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Escolas bem projetadas favorecem o ensino

Conforto térmico e acústico, iluminação e humanização são alguns princípios essenciais para a arquitetura escolar

Redação AECweb / e-Construmarket

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Foto: Pedro Kok, Projeto: Escola de Ensino Médio SESC Barra – Indio da Costa

Projetos de escolas devem ser norteados por três fatores: edificação cuidadosamente adequada para receber muitas crianças; arquitetura humanizada que acolha os jovens e os façam se sentir bem no ambiente; e especificação de soluções que garantam a robustez do prédio, permitindo que os alunos cumpram atividades e brincadeiras, sem riscos. Os locais de ensino precisam ser confortáveis, com boa iluminação, velocidade do ar controlada, temperatura adequada e acústica que facilite a comunicação verbal.

Se bem projetada, a edificação pode auxiliar no aprendizado dos alunos. “Porém, a maioria de nossas construções ainda não atingiu esse patamar”, lamenta a doutora em arquitetura Doris Kowaltowski, que leciona na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e é especialista em arquitetura escolar.

Antes de esboçar qualquer traço na prancheta, o arquiteto precisa conversar com os diretores da escola e conhecer a sua proposta pedagógica. Existem métodos de ensino que preveem turmas menores e, com isso, o tamanho das salas é reduzido. O projeto também deve ser pensado levando em consideração a idade das crianças ou jovens, para que o espaço possa atender às necessidades de cada fase de desenvolvimento.

Segundo a professora, adolescentes têm problemas que não são fáceis de gerenciar, e uma arquitetura adequada pode inspirar bons comportamentos e auxiliar no combate de situações de bullying. “O ideal é posicionar os banheiros em áreas com circulação constante, de maneira a inibir atitudes inconvenientes”, exemplifica.

O arquiteto deve procurar tornar a biblioteca agradável e estimulante para a prática da leitura
Doris Kowaltowski

PÁTIO

O pátio é outro ambiente que influencia o comportamento dos alunos. Nos intervalos, é comum que as turmas mais bagunceiras fiquem em pontos estratégicos localizados próximos às quinas, protegidas pelas duas paredes. “Se a área de recreação for toda aberta, é eliminada essa possibilidade”, diz Doris. Esse é um dos motivos para se evitar a arquitetura mais clássica de escolas, com pátio central e prédios com salas de aula em todo o perímetro. Outro motivo é a questão acústica, pois cria-se reverberação sonora.

O mais indicado para o pátio é que a área seja livre de obstáculos, para as crianças correrem, e com árvores em seu entorno. “A vegetação proporciona sombreamento e colabora com a acústica. Entretanto, não é aconselhável ter o pátio totalmente gramado, devido à grande circulação de pessoas, que causa rápido desgaste das plantas”, fala a docente.

QUADRAS

Por ser grande em volume e difícil de encaixar no conjunto sem destoar do restante do projeto, a quadra impõe desafios à arquitetura. É recomendável que o espaço para prática esportiva fique no interior da escola e não escondido no fundo do terreno, facilitando o acesso em dias de chuva. Por outro lado, colocá-la dentro da edificação cria dificuldades relacionadas com a acústica. “É um ambiente que gera muito ruído e, quanto mais próximo estiver das salas de aula, melhor deve ser o tratamento acústico do prédio”, ressalta a professora. O arquiteto tem de equacionar esses dois aspectos no momento de definir o local que receberá a quadra.

SALAS DE ENSINO

Os métodos de ensino estão evoluindo e exigindo mais do que a tradicional configuração de sala de aula, com todos os alunos sentados, em fileiras voltadas ao professor. “Esse tipo de aula é importante e continua acontecendo, porém, o projeto deve prever outras três instalações que permitam que sejam trabalhadas diversas técnicas de ensino”, afirma Doris. Um dos espaços é voltado para apresentações, seminários e palestras. Pode ser um auditório ou uma sala bem equipada com data show, mapas, telões, televisores, aparelhos sonoros, entre outros materiais.

A segunda instalação é onde grupos de alunos podem se reunir e discutir entre eles o conteúdo apresentado em classe. “O ambiente para essa atividade tem de ser acusticamente bem pensado, para que os ruídos produzidos por uma turma não atrapalhem a outra”, destaca a docente. Nessa sala, é importante que os jovens tenham acesso à informação, seja através de pontos de Wi-Fi, computadores ou entrada facilitada para a biblioteca.

Os corredores também podem ser espaços de ensino e não uma simples via de movimentação
Doris Kowaltowski

O terceiro espaço é destinado ao estudo individualizado, onde o aluno buscará aprofundar o conteúdo abordado. “Essas tarefas não acontecerão todas diariamente. Então, não é preciso dispor de uma sala dessas para cada turma”, complementa.

SALA DOS PROFESSORES

O professor também necessita de espaço privado para preparar as aulas, descansar do barulho das crianças e se reunir com os demais docentes. “Dividir a sala dos professores em ambientes menores é alternativa interessante. Um local único acaba se transformando em uma espécie de copa com sofá, onde os professores ficam conversando”, fala Doris. O ideal é que exista uma área específica para cada atividade realizada pelos profissionais, e esses locais até podem ser anexos uns aos outros. “Não basta somente escolher uma sala do prédio e colocar plaquinha ‘sala dos professores’ na porta de entrada”, destaca.

BIBLIOTECA

Atualmente, com tantas informações disponíveis na internet, a biblioteca precisa exercer outras funções além de ser um local de pesquisas. “O arquiteto deve procurar tornar o ambiente agradável e estimulante para a prática da leitura. Além dos livros (didáticos e paradidáticos), o local pode contar com espaço para contação de histórias e apresentação de teatro de fantoches, por exemplo.

CORREDORES

Apesar de não receberem a devida atenção dos projetistas, esses espaços exercem importante função no contexto escolar, pois ajudam a promover a socialização entre alunos. Propiciar acústica adequada aos corredores é essencial, para que os grupos possam conversar, sem atrapalhar quem deseja ler ou estudar. Os locais podem ter vistas para o ambiente externo ou apresentar nichos maiores para prática de exercício físico em grupo. “Os corredores também podem ser espaços de ensino e não uma simples via de movimentação”, finaliza Doris.

Leia também: Forros minerais proporcionam isolamento acústico a cinemas, auditórios e escolas

Colaboração técnica

Doris Catharine Cornelie Knatz Kowaltowski – Formou-se em Arquitetura (com honours) pela Universidade de Melbourne, na Austrália, com o diploma revalidado no Brasil. Tem mestrado e doutorado (PhD) em Arquitetura pela Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA). Atualmente, é docente do departamento de Arquitetura e Construção da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi coordenadora do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo da FEC-Unicamp entre 1997 e 2002, e em 2006. Foi diretora associada da FEC-Unicamp entre 2003 e 2006. Coordenou e coordena vários projetos de pesquisa, com apoio da FAPESP, FINEP e FAEP-Unicamp. É membro da coordenação da área de arquitetura e urbanismo da FAPESP. Atua em dois cursos de graduação da Unicamp: Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo. Na pós-graduação, atua no programa de mestrado e doutorado da FEC-Unicamp.
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