de um padrão de qualidade.

Automação

A tecnologia e a automação têm sido aliadas dos projetos de iluminação corporativa. Alguns edifícios já adotam sistemas que imitam a dinâmica da luz solar, que é bem clara de manhã, vai amarelando ao longo do dia e se torna vermelha ao anoitecer. Outro sistema interessante é o que considera a luz natural: sensores medem a quantidade de luz durante o dia, de forma que a iluminação artificial fique desligada durante um período e vá ficando mais intensa com o entardecer (quanto menos luz natural, mais luz artificial).

Sustentabilidade

É possível economizar energia elétrica usando recursos que têm melhor eficiência energética, como os leds, e instalando sistemas que controlem a luz em espaços sem muita movimentação e aproveitem a luz natural, principalmente em áreas próximas a janelas. Outra estratégia sustentável é separar os diferentes recursos de iluminação em circuitos independentes. Dessa forma, não é preciso que todos fiquem ligados ou desligados ao mesmo tempo. “O bom profissional de iluminação precisa entender que toda nova tecnologia é bem-vinda, mas, acima de tudo, deve saber analisar uma luminária, verificando sua eficiência, seus dispositivos de controles de fachos e etc. Assim, é possível reduzir o consumo de energia em torno de 20%”, declara Katya.

 

Lâmpada Geração de Luz Geração de Calor
Lâmpadas incandescentes de 6W Produzem 5% de luz Geram 95% de calor
Lâmpadas fluorescentes de 20W Produzem 80% de luz Geram 20% de calor
Leds de 4/5/6W Produzem 95% de luz Geram 5% de calor

 

Para não errar

Erros no projeto luminotécnico podem prejudicar o desempenho dos funcionários de uma empresa. Veja os mais comuns:

  • Ofuscamento.O chamado ofuscamento indireto acontece quando a fonte luminosa é refletida em algum objeto ou superfície (espelhos, mesa de vidro, tela do computador etc.) e volta para o campo de visão. “Esse tipo de ofuscamento é bastante prejudicial, pois provoca contrastes excessivos para o olho humano e prejudica a execução do trabalho, causando fadiga e eventuais dores de cabeça”, explica Katya. Segundo Benegate, o ofuscamento pode ser evitado com o uso de equipamentos adequados a cada situação. “Uma luminária aberta (com lâmpadas aparentes) pode ser utilizada sobre uma mesa de madeira, mas nunca sobre uma de vidro, pois o tampo virará espelho e haverá ofuscamento. O ideal nesse caso é que a luminária tenha um difusor”, exemplifica.
  • Luminância errada = quantidade de luz inadequada
  • Temperatura de cor inadequada. Segundo Benegate, luzes amareladas (que possuem entre 2.500 e 3.000 Kelvin) provocam sono. “Elas podem ser usadas para iluminar um ponto específico: um quadro, uma planta, uma parede”, sugere. Já as brancas (entre 5.000 e 6.000 Kelvin) são ideais para ambientes corporativos, por serem mais estimulantes.
  • Má qualidade das luminárias. Além de gastarem mais energia e terem vida útil mais longa, podem causar cansaço visual. “O barato acaba saindo caro, pois lâmpadas de baixa qualidade têm obsolescência programada, ou seja, duram apenas três, quatro meses”, critica Bertolucci. Katya completa: “É preciso conscientizar quem ainda não reconhece a importância de um projeto luminotécnico de que quando um profissional pede determinado equipamento, ele não está pensando apenas na plasticidade, mas, principalmente, na sua funcionalidade e eficiência. Muitos equipamentos parecem iguais, mas não são, e suas especificidades devem ser respeitadas”.
  • Posicionamento da luminária: o ideal é que ela fique sobre a mesa, iluminando o plano de trabalho. Se for instalada atrás da pessoa, o corpo desta formará uma sombra sobre a mesa. Em caso de ambientes com várias mesas, as luminárias retangulares devem ficar perpendiculares a elas, não paralelas.

Colaboraram para esta matéria

Katya Castellini – Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo e pós-graduada em Conforto Ambiental e Conservação de Energia pela Fujam/USP (Fundação para a Pesquisa em Arquitetura e Ambiente da Universidade de São Paulo). É sócia, desde 2011, da G4 Lighting, empresa que surgiu da união entre a Godoy Associados, a Lighting Designers Maria Luisa Simas e Katya Castellini.
 
Carlos Bertolucci – Arquiteto e lighting designer graduado pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo). Em 1989, fundou a Companhia da Iluminação (www.ciadeiluminacao.com.br).
 
Josivan Benegate – Formado em arquitetura pela Uninove. O designer de interiores e especialista em Iluminação é docente do curso técnico de Design de Interiores do Senac Santa Cecília, em São Paulo (SP).
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