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Retrofit moderniza edifícios e preserva patrimônio histórico

A técnica renova construções com novos materiais e soluções sem desfigurar sua originalidade

Texto: Gabriel Bonafé

martinelli
Retrofit mantém a essência do Edifício Martinelli, construído na década de 1930 em São Paulo.
Foto: Ana Mello

O retrofit é uma técnica da arquitetura e engenharia empregada para adaptar edifícios já existentes, melhorando a edificação sem desfigurar o projeto estrutural. Segundo Renata Marques, arquiteta especialista em gerenciamento de projetos, o retrofit é muito comum na Europa e, ultimamente, vem crescendo em grandes cidades brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro. “A prática vem sendo difundida para a revitalização dos centros urbanos e reocupação de prédios históricos”, justifica.

Até o primeiro arranha-céu da América Latina, o Edifício Martinelli, já foi retrofitado. Erguido em 1930 entre as ruas São Bento, Libero Badaró e Avenida São João, na capital paulista, os cinco últimos andares e o oitavo pavimento do prédio foram requalificados pelo escritório Paulo Lisboa para oferecer mais qualidade de vida aos funcionários que trabalham lá.

RESTAURAÇÃO OU REFORMA? Nenhum dos dois. O termo retrofit não deve ser confundido com restauração — que devolve o edifício ao seu estado original — nem com reforma — que não se compromete com as características originais do prédio. Modernização é a palavra que tem o significado conceitual mais próximo da técnica — já que, além de restaurar o edifício, o retrofit renova as estruturas com novos materiais e soluções.

RETROFITANDO

O retrofit não é empregado apenas para reparar desgastes naturais de materiais, mas também para atender às inovações tecnológicas do mercado. Portanto, o ponto inicial do projeto dá-se na necessidade de adequação do edifício referente a normas e desempenhos que ele não atende.

Renata diz que, antes de planejar a execução, é preciso considerar fatores econômicos e logísticos. “É necessária uma avaliação criteriosa baseada nos anseios do cliente, custos estimados e na viabilidade logística para a execução”, recomenda. “Muitas vezes, é elaborado um projeto completo para ser executado por etapas com todos os detalhes da obra”, revela.

É necessária uma avaliação criteriosa baseada nos anseios do cliente, custos estimados e na viabilidade logística para a execução do retrofit
Renata Marques

O retrofit pode ser aplicado em qualquer tipo de edificação e envolve diversos setores da construção — como fachada, piso, iluminação, instalações hidráulicas e outros — que variam conforme a necessidade de cada projeto.

Paula Mello, gerente de marketing da OSRAM, diz que a substituição de materiais deve contemplar exigências tecnológicas. “Para ser coerente com a ideia de retrofit, é preciso ter em mente que a novidade deve ser capaz de atingir todos os objetivos do que se tornou obsoleto e, ainda, agregar novos valores à sua existência”, explica.

Paulo explica que, retrofitar um prédio em questão de iluminação significa substituir lâmpadas tradicionais de uma luminária por modelos de melhor desempenho que proporcionam vantagens de redução de consumo de energia e maior durabilidade. A tecnologia LED é mais indicada nesse caso, pois alia eficiência energética e economia.

SUSTENTABILIDADE E ECONOMIA

Dentre as principais vantagens que o retrofit proporciona às obras de arquitetura, destaca-se o potencial sustentável — uma vez que a adequação torna a fachada mais eficiente e introduz sistemas hidráulicos, de eletricidade, iluminação e ventilação que atendem exigências ambientais.

A técnica também é importante para preservação de patrimônios históricos, além de figurar como a solução mais prática para sincronizar edifícios tombados a novos padrões. “E a tendência é de que esta demanda cresça ainda mais”, aposta Renata.

O retrofit também proporciona bom custo-benefício à obra. A despesa com a troca de materiais e execução do projeto pode demandar, a princípio, um investimento alto. No entanto, em longo prazo, a economia gerada pelas novas tecnologias faz o investimento valer a pena.

Para ser coerente com a ideia de retrofit, é preciso ter em mente que a novidade deve ser capaz de atingir todos os objetivos do que se tornou obsoleto e, ainda, agregar novos valores à sua existência
Paula Mello

“Podemos observar que existem muitos empreendimentos comerciais passando pelo processo de retrofit, com grandes incorporadoras e investidores comprando edifícios antigos para renová-los e depois comercializá-los”, conta Renata.

Há, também, uma grande procura por projetos de retrofit em empreendimentos residenciais. “Para os moradores, o investimento para a adequação costuma ser muito proveitoso. Afinal, não adianta a pessoa investir em melhorias para o apartamento se o prédio não possui uma infraestrutura adequada que valorize o imóvel e facilite o dia a dia do usuário”, argumenta a arquiteta.

Em suma, além de uma grande intervenção no edifício, o retrofit determina a forma como o prédio irá funcionar para reduzir gastos energéticos e custos com manutenções.

MAIS PROJETOS PELO BRASILMarília era uma casa centenária localizada nos Jardins, em São Paulo. Após um projeto de retrofit, entre 2008 e 2013, a residência transformou-se em uma atraente construção voltada ao nicho comercial. Segundo os arquitetos do SuperLimão Studio, escritório de arquitetura responsável pelo retrofit, a demolição teria saído mais barata, mas implicaria na perda de parte da metragem existente.

Entre 2009 e 2012, um cuidadoso retrofit comandado pelo escritório Borelli & Merigo Arquitetura e Urbanismo recuperou o brilho do conjunto do Ibirapuera, projetado por Oscar Niemeyer em 1950. O prédio, agora, abriga o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP.

Quer ver mais projetos? Acesse a Galeria da Arquitetura.

Colaboraram para esta matéria

Paula Silveira Mello – Formada em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) com MBA (Master of Business Administration) em Marketing pela FGV. Possui 20 anos de experiência no mercado de bens de consumo. Trabalha como Gerente de Marketing da OSRAM para a América Latina.
Renata Marques – Fundadora do escritório Renata Marques Arquitetura, atuou como arquiteta pela Incorporadora INPAR no acompanhamento de obras, desenvolvimento de projetos e produtos. É especialista em Gerenciamento de Projetos. Seu escritório está há 10 anos no mercado e foi responsável por diversos projetos inovadores para a arquitetura brasileira.
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