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Como projetar decks e mantê-los bem conservados?

Veja dicas e recomendações do arquiteto André Luque

Redação AECweb / e-Construmarket

Deck - Casa
Decks asseguram aspecto natural e conforto ao usuário (Santiago Cornejo/shutterstock.com)

Embora seu uso mais corriqueiro tenha sido até hoje no entorno de piscinas, os decks podem ser aproveitados também em boxe de banheiro, varandas de casas e apartamentos, solarium, entre outros locais. Geralmente produzidos em madeira, eles asseguram aspecto natural ao ambiente e conforto ao usuário.

Os decks consistem em plataformas que podem assumir diversas formas e contornos e que são apoiadas sobre o piso, podendo ser facilmente removidas para limpeza da área.

Segundo o arquiteto André Luque, do escritório que leva seu nome, para aumentar a vida útil do material, há que se tomar alguns cuidados na hora de projetar. “A madeira pode, sim, molhar, mas deve ter condições de secar rapidamente e não pode ficar encostada na água, para evitar que apodreça”, comenta.

Nesses produtos prontos, as réguas são fixadas diretamente nos barrotes, sem espaçadores, o que é um ponto de fragilidade
André Luque

INSTALAÇÃO

Em seus projetos, Luque costuma deixar frestas de 2 ou 3 mm entre as réguas para a água escoar, medida suficiente para evitar que objetos menores passem por elas. Essas peças são pregadas ou aparafusadas em barrotes, também de madeira, porém jamais apoiadas diretamente. Entre o deck e o elemento de sustentação, o arquiteto utiliza espaçadores, que podem ser porcas de aço inoxidável. A área de ventilação correspondente à altura da porca, de cerca de 0,5 mm, evita que a água fique acumulada.

Os barrotes de apoio também devem ser protegidos, pois estão em contato direto com a água e em condições difíceis de secagem. Luque orienta pintar essas peças com tinta impermeabilizante. “Além disso, instalamos um espaçador sob o barrote, para que não fique encostado no contrapiso. Utilizamos apoios de borracha de alta densidade (neoprene) apenas em alguns pontos das peças, permitindo que a água passe por baixo e escoe até o ralo. O calço também evita transmissão da vibração da madeira para a laje de concreto ou contrapiso”, explica, alertando que a conexão das réguas com os barrotes seja sempre feita com parafuso em aço inox.

Outra dica do profissional é utilizar parafusos importados de aço inox, pintados em marrom, que trazem uma rosca num sentido e invertida no final. "Ela trava a peça e não solta por nada”, afirma.

Quando instalado em varanda, o ideal é que o deck fique alinhado com o piso interno, evitando degrau. No projeto, deve ser calculado o desnível do contrapiso para que, somados os barrotes e as réguas – estas têm, geralmente, 2 cm de espessura –, se possa chegar a esse alinhamento. As varandas de apartamentos são mais baixas em relação ao piso da sala, o suficiente para que o produto instalado deixe escoar a água da chuva quando não há envidraçamento dessa área.

MANUTENÇÃO

A principal desvantagem do deck de madeira é a exigência de manutenção periódica, e o cliente deve estar consciente disso. A madeira é mais vulnerável em áreas que recebem muito sol ou no boxe, devido ao contato com produtos como sabonete e xampu. Nesses casos, é preciso fazer manutenção anual, com o uso de verniz com filtro solar.

De acordo com Luque, atualmente há muitas opções no mercado de vernizes impregnantes, que não formam película como fazem os marítimos. Os novos vernizes são absorvidos pela madeira, que fica protegida. "No momento de fazer a manutenção é muito mais simples, porque dispensa a necessidade de raspar e lixar para reaplicar verniz, evitando trabalho e poeira”, explica. Quando o deck está na sombra, a manutenção é mais espaçada, podendo chegar a dois anos.

Adotando todos esses cuidados de projeto e manutenção, a madeira pode ser usada mesmo em regiões mais úmidas como o litoral.

Quando a manutenção não é feita, a plataforma pode ficar com aparência acinzentada de madeira envelhecida. “Acho que combina com alguns estilos de casa, mas de toda forma essa condição pode ser revertida com a raspagem da madeira, que revela o seu tom natural”, comenta.

A madeira pode, sim, molhar, mas deve ter condições de secar rapidamente e não pode ficar encostada na água, para evitar que apodreça
André Luque

TIPOS DE MADEIRA

Em geral, decks pedem madeiras mais duras com maior resistência mecânica, como cumaru, ipê, maçaranduba, itaúba e tatajuba. Porém, também podem usar pallet, um material caracterizado pelas madeiras macias e mais frágeis, como pinus e eucalipto, e baixo preço.

Já os kits de madeira modular comercializados pelas indústrias em home centers têm os mais variados tamanhos, desde 30 x 30 cm até 100 x 100 cm, ou réguas de até 200 cm. “Nesses produtos prontos, as réguas são fixadas diretamente nos barrotes, sem espaçadores, o que é um ponto de fragilidade. Mas algumas marcas de decks modulares têm uma base de plástico, que não vai apodrecer em contato com a água. Usam sistema de encaixe e, uma vez montados, viram um tapete único”, comenta o arquiteto.

O preço desses produtos costuma ser bom, variando de acordo com a madeira utilizada. Para o profissional, a solução é interessante para quem quer fazer um deck sem muita dificuldade. De toda forma, nas áreas de encontro do piso com as paredes ou o peitoril, será preciso pedir ajuda de um marceneiro que fará os recortes.

ALTERNATIVA À MADEIRA

A madeira plástica – também conhecida como madeira ecológica – vem sendo disponibilizada no mercado como uma alternativa à madeira convencional. Apesar do preço mais acessível e de ser livre de manutenção, Luque defende que esses produtos ainda estão distantes da estética e nobreza da madeira. Vendidos em grandes redes de materiais de construção, eles se apresentam em kits, com padrões que vão do cumaru ao ipê, ou simplesmente branco.

 

Na Galeria da Arquitetura, veja projetos com diferentes decks:
Gazebo e Deck Spa da Lagoa, do arquiteto Luis Fábio Rezende de Araújo
Casa Morumbi, do escritório Drucker Arquitetura
Sede Fazenda Prana, do escritório Sidonio Porto Arquitetos Associados

Colaborou para esta matéria

André Luque
André Luque – Arquiteto formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie (2002). Trabalhou em diferentes escritórios de arquitetura desenvolvendo projetos institucionais, comerciais e residenciais, além de participar de diversos concursos nacionais e internacionais de arquitetura. Após vencer o concurso para o Centro Cultural de Araras, em 2004, abre escritório com colegas de faculdade e passa a desenvolver projetos institucionais e comerciais. Em 2006, funda a André Luque Arquitetura e começa a criar projetos residenciais com traços contemporâneos e especial atenção às questões ambientais e sustentáveis. Em 2007, vence o concurso para o Teatro Municipal de Londrina. Em 2009, recebe o 3° Prêmio na Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo com o projeto Centro Cultural de Araras. De lá pra cá, teve vários projetos publicados em livros, revistas e sites no Brasil e no exterior.
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