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Patologias da alvenaria: como evitar

Compatibilização de projetos, escolha dos materiais adequados e mão de obra treinada são alguns dos cuidados necessários para evitar problemas

Redação AECweb / e-Construmarket

Fissura - Patologia - Concreto

As patologias atingem tanto a alvenaria estrutural quanto a de vedação. De acordo com a engenheira Fabiana Lopes de Oliveira, professora do Departamento de Tecnologia da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), as fissuras são as patologias mais comumente encontradas. Um fator considerável no aparecimento de fissuras nas alvenarias é a heterogeneidade resultante da utilização conjunta de materiais diferentes com propriedades distintas. “Blocos e argamassa de assentamento possuem resistência mecânica, módulo de deformação longitudinal, coeficiente de Poisson e outros parâmetros diferentes e, em função dessa não coincidência de propriedades mecânicas e elásticas, as fissuras podem propagar-se tanto pelas juntas como seccionar os componentes de alvenaria”, comenta.

As paredes de alvenaria apresentam, em geral, bom comportamento diante das solicitações de compressão, mas o mesmo não se pode dizer em relação às solicitações de tração, flexão e cisalhamento. “As tensões de tração e de cisalhamento são responsáveis pela quase totalidade dos casos de fissuração. Como as alvenarias são muito suscetíveis às distorções e deformações excessivas, elas exigem especificações detalhadas desde o projeto arquitetônico, como também no projeto das fundações, nos materiais, na execução e no cálculo da estrutura portante”, afirma Oliveira.

As estruturas de concreto foram se tornando cada vez mais esbeltas e, consequentemente, mais flexíveis, o que exige análise cuidadosa de suas deformações e respectivas consequências. “Normalmente, não se têm observado problemas graves decorrentes de deformações promovidas por solicitações de compressão (pilares), cisalhamento ou torção”, analisa a engenheira. Entretanto, a ocorrência de flechas em componentes fletidos tem causado repetidos e graves transtornos aos edifícios, verificando-se frequentes problemas de compressão de caixilhos, empoçamento de água em lajes de cobertura, destacamento de pisos cerâmicos e ocorrência de fissuras em paredes – tudo em função das flechas desenvolvidas em componentes estruturais.

As fissuras podem ser causadas por carregamentos desbalanceados, particularmente no caso de sapatas corridas ou vigas de fundação excessivamente flexíveis que não foram dimensionadas adequadamente
Fabiana Lopes de Oliveira

No caso de alvenarias de vedação, é importante mencionar que o desenvolvimento das fissuras será decorrente não só da grandeza da flecha, mas também de diversas características da alvenaria, como dimensões dos blocos, tipo de junta, características do material de assentamento e dimensões e localização dos vãos inseridos na parede. Contudo, na previsão da flecha de um componente fletido, é essencial considerar as parcelas das flechas instantâneas (antes e após fissuração) e das flechas provenientes da deformação lenta do concreto. Quando as alvenarias não são dimensionadas para suportar as flechas excessivas das estruturas de concreto, estas tendem a introduzir esforços de tração e cisalhamento, causando fissuras em diversas configurações.

O comportamento das fundações é questão que afeta diretamente o desempenho das alvenarias estruturais. “As fissuras podem ser causadas por carregamentos desbalanceados, particularmente no caso de sapatas corridas ou vigas de fundação excessivamente flexíveis que não foram dimensionadas adequadamente”, adverte Oliveira. Nas alvenarias estruturais, as fissuras que se manifestam oriundas de sobrecarregamentos – cargas axiais uniformemente distribuídas –, são verticais, provenientes da deformação transversal da argamassa de assentamento e dos próprios componentes de alvenaria por flexão local. “As fissuras causadas pela atuação de sobrecargas ocorrem pela solicitação excessiva do painel de alvenaria (compressão ou tração), condicionada normalmente pela concentração de esforços em determinadas regiões e à inexistência de dispositivos adequados para distribuí-los”, informa.

As fissuras causadas por dilatação térmica de lajes de cobertura são resultantes da existência de detalhes inapropriados no encontro entre as paredes e a laje de cobertura, o encunhamento muito rígido. “Neste caso, ocorrerão fissuras horizontais na parede de alvenaria estrutural, nas proximidades da laje”, destaca a engenheira.

REQUISITOS NORMATIVOS

De acordo com a engenheira Fabiana Lopes de Oliveira, a alvenaria estrutural utiliza blocos estruturais que devem ter os requisitos dimensionais, físicos e mecânicos segundo a ABNT NBR 15270-2 – Componentes cerâmicos – Parte 2: Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural – Terminologia e requisitos – quando de blocos cerâmicos e a ABNT NBR 6136 – Blocos vazados de concreto simples para alvenaria – Requisitos – quando de blocos de concreto. Já a alvenaria de vedação utiliza blocos de vedação que também devem estar em conformidade com a ABNT NBR 15270-1 – Componentes cerâmicos – Parte 1: Blocos cerâmicos para alvenaria de vedação – Terminologia e requisitos, ou ABNT NBR 6136 quando os blocos são de concreto.



EVITANDO PROBLEMAS

Para se evitar patologias de alvenaria estrutural, o projeto deve ser detalhado e compatibilizado com os demais da edificação. “Entende-se por projeto os estudos preliminares, o anteprojeto e o projeto executivo”, diz a docente, destacando que a compatibilização se faz necessária devido à impossibilidade de ajustes e quebras das paredes estruturais após a execução. Esse tipo de alvenaria exige profissionais capacitados para que sejam empregadas as ferramentas e técnicas adequadas. “Há estudos que afirmam que a qualidade da mão de obra empregada na produção da alvenaria estrutural tem influência direta na sua resistência final”, ressalta.

Fabiana explica que a melhor maneira de prevenir a necessidade de sérias reabilitações de um edifício é o dimensionamento e execução corretos. “É preciso considerar as solicitações necessárias para o cálculo da estrutura e, na execução, exigir um controle sistemático e eficiente da qualidade dos materiais e dos serviços”, afirma.

As fissuras causadas pela atuação de sobrecargas ocorrem pela solicitação excessiva do painel de alvenaria, condicionada normalmente pela concentração de esforços em determinadas regiões e à inexistência de dispositivos adequados para distribuí-los
Fabiana Lopes de Oliveira

Deve-se levar em conta que as alvenarias apresentam bom comportamento às solicitações de compressão, logo, sempre que possível, cargas excêntricas e concentradas devem ser distribuídas por meio de coxins. As concentrações de tensão nas aberturas deverão ser absorvidas por vergas e contravergas. Deve-se evitar também a presença de água na alvenaria acabada, o que provoca movimentações higroscópicas, eflorescências, expansão pela presença de sulfatos ou dissolução de compostos de argamassa de assentamento. "Nesses casos, deve ser feita a impermeabilização da fundação, o revestimento da parede com película impermeável ou hidrófuga, ou medidas que evitem o empoçamento de água nas bases das paredes e dispositivos construtivos que afastem a água das paredes de alvenaria como rufos e chapins”, detalha Oliveira.

Dentre os tratamentos convencionais de fissuras ativas destacam-se os elásticos à base de poliuretanos, siliconados, polissulfetos e resinas acrílicas. Em caso de fissuras passivas, os tratamentos são com massa de resina epóxica ou selantes rígidos, podendo-se injetar ou apenas fazer uma colmatação superficial. "Outro ponto importante é a presença de umidade no interior da fissura. Cada caso deve ser analisado individualmente para que se possa encontrar a solução adequada”, complementa a docente.

“A alvenaria estrutural é um sistema construtivo racionalizado e deve ser concebido como tal. Além de seguir as normas referentes à alvenaria estrutural, a compatibilização dos projetos, a escolha dos materiais segundo as normas vigentes e a mão de obra treinada são fatores primordiais para se conceber uma edificação sem manifestações patológicas dentro da vida útil de cada subsistema do edifício”, finaliza Oliveira.

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Patologias do concreto

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Fabiana Oliveira
Fabiana Lopes de Oliveira – possui mestrado, doutorado e pós-doutorado em Engenharia de Estruturas pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). Realizou estágios supervisionados na Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign, e no Centro Experimental de La Vivienda Economica, em Córdoba, Argentina. Atualmente, é professora doutora do Departamento de Tecnologia da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Tem experiência na área de construção civil, atuando principalmente nos seguintes temas: alvenaria estrutural, reabilitação de edifícios, sistemas construtivos, análise de desempenho e manifestações patológicas prediais.
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