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Normas, ensaios e qualidade de esquadrias

Para que a esquadria ofereça conforto térmico, vedação e segurança, é preciso atender aos requisitos mínimos de desempenho

Ao adquirir uma esquadria o consumidor deve estar atento, pois uma esquadria que atende a norma pode ser semelhante à outra não-conforme

Normas, ensaios e qualidade de esquadrias

Redação AECweb

Para que uma esquadria cumpra seu papel de conforto térmico, vedação e segurança ela deve atender os requisitos mínimos de desempenho, descritos na ABNT NBR 10821, não importando o material com que foi fabricada”. O alerta é da engenheira Fabiola Rago, coordenadora da Comissão de Estudos do CB 02 de Caixilhos para Construção Civil, da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Desde 2007, a chamada ‘norma mãe’ passa por revisão, sediada na AFEAL – Associação Nacional dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio.

Segundo Fabiola, ao adquirir uma esquadria ou contratar o serviço de um fabricante, a construtora ou o consumidor devem estar atentos ao projeto do produto que estão adquirindo, já que, visualmente, uma esquadria que atende a norma pode ser semelhante à outra não-conforme. “Um bom projeto, associado à adequada instalação do produto na obra, deve seguir os detalhes de projeto da esquadria que apresentou um bom desempenho nos ensaios realizados”, diz.

De acordo com a ABNT NBR 10821 – Caixilhos para edificação – Janelas, o desempenho das esquadrias é avaliado pelos seguintes ensaios:

NBR 6485:2000 - Caixilho para edificação - Janela, fachada-cortina e porta externa - Verificação da penetração de ar.

NBR 6486:2000 - Caixilho para edificação - Janela, fachada-cortina e porta externa - Verificação da estanqueidade à água.

NBR 6487:2000 - Caixilho para edificação - Janela, fachada-cortina e porta externa - Verificação do comportamento quando submetido a cargas uniformemente distribuídas.

NBR 10821:2000 - Caixilho para edificação – Janelas – Resistência às operações de manuseio.

Ensaios
Laboratório especializado em ensaios de portas, janelas e fachadas-cortina, o ITEC – Instituto Tecnológico da Construção Civil realiza anualmente centenas de testes a pedido das construtoras e, principalmente, dos fabricantes. Recém acreditado pelo INMETRO, dispõe de quatro câmaras, identificadas por cores - azul, amarela, verde e vermelha –, sendo que a azul é considerada a maior do país, voltada para ensaios de fachadas de até três pavimentos. “Os ensaios de câmara fazem as simulações de vento e chuva, e há ainda dispositivos que testam as operações de manuseio, reproduzindo as condições de uso”, explica a engenheira Michele Gleice , gerente técnica do ITEC.

Segundo ela, os ensaios de penetração de ar avaliam o conforto térmico, ao observar se o vento que eventualmente passa pela porta ou janela está dentro das tolerâncias normativas. “Outro requisito observado é se a janela tem uma vazão de ar que possa interferir no desempenho da climatização do ambiente”, diz. Já no ensaio de estanqueidade à água simula chuva, através da aplicação de água com vazão constante e uma pressão de ensaio que é específica para a região do país onde será instalada a janela. O mapa de isopletas (veja ilustração) mostra a variação da velocidade de ventos nas várias regiões do país – no sul é maior do que no nordeste, por exemplo.

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“A NBR 10821 especifica que o caixilho ensaiado no teste de estanqueidade a água não pode apresentar infiltração que cause escorrimento pela parede na sua face interna”, observa a engenheira.

Deficiências na vedação do encontro do montante e da travessa, no contramarco ou marco, pode colaborar para que ocorra destacamento da argamassa. “É mais comum o ‘borbulho’, principalmente nas janelas de correr, quando se tem uma chuva muito forte. No trilho da janela, a lâmina d’água que se forma é escoada pelos rasgos de drenagem. Quando o dreno não está bem dimensionado, o trilho inunda e transborda. Outra razão é o caixilho não ter sido dimensionado para a incidência de vento da região”, comenta Michele Gleice , lembrando que essa situação é bastante comum nas portas das varandas, causando infiltração de água.

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O terceiro ensaio, o de cargas uniformemente distribuídas, é também conhecido como ensaio de deformação. Permite fazer uma verificação estrutural do caixilho, através da aplicação de uma pressão simulando uma rajada de vento. Avalia a deformação dos perfis, ruptura do vidro ou componente, e perda de estanqueidade ao ar.

“A NBR 10821 em seu anexo ‘A’ específica os ensaios de operações de manuseio, focados nos componentes das portas e janelas, e de acordo com a tipologia: maxim-ar, de correr, pivotante e outras. Para qualquer tipologia de esquadrias, são realizados os ensaios de ciclos de abertura e fechamento. O caixilho é instalado num pórtico, onde são aplicados 10 mil ciclos, em velocidade controlada, para avaliar seu desempenho. Se a peça emperrar, revela deficiência ou desgaste no sistema. Os outros ensaios avaliam a resistência dos perfis à flexão, ou seja, a segurança da esquadria. Verifica a deformação da folha, a partir da aplicação de carga horizontal paralela ao eixo da folha, numa das faces da janela”, diz a engenheira, acrescentando que essa condição simula uma pessoa apoiada na janela e o ensaio procura garantir que a folha não terá deformação permanente, nem ruptura do vidro.  Numa janela maxim-ar, a solicitação normativa se volta para os braços. Os ensaios são de arrancamento das articulações, aplicando uma carga que testa os esforços do braço da janela para verificar eventual ruptura.

Desenvolvimento de produtos

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Os ensaios em laboratório colaboram com o desenvolvimento de novos produtos, atividade que começa com o projeto da esquadria feito pelo fabricante. “Deficiências do caixilho que não são visíveis na prancheta, principalmente no item de estanqueidade a água, são reveladas nos testes. Até porque, muito do desempenho decorre das fases de montagem e de instalação do caixilho. Assim, se há deficiência na aplicação de silicone ou no dimensionamento da guarnição de borracha, por exemplo, a água vai passar. A água encontra meios para passar para o ambiente, situação que não é possível ver no projeto”, explica a gerente técnica do ITEC. A experiência do ensaio permite ao fabricante aplicar as correções ou repassar a informação para o instalador, indicando os cuidados necessários para garantir a estanqueidade. O ensaio também pode levar o fabricante a alterar detalhes, desde a inclusão ou redimensionamento de um componente, até o projeto todo.

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“O fabricante vem utilizando, de forma crescente, os ensaios para o desenvolvimento de novos produtos. As empresas que desejam aderir ao PSQ de Esquadrias de Alumínio também ensaiam suas esquadrias, de forma a chegar no programa já com produtos conformes”, revela. Segundo ela, as construtoras ainda se atêm aos ensaios das fachadas cortinas, mas “poderiam adotar a prática de testes para caixilhos entre vãos, que informa previamente as necessidades técnicas, como vedação dos caixilhos e esquadro do vão, evitando o retrabalho”, recomenda Michele Gleice.

Revisão da Norma
Todos os ensaios estabelecidos pela NBR 10821 são alvo de estudos no CB 02 para melhoria da qualidade no setor. São debates quinzenais realizados na AFEAL, sempre às quartas-feiras pela manhã. Participam fabricantes de esquadrias de alumínio, de aço, consultores, construtoras e laboratórios de ensaio. Também são convidados fabricantes de esquadrias de madeira e PVC. A comissão trabalha com base em normas internacionais, européias e americanas enviadas pela ABNT.

“A revisão modificará alguns itens dos métodos de ensaio, visando maior uniformidade entre os resultados dos laboratórios de ensaio. Incluirá uma classificação para a esquadria, dependendo de sua aplicação. Além da mudança expressiva no título, que passará a ser denominado ‘Esquadrias externas para edificações’, abrangerá todos os tipos de esquadrias, inclusive fachadas, item atualmente não abordado na ABNT NBR 10821:2000”, explica a engenheira Fabiola Rago.

As fachadas ganharam uma norma complementar, em fase de consulta pública até maio de 2009, pela Comissão de Estudos de Tratamento de superfície de Alumínio e suas ligas – do CB 35, intitulada ‘Colagem estrutural de vidros em alumínio com selante – Requisitos’. O texto ‘Colagem de vidros em alumínio com fita dupla-face estrutural de espuma acrílica moldada para construção civil – Requisitos’ também foi finalizado e encaminhado para o CB 35 para apreciação da ABNT. Todos os textos de normas em andamento e maiores informações podem ser solicitados à AFEAL pelo e-mail: normas@afeal.com.br




Colaboraram para esta matéria

Fabiola Rago Beltrame - Engenheira Civil pela FAAP (1993) e mestre em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1999). Diretora da Qualidade da BELTRAME Engenharia S.S. Ltda. Atua como consultora técnica da AFEAL - Associação de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio no PSQ de Esquadrias de Alumínio do PBQP-H e, também, na Diretoria da Qualidade do ITEC - Instituto Tecnológico da Construção Civil, laboratório de ensaio para materiais de construção civil, como esquadrias, vidros, guarda-corpos e selantes. É membro das Comissões de Estudos do CB-37 (Vidro) e do CB-35 (Alumínio) e Coordenadora da Comissão de estudos de Esquadrias do CB-02 (Construção Civil). 


Michele Gleice - Engenheira Civil e mestranda na área de estruturas pela UNICAMP. Experiência em laboratórios de ensaios desde 1997, quando iniciou suas atividades na L.A. Falcão Bauer e, posteriormente, na Testin – Tecnologia de Materiais. Há três anos atua como diretora técnica do ITEC – Instituto Tecnológico da Construção Civil, gerenciando toda área técnica, implantação de procedimentos técnicos e operacionais, treinamento da equipe, acompanhamento de ensaios, elaboração de relatórios de ensaio, contatos comerciais e atendimento às obras em geral.


Redação AECweb
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