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Escolha da quantidade de águas do telhado é arquitetônica

A tipologia da cobertura deve ser especificada após análise e planejamento do conjunto das variáveis dos projetos estrutural, de arquitetura e de instalações

Redação AECweb / e-Construmarket

Quantas águas deve ter o telhado? Projetar uma cobertura vai além de definir qual estrutura e tipo de telha melhor se adequam às necessidades da edificação. Entre as questões que o arquiteto leva em consideração para desenvolver a melhor solução está a quantidade de águas que o telhado apresentará. “Denominamos águas do telhado os planos inclinados para escoamento da chuva”, explica o engenheiro Mauro César de Brito e Silva, professor na Escola de Artes e Arquitetura da PUC Goiás.

Em primeiro lugar, é importante o projetista ter conhecimento sobre as diferentes peças que podem compor as estruturas, como as tesouras, terças, caibros, ripas, entre outras
Mauro Silva

O profissional comenta que a escolha do número de águas é arquitetônica, entretanto, a definição influencia outros aspectos do projeto, como nas estruturas do telhado. “Em primeiro lugar, é importante o projetista ter conhecimento sobre as diferentes peças que podem compor as estruturas, como as tesouras, terças, caibros, ripas, entre outras”, completa.

O número de águas define, também, elementos do telhado relacionados com as inclinações, como calhas e rufos. “Por questões de mão de obra e economia, é interessante adotar soluções simples, evitando peças especiais que só trarão transtornos futuros”, alerta o professor. “Uma obra de qualidade necessariamente tem bons projetos desenvolvidos por profissionais competentes e o tipo de telhado é decisão fundamental de uma edificação. Portanto, a tipologia da cobertura não deve ser especificada sem análise e planejamento do conjunto das variáveis dos projetos estrutural, de arquitetura e de instalações”, complementa.

O telhado de uma água é composto por única superfície plana inclinada, cobrindo pequena área edificada ou estendendo-se para proteger as entradas da edificação
Mauro Silva

TELHADOS DE UMA, DUAS, TRÊS OU QUATRO ÁGUAS

O professor afirma que os telhados de múltiplas águas são coberturas de edificações de pequena área em que os planos são determinados por superfícies poligonais quaisquer, onde a escolha do número de águas é definida pelo processo do triângulo auxiliar. “O telhado de uma água é composto por única superfície plana inclinada, cobrindo pequena área edificada ou estendendo-se para proteger as entradas da edificação. Já as tipologias de duas águas são formadas por um par de superfícies planas inclinadas, com declividades iguais ou distintas, unidas por linha central denominada cumeeira ou distanciadas por elevação do tipo americana. O fechamento da frente e fundo é realizado com oitões, ou seja, elevações externas em alvenaria de vedação acima da linha de forro”, detalha.

As tipologias de duas águas são formadas por um par de superfícies planas inclinadas, com declividades iguais ou distintas, unidas por linha central denominada cumeeira ou distanciadas por elevação do tipo americana
Mauro Silva

As coberturas com três águas são aquelas com áreas triangulares, em que se definem três tacaniças (partes laterais de um telhado de forma piramidal) unidas por linhas de espigões. “Por último, o telhado de quatro águas é usado em edificações quadriláteras, de formas regulares ou irregulares”, indica Silva.

MATERIAIS

As estruturas de todas as tipologias de coberturas podem ser compostas de materiais como aço e madeira. Quando a edificação tem laje com forro de concreto armado, a melhor solução estrutural para suportar o conjunto formado pela terça, caibro e ripa (trama) são os pontaletes e, quando há a necessidade de vencer vãos sem apoios intermediários, as tesouras se tornam as mais indicadas para suporte da trama. “Um projeto arquitetônico pode até ser motivado pela cobertura”, avalia, dizendo que a definição da tipologia do telhado acontece na primeira fase do projeto.

O telhado de quatro águas é usado em edificações quadriláteras, de formas regulares ou irregulares
Mauro Silva

TELHADOS DE DIFERENTES ÁGUAS: COMO FAZER

Assim como a quantidade de águas, o tipo de telha também é decisão que cabe ao arquiteto. “Os materiais de cerâmica são os mais utilizados em coberturas residenciais. As demais opções, como fibrocimento, alumínio e aço, são as mais empregadas em edificações comerciais e industriais”, afirma Silva. Além do tipo de vedação, outras especificações que fazem parte do projeto arquitetônico – independente da quantidade de águas do telhado –, são a altura das cumeeiras ou ponto da cobertura; acabamentos laterais das coberturas, como oitões, platibandas, beirais; e detalhes complementares, com destaque para calhas, rufos, ralos, ventilação e iluminação zenital (lanternim, domos, claraboias).

A dificuldade de construção dos telhados é proporcional à quantidade de águas, ou seja, quanto maior o número de inclinações, mais difícil será de ser construído. “Independente do número de águas, acabamentos e detalhes complementares, a execução adequada do projeto depende de mão de obra especializada. O procedimento de instalação de todo o conjunto do telhado deverá ser analisado ainda no projeto de concepção da cobertura e da edificação”, explana o professor.

CÁLCULO DE TELHADOS COM DIFERENTES ÁGUAS

A inclinação da água do telhado é calculada considerando as especificações técnicas da telha escolhida. “A inclinação é o ângulo, normalmente indicado pela letra grega alfa – α, que o plano da cobertura faz com a horizontal ou com a declividade, uma porcentagem da inclinação, que é a tangente trigonométrica do ângulo da inclinação, normalmente indicado nos projetos pela letra d, ou seja, d = tagα”, finaliza Silva.

FUNÇÕES DA COBERTURA

Grande parte do conforto térmico e acústico da edificação está diretamente ligada ao projeto de cobertura. Entretanto, existe relação pouco significativa entre essas características e a quantidade de águas dos telhados. “O projeto, de maneira geral, deve observar fatores do clima que determinarão os detalhes dos telhados, conforme as necessidades de cada situação. A principal função das coberturas é a de proteger as edificações contra intempéries, atendendo às funções utilitárias, estéticas e economicamente viáveis”, afirma Silva, acrescentando ser difícil informar se os telhados com muitas águas são soluções usuais no Brasil. “Na cidade de Goiânia, por exemplo, os projetos arquitetônicos residenciais de médio e alto poder aquisitivo têm explorado telhados com várias águas. Já as construções comerciais e industriais tendem a utilizar telhados de uma ou duas águas”, diz.

Colaborou para esta matéria

Mauro César de Brito e Silva – tem graduação em Engenharia Civil pela Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), especialização em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Engenharia de Estruturas pela “University of Alberta”. Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Estruturas, atuando principalmente nos seguintes temas: estrutura de edifícios, estrutura metálica, concreto armado, protendido, madeira e estrutura de pontes. Professor de Sistemas Estruturais do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Artes e Arquitetura da PUC Goiás desde 1985. Autor dos livros: Estrutura e Arquitetura – Fundamentos 2ª edição 2014; Estrutura e Arquitetura – Concreto Armado e Alvenaria Estrutural 1ª edição 2014; Estrutura e Arquitetura – Aço e Madeira 1ª Edição 2012.
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